
O México reduz em 46% os homicídios dolosos sob a gestão de Sheinbaum
Maio de 2026 tornou-se o mês com a menor incidência deste crime nos últimos doze anos, enquanto 28 estados do México registaram uma tendência favorável de descida nos seus índices de criminalidade.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou esta terça-feira uma redução de 46% na taxa de homicídios dolosos a nível nacional entre setembro de 2024 e maio de 2026, consolidando uma estratégia soberana de segurança que confirma o índice de violência mais baixo dos últimos doze anos, de acordo com o Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública (SNSP).
Durante a habitual conferência de imprensa matinal, a titular do Secretariado Executivo do SNSP, Marcela Figueroa Franco, especificou que maio de 2026 se tornou o mês com menor incidência deste crime nos últimos doze anos, registando uma média diária de 47,3 vítimas, o que representa uma queda significativa em relação aos 86,9 homicídios diários registados em setembro de 2024.
Este avanço estatístico, que se traduz concretamente em menos 39 homicídios por dia em todo o território mexicano, é complementado pela redução de outros crimes de grande impacto, entre os quais os sequestros diminuíram 32,1% e os roubos de veículos com violência recuaram 23,4% durante o mesmo período analisado pelas entidades federais.
Ao analisar a situação regional, a responsável explicou que 28 estados do México registaram uma tendência favorável de descida nos seus índices de criminalidade, destacando-se os casos de San Luis Potosí, com uma descida de 81%, Zacatecas, com uma diminuição de 63%, e Quintana Roo, com uma redução de 60,8% , evidenciando um impacto estrutural do plano de pacificação.
A presidente mexicana confirmou que estes avanços resultam da excelente coordenação do Gabinete de Segurança e da mobilização de 120 000 efetivos da Guarda Nacional sob o comando do general Briseño, além de elogiar o trabalho do secretário da Defesa Nacional, Ricardo Trevilla, do secretário da Marinha, da secretária do Interior, Rosa Icela Rodríguez, e do responsável pela Segurança Pública, Omar García Harfuch.
Além disso, ao comparar os primeiros cinco meses de 2025 com o mesmo período de 2026, o Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública do México registou reduções substanciais em vários crimes de elevada incidência, entre os quais se destacam a redução de 32,1% nos sequestros e de 25,7% nos assaltos com violência a transportadores, além de uma diminuição de 23,4% nos roubos de veículos com violência, de 16,5% nos roubos em geral com violência, de 13,8% nos assaltos a estabelecimentos comerciais com violência, de 9,3% nos assaltos a transeuntes com violência, de 9,1% nos femicídios, de 7,9% nas lesões dolosas com arma de fogo e de 5,2% nas extorsões.
A divulgação destes indicadores oficiais ocorre num cenário geopolítico complexo, marcado pelas pressões diplomáticas do Governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, cujas agências de segurança pretendem condicionar a política interna através da revogação unilateral de vistos a dezenas de funcionários e da ameaça de apresentar acusações criminais contra governadores de vários estados do México e outros altos funcionários do governo de Sheinbaum.
Perante as acusações de Washington sobre supostas ligações entre a cúpula política e o crime organizado, o secretário da Segurança, Omar García Harfuch, reafirmou que o Cartel de Sinaloa continua sob a vigilância rigorosa do Estado, por ser uma das organizações criminosas mais poderosas do país, enquanto as forças da ordem realizam operações de captura contra os responsáveis pela violência de forma independente.
O Governo soberano do México salientou que a cooperação no âmbito do Grupo Bilateral de Implementação deve basear-se no respeito absoluto pela soberania, posição ractificada após o encontro na embaixada dos Estados Unidos, onde foram abordados temas como segurança fronteiriça, migração e tráfico de armas, de acordo com os princípios da corresponsabilidade mútua e sem qualquer tipo de subordinação política.
Por fim, as autoridades do México informaram que, desde outubro de 2024, foram detidas 56 134 pessoas ligadas à criminalidade, das quais 57 correspondem a alvos prioritários de elevada periculosidade, reafirmando o compromisso do Estado de pacificar a nação por meio da justiça social, do combate frontal à corrupção e da atenção direta às causas estruturais.
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