
O Partido dos Trabalhadores lançou a campanha nacional «O Brasil não se rende»
A campanha será levada a cabo através de conteúdos digitais, vídeos e gráficos destinados a proteger o sistema de pagamentos instantâneos.
Sob o lema «O Brasil não se rende», o Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no poder, lançou nesta quarta-feira, 22 de julho, uma ofensiva política e mediática em defesa da soberania nacional, dos postos de trabalho e da economia do país sul-americano.
A iniciativa surge como resposta directa à entrada em vigor de um novo direito alfandegário adicional de 25 por cento aplicado pelos Estados Unidos a cerca de 3 000 produtos brasileiros.
Através de um comunicado oficial, a organização política fundada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, denunciou que as medidas proteccionistas de Washington representam um ataque directo à estabilidade económica, colocando a defesa da soberania no centro do debate público.
A campanha será levada a cabo através de conteúdos digitais, vídeos e gráficos destinados a proteger o sistema de pagamentos instantâneos Pix, a indústria transformadora nacional e as reservas de minerais estratégicos.
Brasília pondera ativar a sua Lei da Reciprocidade
No âmbito governamental, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elías Rosa, alertou que o Executivo está a ponderar a aplicação da Lei da Reciprocidade, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional.
O responsável precisou que este instrumento jurídico autoriza a adopção de medidas comerciais proporcionais «quando for adequado e quando for necessário», esclarecendo que qualquer ação terá como objectivo evitar um prejuízo maior para a própria economia brasileira.
O novo pacote de tarifas, o segundo imposto por Washington em menos de um ano após a taxa de 50 por cento aplicada em agosto de 2025, foi justificado pelo Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com o argumento de que as políticas do Brasil supostamente prejudicam os seus setores produtivos.
🚨El 51 % de los brasileños culpa a Flávio Bolsonaro del arancel del 25 % de EE.UU., según sondeo Genial/Quaest. Solo el 30 % respalda su versión. El 63 % teme perjuicios para su familia y el 42 % dice que la medida de Trump refuerza su voto por Lula en octubre. #Brasil… pic.twitter.com/wRgEoXG8BC
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 17, 2026
O Governo de Lula da Silva rejeitou categoricamente essa posição, recordando que os dados oficiais demonstram progressos na redução da desflorestação amazónica e um mercado aberto onde as empresas de cartões de crédito norte-americanas têm vindo a aumentar a sua presença.
Além disso, Brasília salientou que os Estados Unidos mantêm um excedente na balança comercial bilateral, que registou uma desaceleração durante o primeiro semestre de 2026.
Alarme e prejuízos de vários milhões no sector das exportações
A medida norte-americana afetará directamente cerca de 18 por cento das exportações brasileiras para esse mercado, o que está a suscitar preocupação no sector empresarial.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estimou que mais de 11 000 milhões de dólares em exportações serão Por seu lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que as tarifas irão reduzir a competitividade das indústrias transformadoras brasileiras face aos concorrentes de países terceiros.
No entanto, associações-chave como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Associação Brasileira das Indústrias do Calçado (Abicalçados) e a União da Indústria da Cana-de-Açúcar e da Bioenergia (Unica) defenderam a manutenção dos canais de negociação abertos para conseguir a eliminação das sobretaxas a médio prazo.
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