
Mais de 300 menores foram assassinados no Equador durante o primeiro semestre de 2026
«Desde 2023, a principal causa de morte de crianças e adolescentes são os homicídios intencionais (…) A infância e a adolescência passaram de vítimas indiretas a alvos diretos de grupos de criminalidade organizada», afirmou um especialista sobre a situação no Equador.
Os índices de violência no Equador atingiram um ponto crítico durante o primeiro semestre de 2026, quando foram registados 305 menores assassinados, o número semestral mais elevado registado na história do país andino, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Observatório da Infância, Adolescência e Juventude.
O observatório explica que, embora as estatísticas gerais reflitam uma diminuição de 11% no total de homicídios a nível nacional, em comparação com o primeiro semestre de 2025 —que terminou como o ano mais violento da história—, a realidade não foi a mesma para os menores de idade.
En Ecuador, las políticas neoliberales de Daniel Noboa asfixian el mercado laboral, donde su Gobierno provocó más de 5.000 despidos, afectando a la clase trabajadora y a familias que dependen de estos ingresos financieros necesarios. Noboa, bajo su administración, deterioró el… pic.twitter.com/SUUI8Z3x2a
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 24, 2026
A análise dos registos do Ministério do Interior citados pela entidade evidencia a gravidade da situação. Os casos registados neste primeiro semestre representam mais quatro homicídios do que os 301 registados nos mesmos meses de 2025; superam em 107 os 198 crimes de 2024 e representam um aumento de 153 vítimas em relação às 152 registadas em 2023, o segundo ano mais violento da história do país até ao momento.
«Desde 2023, a principal causa de morte de crianças e adolescentes no país são os homicídios intencionais. Isto significa que as crianças e os adolescentes deixaram de ser vítimas indiretas para se tornarem alvos directos dos grupos de criminalidade organizada», explicou Francisco Cevallos, investigador do observatório, que analisou as estatísticas publicadas pelo Ministério do Interior.
Cevallos referiu que o envolvimento de menores em grupos criminosos «é uma tendência crescente e cada vez mais visível na região, não apenas no país» e que o aumento do recrutamento por parte destes grupos «demonstra que este fenómeno já não pode ser considerado marginal».
A nível territorial, 93,1% destes crimes concentraram-se na região costeira, fundamental para a logística do tráfico de droga devido à saída de carregamentos para a Europa e a América do Norte através dos seus portos.
A proliferação de armamento letal consolidou-se como outro fator fundamental neste aumento da criminalidade, impulsionado pelo uso massivo de armas de fogo que foram o meio utilizado em quase a totalidade das mortes violentas de adolescentes entre os 12 e os 17 anos durante o primeiro semestre de 2026.
«Enquanto em 2014 os homicídios com arma de fogo em menores representavam 39% dos casos, em 2025 90,9% dos homicídios de crianças e adolescentes foram causados por arma de fogo. Verifica-se um aumento de 1 556%», assinalou o investigador.
🚨 Informes basados en datos del Ministerio del Interior advierten que en Ecuador se registra en promedio un asesinato cada 1 hora y 2 minutos, alcanzando la cifra de 23 muertes violentas diarias durante el primer semestre del año.
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 22, 2026
🔴 Este periodo se ha catalogado como el…
A análise de Cevallos sugere que os dados atuais revelam a existência de uma «crise de protecção multidimensional, na qual as crianças e os adolescentes devem ser uma prioridade na prestação de assistência», que vai além da mera resposta policial do Governo nacional, que se tem baseado na aplicação contínua de estados de excepção e no destacamento militar em sectores prioritários.
«Só uma ação coordenada, sistemática e complementar por parte do Estado, em conjunto com o Governo nacional, as autarquias locais, os meios de comunicação social, o meio académico, o sector privado, as famílias e as comunidades, poderá combater o fenómeno do recrutamento de menores para grupos de criminalidade organizada», alertou, insistindo na urgência de que as operações de força sejam acompanhadas por planos de intervenção social.
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