O Brasil não explica o veto à Venezuela no BRICS nem o convite para a cimeira no Rio de Janeiro
Celso Amorim concedeu declarações exclusivas sobre o assunto ao jornalista brasileiro Breno Altman.
O chefe da Assessoria Especial da Presidência do Brasil, Celso Amorim, evitou falar nesta sexta-feira sobre um veto explícito à inclusão da Venezuela como parte do BRICS, e também não explicou as razões pelas quais o governo da nação bolivariana não foi convidado a participar da recente reunião do bloco no Rio de Janeiro.
Em entrevista ao jornalista brasileiro Breno Altman, Amorim atribuiu a exclusão da Venezuela como membro do mecanismo multilateral à intenção de não expandir indefinidamente o grupo.
“Queríamos um BRICS equilibrado, flexível em todos os sentidos, para que pudesse ter o efeito que desejamos”, afirmou Amorim.
Ele também esclareceu que nem a Venezuela nem outros países sul-americanos, como Argentina, Peru ou Equador, foram convidados para a reunião do Rio, embora tenha reconhecido que a nação bolivariana mantém uma postura pró-BRICS, ao contrário desses outros governos.
Indagado por @brealt en entrevista a @operamundi, el Jefe de la Asesoría Especial de la Presidencia brasileña, Celso Amorim, no explicó por qué Brasil vetó el ingreso de Venezuela a los Brics, ni invitó al país a la Cumbre del bloque en Rio. pic.twitter.com/CeZ9XXSJPE
— Nacho Lemus (@LemusteleSUR) July 11, 2025
“Há muitos fatores envolvidos. Não havia nenhuma lista negra, apenas países com os quais temos relações políticas mais próximas atualmente, e nós os convidamos”, enfatizou.
Em outubro de 2024, o também ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil quis justificar o veto do Brasil à entrada da Venezuela no BRICS, alegando que havia ocorrido uma suposta “quebra de confiança”.
Numa entrevista concedida ao jornal O Globo na época, Amorim acusou Caracas de supostamente não cumprir compromissos anteriores.
Por sua vez, o presidente Nicolás Maduro rejeitou a decisão do Brasil e classificou o veto como uma “agressão” e uma acção contrária ao espírito de integração promovido pelos BRICS.
O mandatário venezuelano destacou que o veto foi executado pelo embaixador do Brasil, Eduardo Paes Saboia, promovendo a exclusão do país bolivariano e dando continuidade às políticas aplicadas durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Maduro destacou os laços estreitos com os países que actualmente compõem os BRICS, especialmente com a China, a Rússia e a Índia.
Da mesma forma, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela denunciou que a decisão do Brasil contradiz os princípios fundadores dos BRICS e que o veto reproduz “o ódio e a exclusão promovidos pelos centros de poder ocidentais”.
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