
A Justiça brasileira iniciou a investigação dos bens e recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro
Segundo as autoridades brasileiras, as investigações apontam para possíveis crimes de organização criminosa, corrupção, gestão fraudulenta, branqueamento de capitais e interferência em investigações oficiais.
O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil autorizou esta quarta-feira o rastreio internacional de bens e recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está a ser investigado por uma alegada fraude financeira no extinto Banco Master e pela operação frustrada de venda da entidade ao Banco Regional de Brasília, ações que se inscrevem no âmbito da Operação Cumprimento Zero.
A medida permite que a Polícia Federal (PF) dê início ao processo de localização de activos e recursos alegadamente obtidos de forma ilícita e verifique a existência de património oculto no estrangeiro, analisando um suposto esquema de fraude, branqueamento de capitais e outros crimes.
Além disso, o Governo brasileiro está autorizado a solicitar informações a entidades estrangeiras sobre a existência de contas bancárias, imóveis, empresas ou outros activos que possam estar ligados aos investigados.
🚨O candidato presidencial brasileiro Flávio Bolsonaro, da extrema-direita, ficou envolvido no escândalo do Banco Master. O seu escritório de advogados emitiu três faturas no valor de 500 000 reais cada uma a empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, detido por corrupção pic.twitter.com/KLa6XggZjF
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Segundo as autoridades brasileiras, as investigações apontam para possíveis crimes de organização criminosa, corrupção, gestão fraudulenta, branqueamento de capitais e interferência em investigações oficiais.
Acordos de delação
A defesa de Vorcaro apresentou duas propostas de delação que foram rejeitadas pela Polícia Federal, que determinou a ausência de informação nova, verificável e relevante, além de excluir o reconhecimento de responsabilidades penais.
As autoridades judiciais rejeitaram os relatos incluídos no rascunho inicial da colaboração ou delação, considerando que, para a investigação, os dados obtidos dos telemóveis de Vorcaro e dos restantes envolvidos continham informações mais relevantes.
Até março de 2026, a investigação já tinha reunido cerca de oito mil documentos e registos digitais extraídos de nove telemóveis que se presume serem propriedade de Vorcaro.
Caso Banco Master
O caso do Banco Master é um dos maiores escândalos financeiros do Brasil. As investigações tiveram início em 2024, depois de o Ministério Público Federal ter detetado irregularidades nas operações da instituição financeira.
Para 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, afectando cerca de 1,6 milhões de clientes. O Fundo de Garantia de Créditos viu-se obrigado a desembolsar 41 mil milhões de reais (oito mil milhões de dólares) para cobrir os ganhos legais dos depositantes.
🚨Pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro detido no Brasil no âmbito do caso Banco Master
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🔴A Polícia Federal do Brasil deteve Henrique Vorcaro no âmbito da operação «Compliance Zero», sendo investigado por crimes como corrupção e branqueamento de capitais. pic.twitter.com/RpjoqARXqX
Estes factos deram origem a dezenas de mandados de busca e ao bloqueio dos bens dos envolvidos, que seriam: Daniel Vocaro, titular do Banco Master; o seu pai, Henrique Vorcaro, investigado por alegada participação na rede de ocultação de património e fraudes financeiras; Marilson Roseno da Silva, agente da polícia aposentado acusado de utilizar as suas ligações institucionais para divulgar dados confidenciais e proteger as actividades do banqueiro; Luiz Philippi Mourão, conhecido como «Sicario», enfrenta acusações por actos de coacção, ameaças e intimidação dirigidos contra opositores e jornalistas; além de outros acionistas e administradores do banco, como Luiz Antonio Bull, Alberto Felix de Oliveira Neto, Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira, ligados à criação de carteiras de crédito fictícias.
As investigações da Polícia Federal revelaram a enorme rede de contactos de Daniel Vorcaro entre as esferas mais poderosas do país, com quem realizou negócios e organizou festas, de acordo com a imprensa local. Além disso, efectuou pagamentos milionários a vários escritórios de advogados e empresas ligadas ao ex-presidente Michel Temer (2016-2018), bem como aos ex-ministros Ricardo Lewandowski, Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo de Jair Bolsonaro, Henrique Meirelles e Guido Mantega.
Foram também identificados pagamentos ao presidente do partido União Brasil, Antônio Rueda; ao ex-presidente da Câmara de Salvador e ex-candidato ao Governo da Bahia, Antônio Carlos Peixoto Neto, conhecido como ACM Neto; e ao governador do Paraná, Ratinho Júnior.
Daniel Vorcaro permanece em prisão preventiva no 19.º Batalhão da Polícia Federal do Distrito Federal, também conhecido como Papudinha, à disposição das autoridades judiciais.
🚨A Polícia brasileira investiga o ex-ministro de Bolsonaro por ligações a um esquema de corrupção milionário
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🔴A Polícia Federal brasileira realizou operações nas residências do senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro. pic.twitter.com/EBXNq5FmEZ
Ligações com Falvio Bolsonaro
O senador e candidato de extrema-direita à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, enfrenta um panorama complexo após a revelação de novos dados sobre a sua ligação com a Vorcaro.
Os meios de comunicação brasileiros revelaram que o escritório de advogados de Bolsonaro emitiu três facturas por «assessoria jurídica» a duas empresas cujo administrador era um empresário que operava com o Banco Master. Cada fatura correspondia a 500 000 reais (cerca de 100 000 dólares), mas duas delas foram anuladas. O candidato afirmou que a fatura foi emitida de forma legal.
Estas novas revelações vêm somar-se ao recebimento de quase 11 milhões de dólares por parte do senador para financiar «Dark Horse», uma produção cinematográfica sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliária desde março deste ano.
Em maio, numa tentativa de desviar a atenção da agenda negativa que está a prejudicar a sua campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro deslocou-se a Washington, acompanhado pelo seu irmão Eduardo e pelo deputado Paulo Figueiredo, para um encontro informal fora da agenda com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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