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A Justiça brasileira iniciou a investigação dos bens e recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Segundo as autoridades brasileiras, as investigações apontam para possíveis crimes de organização criminosa, corrupção, gestão fraudulenta, branqueamento de capitais e interferência em investigações oficiais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil autorizou esta quarta-feira o rastreio internacional de bens e recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está a ser investigado por uma alegada fraude financeira no extinto Banco Master e pela operação frustrada de venda da entidade ao Banco Regional de Brasília, ações que se inscrevem no âmbito da Operação Cumprimento Zero.

A medida permite que a Polícia Federal (PF) dê início ao processo de localização de activos e recursos alegadamente obtidos de forma ilícita e verifique a existência de património oculto no estrangeiro, analisando um suposto esquema de fraude, branqueamento de capitais e outros crimes.

Além disso, o Governo brasileiro está autorizado a solicitar informações a entidades estrangeiras sobre a existência de contas bancárias, imóveis, empresas ou outros activos que possam estar ligados aos investigados.

Segundo as autoridades brasileiras, as investigações apontam para possíveis crimes de organização criminosa, corrupção, gestão fraudulenta, branqueamento de capitais e interferência em investigações oficiais.

A defesa de Vorcaro apresentou duas propostas de delação que foram rejeitadas pela Polícia Federal, que determinou a ausência de informação nova, verificável e relevante, além de excluir o reconhecimento de responsabilidades penais.

As autoridades judiciais rejeitaram os relatos incluídos no rascunho inicial da colaboração ou delação, considerando que, para a investigação, os dados obtidos dos telemóveis de Vorcaro e dos restantes envolvidos continham informações mais relevantes.

Até março de 2026, a investigação já tinha reunido cerca de oito mil documentos e registos digitais extraídos de nove telemóveis que se presume serem propriedade de Vorcaro.

O caso do Banco Master é um dos maiores escândalos financeiros do Brasil. As investigações tiveram início em 2024, depois de o Ministério Público Federal ter detetado irregularidades nas operações da instituição financeira.

Para 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, afectando cerca de 1,6 milhões de clientes. O Fundo de Garantia de Créditos viu-se obrigado a desembolsar 41 mil milhões de reais (oito mil milhões de dólares) para cobrir os ganhos legais dos depositantes.

Estes factos deram origem a dezenas de mandados de busca e ao bloqueio dos bens dos envolvidos, que seriam: Daniel Vocaro, titular do Banco Master; o seu pai, Henrique Vorcaro, investigado por alegada participação na rede de ocultação de património e fraudes financeiras; Marilson Roseno da Silva, agente da polícia aposentado acusado de utilizar as suas ligações institucionais para divulgar dados confidenciais e proteger as actividades do banqueiro; Luiz Philippi Mourão, conhecido como «Sicario», enfrenta acusações por actos de coacção, ameaças e intimidação dirigidos contra opositores e jornalistas; além de outros acionistas e administradores do banco, como Luiz Antonio Bull, Alberto Felix de Oliveira Neto, Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira, ligados à criação de carteiras de crédito fictícias.

As investigações da Polícia Federal revelaram a enorme rede de contactos de Daniel Vorcaro entre as esferas mais poderosas do país, com quem realizou negócios e organizou festas, de acordo com a imprensa local. Além disso, efectuou pagamentos milionários a vários escritórios de advogados e empresas ligadas ao ex-presidente Michel Temer (2016-2018), bem como aos ex-ministros Ricardo Lewandowski, Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo de Jair Bolsonaro, Henrique Meirelles e Guido Mantega.

Foram também identificados pagamentos ao presidente do partido União Brasil, Antônio Rueda; ao ex-presidente da Câmara de Salvador e ex-candidato ao Governo da Bahia, Antônio Carlos Peixoto Neto, conhecido como ACM Neto; e ao governador do Paraná, Ratinho Júnior.

Daniel Vorcaro permanece em prisão preventiva no 19.º Batalhão da Polícia Federal do Distrito Federal, também conhecido como Papudinha, à disposição das autoridades judiciais.

O senador e candidato de extrema-direita à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, enfrenta um panorama complexo após a revelação de novos dados sobre a sua ligação com a Vorcaro.

Os meios de comunicação brasileiros revelaram que o escritório de advogados de Bolsonaro emitiu três facturas por «assessoria jurídica» a duas empresas cujo administrador era um empresário que operava com o Banco Master. Cada fatura correspondia a 500 000 reais (cerca de 100 000 dólares), mas duas delas foram anuladas. O candidato afirmou que a fatura foi emitida de forma legal.

Estas novas revelações vêm somar-se ao recebimento de quase 11 milhões de dólares por parte do senador para financiar «Dark Horse», uma produção cinematográfica sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliária desde março deste ano.

Em maio, numa tentativa de desviar a atenção da agenda negativa que está a prejudicar a sua campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro deslocou-se a Washington, acompanhado pelo seu irmão Eduardo e pelo deputado Paulo Figueiredo, para um encontro informal fora da agenda com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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