
Sheinbaum: O México não é piñata de ninguém e é respeitado
Exorta Washington a deixar de utilizar a questão do México nas suas campanhas eleitorais e convida-os a centrar-se nas inúmeras crises internas nos EUA.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, rejeitou veementemente as constantes acusações de ingerência provenientes de Washington e as recentes declarações do seu secretário de Estado, Marco Rubio, que questionou as medidas tomadas pelo Estado mexicano contra o tráfico de drogas.
Durante a sua conferência de imprensa diária, a presidente afirmou que este tipo de falsas acusações faz parte das campanhas eleitorais nos Estados Unidos, onde diversos sectores políticos tentam utilizar o México como um diversivo para os seus próprios problemas estruturais.
Salientou que Washington deve concentrar os seus esforços em fazer face às suas graves crises internas — como a epidemia de consumo de estupefacientes e o contrabando ilegal de armas de fogo de grande calibre que alimenta a violência na região — em vez de se intrometer na vida pública e institucional da nação azteca, afirmou a líder enquanto expunha as contradições da luta antidroga norte-americana.
Sheinbaum leu ainda uma reportagem que expõe uma operação secreta da agência antidroga norte-americana, a DEA, que permitiu a entrada e o tráfico de milhares de doses de fentanil no seu país para reforçar os fundamentos de processos judiciais. Essa operação está agora a ser investigada pela Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes.
A presidente foi enfática ao afirmar: «E, como sempre dissemos, o México não é piñata de ninguém, o México deve ser respeitado». Recordou que a condução política do país cabe exclusivamente ao povo mexicano. «Eles já têm problemas suficientes lá para que as suas campanhas se dediquem à questão dos Estados Unidos. Não têm motivos para usar o México na sua campanha eleitoral», afirmou.
Nesse sentido, afirmou ainda: «Nós não nos intrometemos na escolha deles, e eles também não deveriam usar o México na sua escolha. No México, é o povo que decide, e nos Estados Unidos, é o povo dos Estados Unidos que decide».
Coordenação entre iguais e rejeição à subordinação imperial
Sheinbaum salientou que a posição do Governo do México continuará sempre a visar relações bilaterais construtivas e a integração comercial com os Estados Unidos, mas estabelecendo limites claros a qualquer pretensão de tutela ou intromissão.
«É uma responsabilidade política, até ao limite da defesa da nossa soberania, que não é negociável. E também respondemos com respeito, porque não ofendemos ninguém. Mas respondemos com respeito, pedindo respeito para o México», afirmou a chefe de Estado.
Além disso, sublinhou que a colaboração internacional em matéria de segurança deve reger-se pelo princípio da coordenação sem subordinação, garantindo a defesa irrestrita do território, das leis e da autodeterminação do povo mexicano.
Soberania nacional face à utilização da política externa para fins eleitorais
A resposta da Presidente do México reafirma a doutrina da autodeterminação face à rectórica habitual do establishment político norte-americano, que apela à ingerência.
Ao revelar as contradições das operações secretas que introduzem drogas em território soberano, o México reafirma o seu compromisso com a paz e a segurança regional, a partir de uma posição de dignidade patriótica e de estrito respeito pelo direito internacional.
Pode partilhar esta história nas redes sociais:
Fonte:



