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Lula numa mobilização nacional do PT: “Criar uma máquina poderosa contra as mentiras no Brasil”

A jornada de mobilização chegou a cerca de 130 cidades do Brasil. Lula apelou para que se fosse realista, se dialogasse com o povo e se mobilizasse nas ruas e nas redes sociais. «Transformar estes 20 dias de campanha que faltam na verdade absoluta, para superar a mentira absoluta».

O Brasil viveu no domingo um dia nacional de mobilização convocado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que registou mais de 1 120 concentrações, marchas e comícios em 26 dos 27 estados brasileiros e terminou com uma transmissão em directo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, onde reiterou os pilares da sua campanha: soberania nacional, combate à violência contra as mulheres, educação integral e luta contra o crime organizado.

A três semanas das eleições, nas quais o presidente progressista procura a reeleição frente ao candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), condenado por golpismo, milhares de brasileiros mobilizaram-se em dezenas de municípios para manifestar o seu apoio a Lula.

O presidente do Brasil não participou em nenhum evento de rua, mas transmitiu uma transmissão em direto nas redes sociais, na qual apelou à defesa das suas bandeiras de campanha e à derrota das campanhas de mentiras.
Entre os pontos abordados pelo presidente durante a transmissão em direto com activistas e jornalistas, que encerrou o «Dia 13 com Lula», destacou-se o combate ao crime organizado.

O presidente reafirmou o compromisso de combater o crime organizado e garantir a segurança da população, através da coordenação entre os governos estaduais e do investimento em serviços de informação nas fronteiras.

«Vamos aumentar o efectivo e investir na inteligência da Polícia Federal. Vamos atrás dos bandos de ladrões de telemóveis, dos narcotraficantes que controlam os bairros e dos magnatas que lavam dinheiro para as facções», disse Lula, sublinhando que o combate deve atingir tanto quem comete os crimes como quem dirige as operações e fica com os lucros.

Salientou que as organizações que ordenam os roubos e vendem o equipamento deveriam estar no centro das acções de segurança. «Porque o crime organizado paga para que as crianças roubem. Mas são eles que ganham dinheiro, que compram, que desmontam e que vendem», precisou.

Na sua intervenção nas redes sociais, o líder progressista apelou aos seus seguidores para que combinassem a mobilização nas redes sociais com a presença nas ruas para mostrar o que está em jogo nas eleições de outubro.

Ao recordar o legado negativo deixado pelo Governo de Jair Bolsonaro, criticou o uso de mentiras como instrumento eleitoral e apelou aos seus apoiantes para que apresentassem à população os resultados e as propostas do seu projecto para o país. Nestas eleições — sublinhou Lula — «está em jogo o futuro de cada brasileiro, dos seus filhos, da sua família e do Brasil».

«Precisamos de transformar estes 20 dias de campanha que ainda faltam na verdade absoluta, para superar a mentira absoluta […] Por isso, vamos lutar no computador, no telemóvel, mas sobretudo na rua, enfrentar-nos cara a cara e afirmar que a verdade derrotará a mentira», afirmou.

Lula referiu-se ao custo dos alimentos, aos recursos necessários para garantir as políticas sociais durante a transição e às dívidas que o seu Governo teve de pagar após a presidência do extremista de direita Bolsonaro.

Recordou que o ex-presidente golpista, pai do actual candidato de extrema-direita, deixou um défice de 2,8% do PIB. «Não tinha dinheiro para pagar as suas contas. Fomos nós, durante a transição, que conseguimos dinheiro para o Bolsa Família, para a educação e para a saúde (…) Ele deixou um rombo de 94 000 milhões de rands em dívidas que tivemos de pagar», afirmou.

Também comparou a inflação dos alimentos em ambos os governos. De acordo com os números apresentados por Lula, o aumento foi de 56,17% no governo anterior e de 13,6% no atual. Reconheceu que os alimentos continuam caros e explicou que a desaceleração da inflação não significa a reversão dos aumentos acumulados anteriormente.

Salientou que a campanha até às eleições de outubro deve transformar essa comparação numa conversa direta com os eleitores. «O que não nos falta é um argumento para desmascarar as mentiras. E precisamos de transformar estes 20 dias de campanha que ainda faltam na verdade absoluta, para superar a mentira absoluta», afirmou.

Salientou que só com o apoio de militantes e jornalistas será possível «criar uma máquina poderosa para acabar com as mentiras no Brasil».

O líder histórico do PT criticou os candidatos que recorrem à desinformação para chegar ao poder, mas que não têm nem a capacidade nem o empenho para governar em benefício da população.

«Porque quem ganhou uma eleição a mentir não pode governar a mentir. Isso vai resultar num Collor de Mello, vai resultar num Bolsonaro, vai resultar em pessoas inúteis no Governo, porque não sabem governar, porque não têm qualquer ligação com o povo, porque não têm qualquer compromisso com o povo», declarou.

Lula afirmou que os seus opositores não estão empenhados na verdade nem na inclusão social.
«Temos um candidato que parece um capataz de uma quinta na época da escravatura. Temos um candidato que nasceu no seio da milícia, faz parte dela e está envolvido em todos os esquemas fraudulentos, desde o roubo à Segurança Social», afirmou.

Referiu que foi o seu Governo que deteve o banqueiro Daniel Vorcaro e que também foi sob a presidência do Banco Central por ele nomeada que o Banco Master foi liquidado.

Recordou que foi graças às investigações levadas a cabo com seriedade durante o seu mandato que foi desmascarada toda a rede do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que agia livremente no governo de Bolsonaro.

«Não só acabámos com o grupo criminoso, como detivemos quase todos os seus membros; já devolvemos o dinheiro, 3 500 milhões de rands, a mais de cinco milhões de reformados. Devolvemos o dinheiro a todos e já recebemos quase 6 000 milhões de rands, que iremos vender para reembolsar a Segurança Social», explicou.

Num tom direto e crítico, afirmou ainda que se houver alguma prova do envolvimento do seu filho Fábio Luis em irregularidades, «ele pagará um preço muito alto».

Na sua transmissão em direto, que marcou o encerramento do dia de mobilização nacional, o presidente do Brasil salientou que as próximas eleições definem o futuro das famílias brasileiras e a capacidade do país de decidir sobre a sua própria riqueza.

Ao referir-se ao petróleo, aos minerais essenciais e às terras raras, salientou que o Brasil deve explorar, refinar e industrializar os seus recursos, gerando desenvolvimento no território nacional com os benefícios dessa exploração.

Na área da educação, destacou-se a expansão das universidades e institutos federais e iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), Pé-de-Meia (incentivos económicos a alunos do ensino secundário de escolas públicas para os motivar a permanecer na escola e concluir os estudos) e o ensino a tempo inteiro como instrumentos para ampliar as oportunidades.

«Quem ganhou uma eleição a mentir não pode governar a mentir. Isso vai resultar num Collor de Mello, vai resultar num Bolsonaro, vai resultar em pessoas inúteis no Governo, porque não sabem governar, porque não têm ligação com o povo, porque não têm compromisso com o povo», afirmou Lula da Silva. Foto: PT.

Reafirmou o seu compromisso com o fim da escala 6×1, associando a redução do horário de trabalho ao direito de viver com os filhos, participar na sua educação e partilhar as tarefas domésticas. Para um novo mandato, referiu também a criação de lares para o acolhimento de idosos e a necessidade de intensificar a luta contra a violência contra as mulheres.

No diálogo de Lula com activistas e comunidades, foi sublinhado que as próximas eleições, mais do que simples eleições, são «a disputa sobre o Brasil que vamos construir nas próximas décadas», como afirmou durante o evento o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Questionado sobre a orientação da campanha para a reta final, o presidente do PT apelou para que a mobilização deste domingo se mantenha até à votação de 4 de outubro.

«Para as ruas, para as redes sociais, mobilização, diálogo com o povo brasileiro, falar muito com o povo brasileiro e mostrar a diferença entre os projectos que estão em disputa. Redes e ruas, redes e ruas», afirmou.

Para além de Lula e do Edinho, participaram na emissão o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, e Ana Flávia Marques, presidente interina do Instituto Lula.

A mais recente sondagem da Datafolha, divulgada na passada sexta-feira, mostra Lula com 39% de intenções de voto no primeiro turno, quatro pontos acima do seu rival, o ultradireitista Flávio Bolsonaro, um dos indiciados no escândalo do Banco Master e investigado por corrupção, branqueamento de capitais e evasão cambial.

Lula, que procura a reeleição enfrentando a ingerência dos EUA e a mobilização da extrema-direita em torno de Bolsonaro, oficializou a sua candidatura em São Paulo no passado dia 16 de agosto com uma proposta programática de combate frontal à violência de género e ao crime organizado, a par de um maior investimento público para aprofundar os programas sociais.

«Pela primeira vez desde 1989, quando as eleições voltaram a ser diretas, os sete partidos do campo progressista uniram-se em torno do mesmo nome numa eleição presidencial, logo na primeira volta», salientou o PT nessa ocasião.

Para além do PT, do PCdoB e do PV, que fazem parte da Federação Brasileira da Esperança, o PSOL, a Rede, o PSB e o PDT constituem a base de apoio à campanha para o quarto mandato do único brasileiro eleito três vezes por voto popular, tendo governado nos mandatos de 2003-2007, 2007-2011 e desde 2023.

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