Artigos de OpiniãoPaulo Da Silva

Venezuela: A Miséria de Transformar Cadáveres em Arma Política

Quando a terra treme na Venezuela, não são apenas os edifícios que caem. É a humanidade que se revela – ou a sua ausência. Enquanto o povo venezuelano cavava os escombros com as próprias mãos em busca de sobreviventes, a imprensa portuguesa, como um bando de chacais, lançava-se sobre a tragédia. Não para informar, não para consolar, não para ajudar. Para filmar, julgar e condenar. Para transformar cadáveres em arma política e o sofrimento humano em combustível para a sua narrativa anti-chavista.

Mas há outra história, camarada. Uma história que a imprensa portuguesa se recusa a contar. A história de um governo que, mesmo sob fogo cerrado, coordenou o maior esforço de resgate da história recente da América Latina. A história de 27 países que enviaram ajuda – incluindo os EUA, que tiveram de suspender as sanções para que a ajuda chegasse. E, acima de tudo, a história de Cuba – pequena, sitiada, heroica – que enviou os seus melhores médicos e resgatistas para salvar vidas, mesmo quando o mundo assistia em silêncio.

Este artigo é sobre essa história. Sobre os que salvam e os que acusam. Sobre a humanidade que emerge dos escombros e a miséria que se esconde nos estúdios de televisão. Sobre a verdade que a imprensa portuguesa insiste em enterrar.

Porque, camarada, enquanto uns escrevem, outros salvam. E nós sabemos de que lado estamos.

A 24 de junho de 2026, a terra tremeu na Venezuela. Dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5, com apenas 39 segundos de diferença, devastaram o centro-norte do país. O balanço, até ao momento, é de quase 1.800 mortos e mais de 5.000 feridos. Milhares de famílias perderam tudo. A ONU estima que 8,6 milhões de pessoas foram afectadas.

É neste cenário de dor e luta pela vida que a imprensa portuguesa, como um bando de chacais, se lança sobre os escombros. Não para ajudar. Não para informar. Para filmar, julgar e condenar.

A farsa do jornalismo português

Enquanto os venezuelanos cavavam os escombros com as mãos em busca de sobreviventes, os “jornais de referência” em Portugal faziam o que sabem fazer melhor: transformar uma tragédia natural numa arma política contra o chavismo.

Observador inventou que 146 deportados dos EUA estavam “detidos” num hotel em La Guaira. Não estavam. Estavam em processo de registo e observação médica após uma deportação forçada dos EUA, prontos para reencontrar as suas famílias no dia seguinte. O jornal transformou um procedimento humanitário numa mentira sobre “confinamento”.

Expresso e SIC deram palco a “especialistas” que dizem que o sismo “resulta da acção ou inacção de pessoas e governantes”. A imprensa portuguesa, com a sua sabedoria de gabinete, culpa o governo venezuelano por uma falha tectónica. Pergunto: algum país do mundo está preparado para dois sismos de magnitude superior a 7 em menos de um minuto? Quando a terra tremeu em Lisboa, em 1755, culparam o rei? Quando treme no Japão, culpam o governo?

RTP foca-se nos 50 mil desaparecidos, insinuando que o governo está a impedir o acesso de voluntários. O que omite? Que o acesso é restrito por razões de segurança e coordenação – e que o governo resgatou dezenas de pessoas com vida nos primeiros dias.

Nenhum destes meios – nem o Público, nem a SIC, nem a CNN Portugal – pergunta: quantos hospitais poderiam ter sido construídos com os 226 mil milhões de dólares que as sanções dos EUA custaram à Venezuela?

Porque essa pergunta não serve a narrativa. Porque essa pergunta aponta o dedo ao verdadeiro culpado da fragilidade do país.

O que a “imprensa” não mostra: A resposta do governo

Enquanto os “jornais” portugueses vomitam acusações, à presidente encarregada Delcy Rodríguez. A presidente encarregada coordenou a instalação de acampamentos temporários estáveis e dignos. Mobilizou 25.000 resgatistas venezuelanos. Enfrentou as críticas, a pressão – e continuou a trabalhar.

A imprensa portuguesa chama-lhe “falta de legitimidade democrática”. Eu pergunto: que legitimidade tem essa “imprensa” para julgar uma mulher que, no meio do caos, lidera o maior esforço de resgate da história recente da América Latina?

A solidariedade internacional que usam como arma

A imprensa portuguesa noticia a ajuda internacional. Não a esconde. Mas a forma como a noticia é venenosa.

Falam das toneladas de alimentos, das equipas de resgate, dos milhões em donativos – e fazem-no como se isso fosse a prova do colapso do governo venezuelano. Como se a Venezuela fosse um país falido que precisa da caridade do mundo para sobreviver. Como se a ajuda humanitária fosse uma condenação do chavismo, e não uma resposta solidária a uma tragédia natural.

O que eles nunca dizem é que essa ajuda só é necessária porque o país foi sangrado durante anos por sanções criminosas. O que eles nunca perguntam é: quantos hospitais poderiam ter sido construídos, quantos equipamentos de resgate poderiam ter sido comprados, com os 226 mil milhões de dólares que as sanções dos EUA custaram à Venezuela?

Não perguntam. Não lhes convém.

Porque a verdade é incómoda: a Venezuela respondeu à catástrofe com organização e eficácia. A presidente encarregada, Delcy Rodríguez, coordenou o maior esforço de resgate da história recente da América Latina: 25.000 resgatistas venezuelanos no terreno, 30 países a enviar equipas, 1.700 toneladas de ajuda a chegar.

Mas a imprensa portuguesa não mostra isso. Mostra a ajuda, sim – mas para a usar como combustível para a narrativa do “Estado falido”. É a velha táctica: usar a solidariedade do mundo para culpar a vítima.

Enquanto isso, o povo venezuelano continua a resistir. E a imprensa portuguesa continua a fazer o seu trabalho sujo – transformando a tragédia em arma política, a ajuda em acusação, e os mortos em manchete.

Cuba: A lição de humanidade

E depois há Cuba. Um país que sofre o bloqueio mais longo e cruel da história – e que, mesmo assim, partilha o pouco que tem.

Mal a terra tremeu, os médicos cubanos que já estavam na Venezuela saíram para as ruas. Não esperaram. Não perguntaram. Foram.

Trabalharam toda a noite e madrugada. Atenderam os feridos, confortaram os desesperados, salvaram vidas. O embaixador de Cuba em Caracas e o chefe da Missão Médica percorreram os centros de saúde para garantir que os seus compatriotas estavam a dar o melhor de si.

Pacientes venezuelanos reconhecem: “Os médicos cubanos são uma maravilha”. Não são palavras vazias. São o testemunho de quem foi salvo por mãos que, mesmo vindas de um país sitiado, se estenderam para ajudar.

Este é o verdadeiro internacionalismo. Não discursos vazios. Não artigos de opinião. AcçãoMãos nos escombrosVidas salvas.

Conclusão: O lado certo da história

Camarada, a diferença entre a “imprensa” portuguesa e os médicos cubanos é a diferença entre a propaganda e a humanidade.

Enquanto os primeiros especulam sobre “legitimidade democrática” e culpam o governo por uma falha tectónica, os segundos estão nos escombros, a salvar vidas.

Enquanto os primeiros transformam cadáveres em arma política, os segundos transformam o seu conhecimento em esperança.

A imprensa portuguesa fala de “caos” e “colapso”. Eu vejo um povo que resiste, um governo que coordena e um mundo que ajuda.

E vejo Cuba – pequena, sitiada, heroica – a dar uma lição de humanidade a todos os “jornais” que se dizem jornalistas.

A Venezuela salva. A imprensa portuguesa acusa. O povo venezuelano resiste.

E nós, camarada, sabemos de que lado estamos.

A ti, povo da Venezuela

E agora, camarada, quero dirigir-me a ti. A ti, povo da Venezuela, que há dias enfrentas a terra a tremer, o pó a subir, o silêncio dos que partiram e o grito dos que ainda procuram. A ti, que cavas os escombros com as mãos, que esperas por notícias de um ente querido, que partilhas o pouco que tens com o vizinho que perdeu tudo.

Não te deixes enganar pelas manchetes que te pintam como vítima de um “regime” ou como números de uma tragédia. Tu és mais do que isso. Tu és a mulher que, mesmo sob o caos, organiza a cozinha comunitária. Tu és o jovem que, mesmo exausto, continua a cavar à procura de vida. Tu és o avô que, mesmo tendo perdido a casa, encontra forças para sorrir e dizer: “Vamos recomeçar”.

A imprensa portuguesa fala de “fragilidade” e “colapso”. Mas eu vejo outra coisa. Vejo um povo que resiste, que se organiza, que se abraça. Vejo a solidariedade que brota dos escombros – mais forte do que o sismo, mais persistente do que o bloqueio, mais humana do que a propaganda.

Por isso, desta margem do Atlântico, com a mesma raiva que sentes contra a injustiça e a mesma fé na humanidade, digo-te:

Não estás só.

O povo português está contigo – com os seus médicos, os seus resgatistas, a sua história de solidariedade. O mundo está contigo – com as suas equipas de resgate, a sua ajuda humanitária, o seu reconhecimento da tua luta. E eu estou contigo – com a minha escrita, a minha denúncia, a minha certeza de que a verdade é mais forte que a mentira.

Quando a terra tremeu, não tremeu apenas o chão. Tremeu a hipocrisia. Tremeu a máscara de quem, do conforto dos estúdios, julga um povo que nunca se rendeu.

E tu, povo da Venezuela, continuas de pé.

Porque a tua história não é feita de escombros. É feita de resistência. É feita de abraços. É feita de certezas.

Amanhã, recomeças. E eu estarei aqui, como sempre estive, ao teu lado.

Pátria ou Morte, Venceremos! 

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Paulo Jorge da Silva | Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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