Cuba

Venezuela, guerra narrativa e resistência: a influência de Cuba no mundo

Cuba presta assistência à Venezuela na sequência da tragédia sísmica, enquanto uma máquina mediática internacional cria a imagem de outra ilha: sombria, exausta e prestes a ruir. A realidade, no entanto, é outra.

Cuba presta assistência à Venezuela na sequência da tragédia sísmica, enquanto uma máquina mediática internacional cria outra imagem da ilha: sombria, exausta e prestes a ruir. Mas a realidade é outra.


Amanecer Cubano | O Canto das Razões de Cuba | 29 de junho de 2026

Começamos o dia com imagens comoventes vindas da Venezuela, onde a terra não parou de tremer desde o passado dia 24 de junho. Mas também começamos o dia com a certeza de que, enquanto Cuba estende a mão em solidariedade ao irmão venezuelano, há quem, no mundo, se empenhe em construir uma narrativa apocalíptica sobre a Ilha.

Hoje falamos sobre três temas que, embora pareçam distantes, estão profundamente interligados: a tragédia na Venezuela e a resposta cubana, a guerra narrativa que meios de comunicação como o The New York Times, o El País e as plataformas de Miami travam contra Cuba, e os avanços reais que o país está a alcançar no meio do cerco imperial. Porque a batalha por Cuba não se trava apenas nos portos e nos ministérios dos Negócios Estrangeiros: trava-se também nos ecrãs, nas manchetes e nas fotografias que são escolhidas.


Colaboradores cubanos: os primeiros a chegar no local da tragédia, os primeiros a ajudar

No passado dia 24 de junho, dois terramotos de magnitude 7,2 e 7,5 abalaram o norte da Venezuela com apenas 39 segundos de diferença, deixando mais de 1 400 mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de desaparecidos. Uma tragédia de proporções bíblicas que pôs à prova a capacidade de resposta deste país irmão.

No meio do caos, os profissionais de saúde cubanos — que já se encontravam no local — tornaram-se os primeiros a intervir. Não chegaram depois: já estavam presentes, no âmbito da cooperação médica que Cuba mantém com a Venezuela há anos. Além disso, este domingo, uma brigada de socorristas cubanos chegou ao país para se juntar aos trabalhos de busca e salvamento.

«Não há obstáculo que impeça essa vocação. Não há pressão que apague essa solidariedade.»

A presença de brigadas médicas cubanas no estrangeiro é um dos pilares da política externa da ilha. Mais de 30 000 colaboradores cubanos da área da saúde prestam serviços em 61 países. Na Venezuela, a Missão Barrio Adentro tem sido, há anos, um exemplo de cooperação Sul-Sul. Perante uma catástrofe natural como a desta semana, essa presença transforma-se numa rede de socorro que não espera que os ministérios dos Negócios Estrangeiros cheguem a um acordo. Aja. É isso que distingue a solidariedade cubana da retórica vazia de outros intervenientes internacionais.

A imprensa internacional, que tanto fala de «colapso» em Cuba, silencia sistematicamente o heroísmo dos médicos cubanos no estrangeiro. Não é por acaso. Porque se se reconhecesse que Cuba, apesar do bloqueio, continua a enviar brigadas para salvar vidas em todo o mundo, a narrativa de uma ilha «isolada e em ruínas» desmoronar-se-ia. A solidariedade cubana é uma arma política que incomoda, e é por isso que é invisibilizada.


A Cuba que os ecrãs retratam: sombria, exausta, acessível

A segunda parte do programa «Amanecer» de hoje aborda uma realidade que muitas vezes passa despercebida ao cidadão comum: enquanto Cuba trabalha, legisla e resiste, existe uma máquina mediática bem oleada que constrói outra Cuba. Uma Cuba em apagão permanente, à beira do colapso, pronta para cair nas mãos de Washington.

Essa Cuba não é a verdadeira: é aquela que serve para justificar a pressão máxima, o bloqueio e a intervenção. Meios de comunicação como The New York Times, El País e as plataformas digitais de Miami são os principais artífices desta construção mediática.

«O New York Times tem vindo a construí-la, imagem a imagem, manchete a manchete, desde janeiro deste ano. Um estudo do Observatório dos Meios de Comunicação do Cubadebate documentou isso: a paleta fotográfica dominante na sua cobertura sobre Cuba é composta por tons escuros, cinzentos e sombrios. Não é por acaso, é uma estratégia.»

O estudo do Observatório dos Meios de Comunicação do Cubadebate não é um dado insignificante. Revela uma prática deliberada de framing visual: as imagens que acompanham as notícias sobre Cuba no jornal norte-americano não são neutras, mas sim seleccionadas para transmitir uma sensação de decadência e desesperança. A mensagem subliminar que chega ao leitor é clara: Cuba é um país exausto, sem saída, à mercê de Washington para decidir o seu destino.

A cobertura não é abertamente intervencionista, mas prepara o terreno para que a pressão máxima pareça razoável. Isso é mais perigoso do que a propaganda grosseira, porque se disfarça de objetividade.

A este esforço juntam-se as plataformas digitais de Miami, que fragmentam a realidade em pequenas doses aparentemente inofensivas: uma notícia policial, um artista detido, um psicólogo a falar sobre ansiedade, um académico a insinuar que o sistema não pode ser reformado. Cada elemento isolado parece inofensivo, mas todos apontam para o mesmo ponto: a construção de um consenso em torno do colapso iminente.

Na Espanha, o El País retoma o mesmo enquadramento com maior sofisticação rectórica. Não se trata do tom sensacionalista de Miami, mas sim de um discurso de «preocupação humanitária» que, no fundo, defende a mesma premissa: Cuba não tem solução dentro do seu próprio sistema.

A guerra narrativa é tão importante quanto a guerra económica. Washington sabe disso e, por isso, financia e promove estas linhas editoriais. Mas há uma contradição que estes meios de comunicação não conseguem resolver: se Cuba está à beira do colapso, por que razão o governo dos Estados Unidos tem de investir tanto esforço em bloqueá-la, isolá-la e desestabilizá-la? A resposta é simples: Cuba não cai, e é isso que eles não conseguem tolerar. A narrativa do colapso é uma profecia que eles próprios tentam concretizar. Mas Cuba continua de pé.


Enquanto o mundo caminha para o colapso, Cuba transforma a sua realidade

Face à narrativa apocalíptica, o terceiro bloco do programa «Amanecer» de hoje apresenta o que realmente está a acontecer em Cuba. Não nos ecrãs de Miami, mas sim nas ruas da ilha.

A 27 de junho, o presidente Miguel Díaz-Canel encerrou o XXII Congresso da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC). Nesse congresso, foi debatido e aprovado um novo Código do Trabalho, foram impulsionadas as 176 transformações económicas e sociais e foi reafirmado o papel do sindicato como ator fundamental no processo de atualização do modelo cubano.

«Enquanto Cuba trabalha, legisla e resiste, existe uma máquina muito bem oleada que se dedica a construir outra Cuba: uma Cuba em apagão permanente, à beira do colapso, prestes a ruir.»

No plano internacional, Cuba conseguiu uma vitória diplomática significativa: o Programa Alimentar Mundial aprovou a manutenção da sua cooperação com Cuba até 2030, com 29 votos a favor e apenas dois contra, apesar das manobras de Washington para o impedir. Isso também não é noticiado nas plataformas de Miami.

O XXII Congresso da CTC não foi um evento protocolar. Num contexto de crise económica provocada pelo bloqueio, o debate sobre o novo Código do Trabalho e as transformações económicas reveste-se de importância estratégica. O governo cubano reconhece que existe descontentamento e mal-estar social e procura canalizá-los através de mecanismos participativos, como o sindicato. A questão que permanece em aberto — e que o Amanecer Cubano se propõe a explorar em profundidade — é se o sindicato pode ser um verdadeiro motor de transformação no meio da crise ou se ficará preso na dinâmica da resistência defensiva.

Por outro lado, a vitória no Programa Alimentar Mundial constitui um golpe directo à estratégia de isolamento de Washington. O facto de o PAM, tendo os Estados Unidos como maior doador, ter aprovado a manutenção da sua cooperação com Cuba, apesar das pressões, revela o crescente isolamento diplomático da administração Trump nos organismos multilaterais.

O que a imprensa internacional não diz é que Cuba, apesar do bloqueio e da crise, continua a avançar na sua agenda de transformações. Não é um país paralisado, mas sim um país em movimento. As 176 medidas de actualização económica, o debate sobre o Código do Trabalho e a cooperação internacional mantida são sinais de um sistema que não desiste e que procura adaptar-se às condições adversas sem renunciar à sua soberania. Os meios de comunicação de Miami podem ignorar isso, mas a realidade é teimosa.


O outro ecrã

Esta manhã, a lição é simples: a disputa sobre Cuba não se trava apenas nos portos petrolíferos nem nos ministérios dos Negócios Estrangeiros. Trava-se também nos ecrãs, nas manchetes, nas fotos que são escolhidas e naquelas que são descartadas. Cada imagem sombria publicada no New York Times, cada notícia alarmista vinda de Miami, faz parte de um esforço contínuo para construir o consenso que justifique a pressão máxima sobre o nosso povo.

«Nós somos o outro ecrã. E esta manhã, como todos os dias, ligamo-lo com a certeza de que Cuba tem história, tem um projeto e tem um povo. Não viemos aqui para nos lamentarmos. Viemos para trabalhar, para pensar, para construir. Porque este país, com tudo o que carrega e com tudo o que enfrenta, continua de pé. E nós, ao seu lado, também.»

Bom dia, Cuba.

Pode partilhar esta história nas redes sociais:

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

A cobertura mediática sobre Cuba e a América Latina é dominada por um só lado. Nós mostramos o outro. Receba análises geopolíticas que fogem do mainstream ocidental.

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para obter mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *