O governo de Milei reduz os subsídios ao gás às vésperas do inverno
A reforma do regime da Zona Fria promovida pela Casa Rosada privará mais de 1,6 milhões de utilizadores do apoio tarifário.
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou um projecto de lei apresentado pelo governo de Javier Milei que reduz drasticamente o regime de subsídios energéticos denominado «Zona Fria». O corte proposto pelo governo contou com o apoio parlamentar do partido La Libertad Avanza e dos seus aliados políticos da direita tradicional.
A eliminação destas subvenções estatais responde directamente às medidas de ajustamento orçamental impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como condição para a concessão de empréstimos. Caso seja aprovada após o próximo debate no Senado, a medida aumentará significativamente as tarifas de consumo de gás para as famílias de classes trabalhadoras.
❄️ LA ZONA FRÍA NO SE TOCA ❄️
— Ana Marks (@AnaMarksLC) May 21, 2026
En la Patagonia, productora de energía, no podemos permitir otro tarifazo que golpee a quienes necesitan calefaccionarse para vivir.
Defender la Ley de Zona Fría es defender a millones de familias argentinas frente al aumento desmedido de las… pic.twitter.com/tgZlukBZa1
A nova regulamentação reduz o alcance geográfico dos descontos nas tarifas, deixando sem protecção económica as famílias de províncias altamente povoadas, como Buenos Aires, Córdoba, Santa Fé e Mendoza. As restrições governamentais estabelecem que o benefício só se manterá nas regiões da Patagónia, Malargüe e da Puna, sob critérios rigorosos de vulnerabilidade.
Vários observatórios de serviços públicos alertaram que a reestruturação do regime terá um impacto directo nos grandes centros urbanos do interior produtivo, precisamente quando o inverno austral começa a intensificar-se. Os porta-vozes provinciais denunciaram que a autoridade central volta a transferir arbitrariamente os custos da crise para as famílias e as indústrias.
Por seu lado, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, classificou partes da reforma económica promovida pela Casa Rosada como flagrantemente ilegais. O líder da oposição exortou a Câmara Alta a rejeitar o projecto de lei e adiantou que recorrerá aos tribunais para travar o impacto da «motosserra fiscal».
Cuando pensábamos que había llegado al límite de crueldad, el Gobierno nacional vuelve a castigar al pueblo, esta vez con la modificación del régimen de Zona Fría. Un proyecto que descarga aun más sobre la gente el peso de un ajuste que cada día está más lejos de ser para la… pic.twitter.com/ac23SpSPxf
— Axel Kicillof (@Kicillofok) May 21, 2026
A Secretaria Nacional de Energia defendeu a medida, argumentando que o apoio será reestruturado através de um Subsídio Energético Focalizado para aqueles que preencham os requisitos. No entanto, os sectores comerciais das províncias periféricas lamentaram que a riqueza gerada pelo interior não se traduza em investimento social para o povo argentino.
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