
Cepeda aceita os resultados das eleições na Colômbia e denuncia as práticas políticas desleais da direita
O candidato do progressismo afirmou que aceitar o resultado eleitoral não significa renunciar à verdade nem ficar em silêncio perante factos graves como a ingerência da Administração Trump.
O candidato do Pacto Histórico à Presidência da Colômbia, Iván Cepeda, anunciou esta quarta-feira que aceita os resultados das eleições presidenciais, que designam o candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella como novo presidente, apesar de um padrão de fraude baseado em numerosas irregularidades, e denunciou a ingerência de actores externos nas eleições e o recurso a uma campanha suja para desacreditar a esquerda.
Durante um discurso à nação, Cepeda afirmou que aceitar o resultado eleitoral não significa renunciar à verdade nem ficar em silêncio perante factos graves, e sublinhou que a sua decisão visa contribuir para a «convivência, a paz e o diálogo», bem como respeitar a democracia.
Denunciamos a ingerência aberta e indevida nos assuntos internos da Colômbia —afirmou o candidato do progressismo—, em particular por parte do presidente Donald Trump a favor do candidato De la Espriella, campanha que envolveu uma compra massiva de votos e estratégias de manipulação. Sublinhou que essas práticas põem em causa a legitimidade do futuro Governo.
#ÚLTIMOMINUTO | El candidato colombiano agradeció a los miles de testigos, abogados y observadores del Pacto Histórico y la Alianza por su labor en la seguridad electoral. pic.twitter.com/hKAyEllNtZ
— teleSUR TV (@teleSURtv) June 24, 2026
Após uma disputa eleitoral decidida por uma diferença inferior a um por cento, Cepeda classificou a sua declaração como um acto de responsabilidade democrática destinado a preservar a convivência e a paz nacionais, ao mesmo tempo que destacou que os 12 700 000 votos obtidos pelo Pacto Histórico e pela Aliança pela Vida representam o resultado eleitoral mais elevado alcançado pelos sectores populares e progressistas na história republicana do país.
Somos uma força política, social e cultural presente em todos os cantos do país, acrescentou Cepeda, que sublinhou que a política deve ser um exercício de dignidade e coerência, ao mesmo tempo que rejeitou veementemente que se acuse o eleitorado do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida de ter ligações com o «voto forçado» , o que visaria negar a articulação popular baseada na consciência histórica e na memória eleitoral.
Apesar de ter aceitado o veredicto institucional, o líder de esquerda rejeitou veementemente a estigmatização do seu eleitorado e defendeu a transparência da sua proposta política, que se recusou a fazer concessões mercantis ou pactos sem escrúpulos.
Denunciou as campanhas de desinformação, as ameaças e os espetáculos políticos promovidos por setores da direita que carecem de propostas concretas para o bem-estar colectivo, salientando que a perda de privilégios gera medo nesses grupos, que tentam travar os avanços em matéria de justiça social, erradicação da fome e dignificação da infância e da adolescência.
O ex-candidato anunciou que as forças progressistas exercerão uma oposição democrática, vigilante e inabalável a partir das ruas e dos territórios, para garantir que o novo Governo não introduza retrocessos em matéria de direitos humanos e liberdades públicas.
Advertiu a futura administração de que as maiorias sociais não permitirão o desmantelamento das conquistas populares alcançadas no último quadriénio, tais como a reforma agrária, as pensões para idosos, o salário mínimo vital e a matricula gratuita no ensino superior. Além disso, confirmou que irá empreender uma nova digressão nacional para consolidar uma grande aliança pela vida e defender a soberania do país face a qualquer modelo de subjugação autoritária ou pilhagem dos recursos naturais.
Cepeda salientou que a actual gestão governamental não pertence a um pequeno grupo de elites, mas constitui uma ferramenta de construção democrática a partir da base, estreitamente articulada com o movimento camponês, as mulheres, os jovens e as diversas identidades territoriais do país.
Além disso, reafirmou o compromisso inabalável de acompanhar os processos de consciencialização, mobilização e articulação dos movimentos populares nas ruas para proteger a soberania nacional face às tentativas de desestabilização. Cepeda concluiu que o Governo continuará a construir uma grande aliança pela vida, pela paz e pela democracia através do diálogo direto com a sociedade e do respeito absoluto pela diversidade, impedindo a pilhagem da riqueza coletiva e a depredação da natureza, a fim de consolidar uma maioria autêntica em cada território da Colômbia.
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