
Milei intensifica o ataque aos Parques Nacionais e às áreas protegidas
As organizações e os trabalhadores do sector salientam que uma menor presença do Estado poderá comprometer tarefas fundamentais, como a prevenção de incêndios, o controlo de actividades ilegais e a protecção da biodiversidade.
O Governo de Javier Milei avança com uma nova fase de cortes na Administração de Parques Nacionais (APN), com medidas que incluem saídas voluntárias de trabalhadores, redução de efectivos e alterações na gestão das áreas protegidas. A decisão suscitou críticas por parte de organizações sindicais e ambientais, que alertam para o impacto na preservação das áreas naturais.
Uma das medidas que suscita maior controvérsia é a privatização de um dos sectores comerciais mais importantes do Parque Nacional do Iguaçu, uma das áreas naturais mais importantes do país e reconhecida internacionalmente pelas suas Cataratas.
🚨Justicia argentina frena la privatización de la empresa de agua AYSA. Un juez dictó cautelar por perjuicios ambientales y acceso al agua. Revés para el gobierno de #Milei.#teleSUR #Argentina #Privatización #AYSA #SurGlobal pic.twitter.com/VyWghnwxfK
— teleSUR TV (@teleSURtv) June 17, 2026
De acordo com as críticas, isto dá continuidade ao plano que teve início com a desregulamentação dos requisitos para se ser guia turístico, a prorrogação da exploração de serviços turísticos e a ameaça de despedimento de 400 trabalhadores.
Agora, o Governo de Javier Milei «oferece» aos guardas florestais a possibilidade de se demitirem e/ou aderirem a um plano de reformas voluntárias lançado com o objectivo de reduzir em pelo menos 20 por cento o total do quadro de pessoal.
LEIA TAMBÉM:
O desemprego na Argentina durante o primeiro trimestre de 2026 aproxima-se do nível de 2001
A percentagem de despedimentos foi divulgada no início deste ano, quando em plena época de incêndios florestais na Patagónia, o Governo confirmou os cortes no Plano Nacional de Gestão de Incêndios, responsável pela protecção dessas zonas.
A Resolução n.º 191/2026 foi publicada esta terça-feira no Jornal Oficial, através da qual o Poder Executivo dá início à implementação do Sistema de Reformas Voluntárias com o mero argumento de «reduzir» as despesas.
O seu argumento baseia-se no facto de a Casa Rosada «promover uma política de desregulamentação económica e de reforma do Estado» que está «orientada para a simplificação e redução do Estado». Com as saídas, acrescenta, procurará-se «um nível adequado e racional de efectivos».
🚨 Argentina privatiza su hidrovía principal por 25 años
— teleSUR TV (@teleSURtv) June 20, 2026
🔴 El gobierno de Milei entregó la Vía Navegable Troncal al consorcio belga Jan De Nul. Esta ruta, crucial para el 80% del comercio exterior, ahora será operada por una empresa extranjera.
¿Qué implicaciones tiene esta…
Paralelamente, oficializou a concessão e exploração comercial de uma das áreas do Parque Nacional de Iguazú que se encontravam em desuso. Trata-se de um sector adjacente ao rio Iguazú que dá acesso à Garganta do Diabo, o epicentro turístico do passeio às Cataratas.
De acordo com a Resolução n.º 193/2026 emitida pela Administração dos Parques Nacionais (APN), a concessão foi atribuída à empresa La Gran Aventura Náutica SRL, que já prestava serviços de excursões na zona. O que a APN fez foi alargar a delimitação geográfica da exploração, autorizar a realização de obras e contornar os controlos ambientais.
Mais restrições nas áreas protegidas
O Governo reduziu em 3 879 milhões de pesos (mais de 2,7 milhões de dólares) o orçamento da Administração dos Parques Nacionais, afectando o funcionamento quotidiano e a preservação de 46 áreas naturais protegidas.
Um dos casos que mais preocupação suscitou e continua a suscitar é o do Parque Nacional Los Alerces, situado na província de Chubut e declarado Património Mundial pela UNESCO. A área protegida foi uma das mais afectadas pelos incêndios florestais deste ano, onde os bombeiros florestais e o pessoal ambiental trabalharam durante semanas em condições precárias para conter o fogo.
Pode partilhar esta história nas redes sociais:
Fonte:


