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A polícia argentina reprime protesto de trabalhadores do CONICET contra os despedimentos

«O CONICET está a atravessar um dos seus piores momentos. Já temos menos 3 000 investigadores em todo o país. A produção científica e tecnológica pública está verdadeiramente em crise», denunciaram os manifestantes.

Mais um dia de protestos dos trabalhadores do Conselho Nacional de Investigação Científica e Técnica (CONICET) da Argentina terminou esta quarta-feira com uma intervenção violenta da Polícia da Cidade de Buenos Aires, no âmbito de um plano de luta nacional contra o ajuste do Governo de Javier Milei ao sistema científico argentino e o despedimento de mais de 400 bolseiros e bolseiras.

A jornada de protesto federal decorreu em várias sedes do organismo em todo o país. Na sede de Buenos Aires, efectivos da Guarda de Infantaria reprimiram os manifestantes que marchavam em defesa dos seus postos de trabalho, no momento em que a assembleia de trabalhadores decidiu bloquear a avenida Santa Fe, na Capital Federal.

De acordo com a Comissão Interna da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) no CONICET Capital, citada pelo jornal Tiempo Argentino, as forças de segurança avançaram sobre os manifestantes com escudos e empurrões, houve pessoas que foram derrubadas ao chão e uma trabalhadora foi agredida durante a operação, que foi qualificada como «violenta e desproporcionada».

«A Guarda de Infantaria da Câmara Municipal avançou contra nós, reprimindo-nos, agredindo-nos e afastando-nos com escudos. O Governo quer silenciar a luta dos trabalhadores do CONICET, mas vamos continuar em frente», denunciou o secretário-geral adjunto da ATE-CONICET Capital, Gonzalo Sanz Cerbino.

O dirigente sindical explicou que as reivindicações incluem a reajustamento salarial, o reinício dos concursos para o Pessoal de Apoio à Investigação (CPA) que foram suspensos, o restabelecimento da cobertura médica e assistencial e a continuidade laboral dos 375 bolseiros e bolseiras que ficarão sem emprego este mês.

O protesto insere-se numa série de acções que o pessoal do CONICET vem realizando há semanas para denunciar o que consideram um processo de esvaziamento do principal organismo de ciência e tecnologia da Argentina.

«O CONICET está a atravessar um dos seus piores momentos. Já temos menos 3000 investigadores em todo o país. A produção científica e tecnológica pública está verdadeiramente em crise», denunciaram os manifestantes.

À perda de postos de trabalho junta-se a preocupação de centenas de investigadores e investigadoras pós-doutorados que aguardam a sua integração na Carreira de Investigador Científico e que podem ficar sem continuidade laboral, para além do desmantelamento do plano de saúde «Unión Personal», que oferece cobertura aos bolseiros do organismo.

A repressão desta quarta-feira ocorre num contexto de ajustes contínuos ao sistema científico sob a gestão do presidente Javier Milei, o que, nos últimos meses, tem gerado sucessivas jornadas de protesto e mobilizações de trabalhadores, investigadores e estudantes em defesa da ciência pública argentina.

Neste contexto, a Comissão Nacional de Energia Atómica (CNEA) da Argentina também está a atravessar uma onda de despedimentos, depois de as autoridades do organismo terem decidido não renovar 62 contratos de trabalho, embora os sindicatos do setor estimem que o número real de trabalhadores e trabalhadoras afectados ultrapasse a centena.

Para o investigador Rodolfo Kempf, a medida representa «mais um passo no desmantelamento, entrega e esvaziamento do sector nuclear  para o entregar a empresas estrangeiras norte-americanas»

Perante esta situação, os funcionários dos diversos centros nucleares do país convocaram uma marcha para esta quarta-feira com destino à sede central da entidade, em protesto contra os despedimentos e em defesa da soberania nuclear.

A CNEA é o organismo estatal responsável pela investigação e desenvolvimento da tecnologia nuclear na Argentina, uma área estratégica na qual o país tem sido historicamente reconhecido como potência regional.

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