
A polícia argentina reprime protesto de trabalhadores do CONICET contra os despedimentos
«O CONICET está a atravessar um dos seus piores momentos. Já temos menos 3 000 investigadores em todo o país. A produção científica e tecnológica pública está verdadeiramente em crise», denunciaram os manifestantes.
Mais um dia de protestos dos trabalhadores do Conselho Nacional de Investigação Científica e Técnica (CONICET) da Argentina terminou esta quarta-feira com uma intervenção violenta da Polícia da Cidade de Buenos Aires, no âmbito de um plano de luta nacional contra o ajuste do Governo de Javier Milei ao sistema científico argentino e o despedimento de mais de 400 bolseiros e bolseiras.
A jornada de protesto federal decorreu em várias sedes do organismo em todo o país. Na sede de Buenos Aires, efectivos da Guarda de Infantaria reprimiram os manifestantes que marchavam em defesa dos seus postos de trabalho, no momento em que a assembleia de trabalhadores decidiu bloquear a avenida Santa Fe, na Capital Federal.
De acordo com a Comissão Interna da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) no CONICET Capital, citada pelo jornal Tiempo Argentino, as forças de segurança avançaram sobre os manifestantes com escudos e empurrões, houve pessoas que foram derrubadas ao chão e uma trabalhadora foi agredida durante a operação, que foi qualificada como «violenta e desproporcionada».
#hoy desarrollamos una masiva concentración en el Polo Científico en reclamo de las prórrogas para lxs casi 400 becarixs que se postularon a la Carrera del Investigador y cuyas becas finalizan el 31 de julio. pic.twitter.com/ae71bcJk3m
— ATE CONICET Capital (@ateconicet) July 1, 2026
«A Guarda de Infantaria da Câmara Municipal avançou contra nós, reprimindo-nos, agredindo-nos e afastando-nos com escudos. O Governo quer silenciar a luta dos trabalhadores do CONICET, mas vamos continuar em frente», denunciou o secretário-geral adjunto da ATE-CONICET Capital, Gonzalo Sanz Cerbino.
O dirigente sindical explicou que as reivindicações incluem a reajustamento salarial, o reinício dos concursos para o Pessoal de Apoio à Investigação (CPA) que foram suspensos, o restabelecimento da cobertura médica e assistencial e a continuidade laboral dos 375 bolseiros e bolseiras que ficarão sem emprego este mês.
O protesto insere-se numa série de acções que o pessoal do CONICET vem realizando há semanas para denunciar o que consideram um processo de esvaziamento do principal organismo de ciência e tecnologia da Argentina.
«O CONICET está a atravessar um dos seus piores momentos. Já temos menos 3000 investigadores em todo o país. A produção científica e tecnológica pública está verdadeiramente em crise», denunciaram os manifestantes.
#Ahora
— Jóvenes Científicxs Precarizadxs - Bs. As. (@JcpBuenosaires) July 1, 2026
Corte en avenida Santa Fe@ateconicet @ingresantescic @CONICETDialoga pic.twitter.com/8zT3njtSEf
À perda de postos de trabalho junta-se a preocupação de centenas de investigadores e investigadoras pós-doutorados que aguardam a sua integração na Carreira de Investigador Científico e que podem ficar sem continuidade laboral, para além do desmantelamento do plano de saúde «Unión Personal», que oferece cobertura aos bolseiros do organismo.
A repressão desta quarta-feira ocorre num contexto de ajustes contínuos ao sistema científico sob a gestão do presidente Javier Milei, o que, nos últimos meses, tem gerado sucessivas jornadas de protesto e mobilizações de trabalhadores, investigadores e estudantes em defesa da ciência pública argentina.
Despedimentos no sector nuclear da Argentina
Neste contexto, a Comissão Nacional de Energia Atómica (CNEA) da Argentina também está a atravessar uma onda de despedimentos, depois de as autoridades do organismo terem decidido não renovar 62 contratos de trabalho, embora os sindicatos do setor estimem que o número real de trabalhadores e trabalhadoras afectados ultrapasse a centena.
Para o investigador Rodolfo Kempf, a medida representa «mais um passo no desmantelamento, entrega e esvaziamento do sector nuclear para o entregar a empresas estrangeiras norte-americanas»
📌 Gobierno de Milei ejecuta despidos masivos en la Comisión de Energía Atómica
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 1, 2026
🔴 El Gobierno argentino de Javier Milei ha ejecutado despidos masivos de profesionales, técnicos y administrativos en la Comisión Nacional de Energía Atómica (CNEA) de Argentina.… pic.twitter.com/UwicEJRXAQ
Perante esta situação, os funcionários dos diversos centros nucleares do país convocaram uma marcha para esta quarta-feira com destino à sede central da entidade, em protesto contra os despedimentos e em defesa da soberania nuclear.
A CNEA é o organismo estatal responsável pela investigação e desenvolvimento da tecnologia nuclear na Argentina, uma área estratégica na qual o país tem sido historicamente reconhecido como potência regional.
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