
Venezuela: terramotos, pessoas em situação de pobreza e laboratórios mediáticos
Enquanto 147 países demonstraram a sua solidariedade para com a Venezuela e o mundo em geral se solidariza com o drama causado pelos terramotos, outros tentam tirar partido político da situação e manipulam e distorcem a realidade.
O apoio de 147 países, alguns dos quais enviaram brigadas especializadas de socorro, as manifestações de solidariedade do povo da Venezuela para com as vítimas e um clima de unidade nacional para enfrentar a tragédia causada pelas inundações têm sido a tónica predominante na Venezuela desde 24 de junho.
No entanto, as autoridades tiveram de tomar medidas para neutralizar ou denunciar campanhas de desinformação e, inclusive, de mobilização, que procuraram dificultar os trabalhos de busca e salvamento e gerar um clima adverso, aproveitando-se da angústia natural dos familiares das pessoas soterradas sob os escombros ou daqueles que perderam tudo.
Segundo o jornal El Universal, Donald Trump e Marco Rubio terão convencido a política de extrema-direita María Corina Machado a não viajar para a Venezuela, depois de ela ter afirmado publicamente que era preciso aproveitar os terramotos para organizar um grande protesto social.
«O jornalista espanhol Javier García Negre afirmou que María Corina Machado reconheceu numa entrevista recente que «queria aproveitar o drama do terramoto na Venezuela para organizar um grande protesto social contra o governo venezuelano». Numa publicação na sua conta do Instagram, o correspondente na Casa Branca afirmou que Machado insistiu que «deveria ser esta semana, quando há milhares de cadáveres na Venezuela e famílias inteiras de luto e sem casa», informa a publicação.
Os meios de comunicação manipuladores provocaram o colapso das operações de resgate em La Guaira, denunciou a presidente interina da República, Delcy Rodríguez, numa conferência de imprensa internacional, na qual recordou que a primeira coisa que esses sectores fizeram foi incentivar que aquela região, a mais afetada pelo duplo sismo de 24 de junho, ficasse saturada de pessoas para gerar caos.
«A primeira narrativa mediática criada nos laboratórios foi “vão todos para La Guaira”, com o objectivo de causar o caos e impedir os trabalhos de busca e salvamento. Há quem, humanamente e com razão, tenha ido até lá à procura de um familiar, um amigo, um trabalhador; mas os laboratórios mediáticos entraram em acção — tenho de o dizer com responsabilidade, porque os localizámos e determinámos de onde partiram as principais narrativas», revelou.
A partir do Centro de Convenções de La Carlota, no estado de Miranda, a mandatária encarregada da Venezuela salientou que a primeira estratégia lançada por esses sectores foi «vão todos para La Guaira», com o objectivo de «gerar caos e criar obstáculos».
Ao mesmo tempo que circulam mensagens de desinformação, a extrema-direita venezuelana divulga informações que pretendem pressionar o Governo da presidente (E) Delcy Rodríguez, com o objectivo de gerar instabilidade e criar um clima eleitoral no meio dos trabalhos essenciais de resgate e da situação de emergência que o país atravessa.
Luis Quiñonez acaba de decirnos que el presidente Edmundo Gonzalez Urrutia ya no se encuentra en España, y que está muy muy cerca de las tierras venezolanas. #QueridoTrump #GeneraciónIndependencia @chacocma @hacemosguarimba
— Gaston Levar (@GastonLevar) October 7, 2025
Mirá la entrevista completa:https://t.co/iCYc3agBUp pic.twitter.com/T6uZ2lW5zC
🌎 | Edmundo González criticó que el régimen decretara siete días de duelo nacional una semana después de los terremotos. Afirmó que la ayuda llegó tarde, cuestionó la respuesta oficial y pidió verdad y justicia para las víctimas. pic.twitter.com/3sNYGDgiSK
— Visión24 Televisión (@vision24tv) July 1, 2026
Redes sociais e contas oficiais
«Vão todos para La Guaira», «Tsunami», «Atrasos na assistência e na resposta», «Funcionários corruptos, falta de condições de atendimento», são alguns dos slogans que circularam nas redes sociais com o objectivo de gerar caos entre a população e mobilização contra as medidas adoptadas para garantir a ordem, facilitar as operações prioritárias de busca e salvamento e prestar assistência às vítimas.
A EFE verificou e desmentiu a informação que circulava nas redes sociais sobre um tsunami na Venezuela na sequência dos terramotos; o vídeo que mostrava o suposto fenómeno correspondia a um tsunami no Japão, ocorrido em 2011.
«Um vídeo viral que circula nas redes sociais não mostra um tsunami a atingir La Guaira na sequência dos sismos de 7,2 e 7,5 graus ocorridos na Venezuela a 24 de junho de 2026, como afirmam alguns utilizadores nas redes sociais. As imagens correspondem ao histórico maremoto ocorrido no Japão em 2011», referia a publicação da agência internacional.
O relatório esclarecia que «embora inicialmente tenha havido um alerta para um possível tsunami devido aos sismos na Venezuela, os alertas posteriores reavaliaram e descartaram o risco, enquanto nenhuma entidade oficial relatou a catástrofe nem em La Guaira nem nas Caraíbas. Além disso, o vídeo refere-se ao maremoto que atingiu o Japão em 2011″.
Poucas horas após a ocorrência dos dois terramotos, uma das primeiras orientações das autoridades venezuelanas foi a de consultar as informações divulgadas pelas autoridades e pelas contas oficiais, tendo em conta os inúmeros rumores que começaram a circular nas redes sociais.
No Instagram surgiram várias mensagens, acompanhadas de fotografias, de menores que alegadamente tinham ficado sem família e se encontravam sem assistência em alguns campos de acolhimento temporário, solicitando ajuda financeira a depositar em contas pessoais.
Nem toda a informação falsa, imprudente ou alarmista provém dos laboratórios mediáticos, mas acaba por servir os interesses políticos que procuram tirar partido da tragédia humanitária que hoje afecta a Venezuela.
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