Venezuela instala Conselho Nacional para a Soberania e a Paz, secção de Caracas
O Conselho Nacional para a Soberania e Paz tornou-se um espaço de convocação e união de todas as vontades para assumir a defesa ativa da paz e da soberania nacional.
O primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, Pedro Infante, liderou nesta quarta-feira, 1° de outubro, a instalação do Conselho Nacional de Soberania e Paz capítulo Caracas, no “Auditório Dr. Mauricio Ramia”, localizado no Jardim Botânico, o evento contou com a presença de governadores dos 24 estados do país, reitores de universidades públicas e privadas, autoridades científicas, parlamentares e líderes religiosos.
No seu discurso aos presentes, Infante enfatizou que a iniciativa «não tem nada a ver com oportunismo político ou eleitoral», e seu único propósito é defender o “direito sagrado à autodeterminação, independência, soberania” e, fundamentalmente, paz.
O líder denunciou que a Venezuela está sob uma “ameaça certa, real e sistemática” do governo dos EUA, usando como pretexto uma “grande mentira, uma falácia”: a história de acusar o país de ser um narco-Estado para justificar uma possível agressão militar.
Infante passou a negar esta história com argumentos, apontando que a Drug Enforcement Administration relata (DEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a Colômbia é o maior produtor de drogas e os Estados Unidos o maior consumidor, e que apenas cinco por cento do tráfico tenta sair pelo território venezuelano. O primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional sublinhou que a Venezuela tem uma “grande capacidade de combater o tráfico de drogas”, tendo apreendido perto do 60 porcento do que tenta transitar pelo território e descreveu a acusação como um “pretexto” para justificar uma escalada militar.
Segundo o Infante, pesquisas e opiniões mostram isso mais de 95% do povo venezuelano incluindo aqueles que não estão relacionados com o Governo Bolivariano, mas também rejeitam e repudiam qualquer agressão militar de uma potência estrangeira. Ele também afirmou que o país está a prepar-seo activamente para a defesa, embora «ninguém quer guerra».
Infante recordou o apelo do presidente Nicolás Maduro à preparação militar, que incluía o registo voluntário de milhões de homens e mulheres na Milícia Nacional Bolivariana. Nesse sentido, destacou o registo de opositores, comerciantes e pessoas “de a pie” que, sem militares políticos, se uniram para defender a dignidade do país.
LEIA TAMBÉM:
Presidente Maduro: A Venezuela nunca será o quintal de qualquer império supremacista
Nessa linha, o líder apontou que a defesa da pátria transcende qualquer facto partidário ou político e que há muitas maneiras de exercê-lo.
Para ilustrar este ponto, o deputado evocou dois exemplos históricos. Ele lembrou que o santo José Gregorio Hernández, “um homem de serviço social”, foi um dos primeiros a se alistar para defender o país de uma possível invasão estrangeira.
Da mesma forma, ele mencionou o “Mocho” Hernandez, um adversário político do então presidente Cipriano Castro, que no momento de uma ameaça externa lhe disse “diga-me qual é a minha posição de batalha e eu saio para defender a pátria”.
Defender a pátria é manter o país activo
Infante sublinhou que actualmente, a defesa da nação também é exercida através da produção e do trabalho diário. “Manter o país activo, em dinâmica”, é uma obrigação para aqueles que “nos tentam paralisar”, afirmou.
Nesse sentido, afirmou que os agricultores que cultivam a terra, os empresários que produzem e os académicos que garantam o funcionamento das universidades para formar as novas gerações eles também estão a defender a Venezuela.
“A paz é defendida e o direito que o nosso povo tem de viver em tranquilidade, com estabilidade política, com recuperação económica, em busca de prosperidade”, apontou.
O parlamentar relatou um acontecimento recente em que um jovem artista de música urbana, sem afinidade política explícita, usava uma camisa com o lema: “Moro na Venezuela e não quero guerra”, sentimento que, segundo Infante, é partilhado pela grande maioria da população.
Infante relatou que, em resposta “outro artista desprezível” promoveu o assédio nas redes sociais contra o jovem, evidenciando uma posição a favor da guerra no país. O deputado manifestou a sua satisfação pela participação de empresários, académicos e movimentos sociais no Conselho, como sinal da vontade de unidade nacional.
O diplomata afirmou que os exercícios como Independência 200 (para proteger 284 pontos estratégicos), Soberano Caribe 200 (para a fachada marítima), e os exercícios de protecção civil servem também de preparação para um possível ataque.
O Conselho Nacional de Soberania e Paz está a ser instalado nos 24 estados do país para gerar uma instância que transcende a Assembleia Nacional e se torna uma secretaria forte e poderosa, onde todos estão representados.
Neste momento, este Conselho está instalado em mais de 15 estados do território nacional. Estas formarão as suas comissões diplomáticas, jurídicas e de comunicação, que serão as bases para orientar todas as ações a serem tomadas para o desenvolvimento desta organização de mãos dadas com a população.
Essas acções estão dentro das linhas enquadradas no Plano das 7 Transformações promovido pelo presidente Nicolás Maduro com o objectivo de fortalecer a unidade nacional com valores de autodeterminação e soberania.
Fonte:



