Políticos colombianos pedem que se respeite a decisão contra Uribe
Humberto de la Calle, ex-vice-presidente e ex-negociador de paz, enfatizou nas redes sociais que "o respeito pela institucionalidade é a única resposta possível, além das emoções políticas que decorrem desses acontecimentos".
A condenação em primeira instância do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe Vélez (2002-2010) por suborno em acção penal e fraude processual, proferida nesta terça-feira pela juíza 44 Penal do Circuito de Bogotá, Sandra Liliana Heredia, gerou reacções entre líderes políticos que pediram respeito à institucionalidade judicial.
Uribe, líder do Centro Democrático, tornou-se o primeiro ex-presidente colombiano condenado criminalmente, após ser absolvido da acusação de suborno simples. A leitura da sentença está marcada para sexta-feira.
Humberto de la Calle, ex-vice-presidente e ex-negociador de paz, enfatizou nas redes sociais que “o respeito à institucionalidade é a única resposta possível, além das emoções políticas que se desprendem desses acontecimentos”.
Conocido el sentido del fallo contra el ex presidente Uribe, repito lo que dije antes de ser adoptado. Es imperativo, más que nunca, proteger el respeto nacional e internacional a la justicia ahora y frente a las próximas decisiones. El acatamiento a la institucionalidad es la…
— Humberto de la Calle (@DeLaCalleHum) July 29, 2025
De la Calle, também figura proeminente do Partido Liberal colombiano, destacou a necessidade de proteger o respeito à justiça, tanto nacional como internacional, e assinalou que a decisão não deve ser avaliada a partir de preferências políticas, mas sim do respeito ao Poder Judiciário.
O contexto político é relevante, pois a Colômbia prepara-se para as eleições de 2026, com eleições para o Congresso em 8 de março e presidenciais em 31 de maio, com possível segundo turno em 21 de junho.
A condenação de Uribe, fundador do opositor Centro Democrático, pode influenciar a dinâmica eleitoral. O partido, embora tenha demonstrado o seu desconforto com a decisão, afirmou que respeita “as decisões dos juízes em um Estado de Direito”, mantendo sua convicção na inocência de Uribe.
Por sua vez, Sergio Fajardo, líder do partido Dignidade e Compromisso, destacou a importância da separação de poderes: “As decisões dos juízes devem ser respeitadas e acatadas. O desacordo com uma decisão judicial é legítimo, mas deve ser tratado pelos meios que a própria justiça estabelece”, afirmou.
Enquanto isso, do lado contrário à decisão, destaca-se o ex-procurador-geral Francisco Barbosa, que afirmou que “a justiça também se engana” e destacou os recursos judiciais disponíveis para corrigir erros. Nesse sentido, vale ressaltar que a defesa de Uribe, liderada por Jaime Granados, irá recorrer da sentença no dia 11 de agosto perante o Tribunal Superior de Bogotá.
Do sector empresarial, María Claudia Lacouture, presidente da Câmara de Comércio Colombo-Americana (AmCham), embora tenha expressado solidariedade com Uribe, disse que as decisões judiciais devem ser respeitadas: “O compromisso com a democracia exige preservar a solidez das nossas instituições”.
Além disso, ela indicou que as considerações da juíza são discutíveis, mas devem ser respeitadas dentro do quadro institucional.
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