A Venezuela denuncia os danos causados pelo derrame de petróleo em Trinidad e Tobago
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Yván Gil, alertou que a situação de emergência coloca em risco 140 espécies marinhas, 12 sistemas de zonas húmidas estratégicas e quatro parques nacionais da região.
O Governo da Venezuela emitiu um alerta à comunidade nacional e internacional devido aos danos ambientais e económicos causados por um derrame de hidrocarbonetos proveniente de Trinidad e Tobago.
O diplomata denunciou que apesar de terem detetado a catástrofe desde 28 de abril através da monitorização por satélite, as autoridades de Trinidad mantiveram silêncio durante semanas, violando convenções globais como a Convenção sobre a Diversidade Biológica, que obrigam à cooperação e à partilha imediata de informações para a mitigação de emergências.
Este desastre ambiental afecta directamente a pesca artesanal e a aquicultura, tendo-se registado prejuízos para mais de 500 pescadores locais. Gil alertou que a emergência coloca em risco 140 espécies marinhas, 12 sistemas de zonas húmidas estratégicas e quatro parques nacionais da região, entre os quais a Península de Paria, Turuépano, Mariusa e a Reserva da Biosfera do Delta do Orinoco.
Perante a inação do país vizinho, contingentes do Ministério do Ecossocialismo, da Petróleos de Venezuela (PDVSA), do Instituto Nacional de Espaços Aquáticos (INEA) e a Marinha Bolivariana, em coordenação com o governo do estado de Sucre e a Câmara Municipal de Valdez mobilizaram-se juntamente com os conselhos de pescadores para conter o desastre.
Esta delegação técnica do Governo da Venezuela deslocou-se, por instruções da presidente interina Delcy Rodríguez, até à localidade de Güiria para realizar trabalhos de inspeção e coordenação social face ao derrame de hidrocarbonetos proveniente de Trinidad e Tobago.
Até ao momento, os trabalhos liderados pelo Governo venezuelano conseguiram mitigar 70% da área afetada, após a recolha de mais de 12 toneladas de petróleo bruto.
O ministro dos Negócios Estrangeiros informou que enviou um relatório detalhado a Port-of-Spain exigindo que assumam a responsabilidade, forneçam dados sobre o tipo de produto derramado e paguem as indemnizações correspondentes pelo ecocídio.
A equipa multidisciplinar continua a avaliar no terreno a verdadeira dimensão do impacto ambiental, social e económico que afeta as atividades pesqueiras, turísticas e a saúde pública das comunidades da costa oriental do país.
Além disso, já foram criadas brigadas de voluntários compostas pelo poder popular organizado para acelerar os trabalhos de limpeza do petróleo nas praias afectadas.
Por seu lado, os especialistas alertaram para a ameaça que este incidente representa para o corredor marinho da Península de Paria, uma zona de extraordinária biodiversidade que abriga mangais, zonas húmidas e sistemas estuarinos vitais para a pesca local.
Perante este cenário, a delegação venezuelana reiterou a exigência diplomática para que Trinidad e Tobago forneça todas as informações técnicas sobre a origem do derrame e os protocolos acionados, ao mesmo tempo que apelou aos movimentos ambientalistas do país vizinho para que unam esforços na defesa do ecossistema partilhado.
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