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Acordo dos EUA com os «narcos» provocou um aumento da violência em Sinaloa: Sheinbaum

A Presidente salientou que «é melhor colaborar e coordenar-nos também com os 32 governadores, independentemente do partido a que pertençam, porque não politizamos as questões relacionadas com a segurança e a justiça».

A presidente Claudia Sheinbaum Pardo atribuiu a violência em Sinaloa ao acordo «unilateral» que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos celebrou com uma facção do cartel de Sinaloa para deter Ismael El Mayo  Zambada, e reiterou que não será tolerada a actuação de agências estrangeiras no México, pois isso representa uma ingerência e uma violação da soberania.

Com base nas provas existentes, «o que está a acontecer em Sinaloa devido à detenção de El Mayo é que se está a provocar um conflito no seio do cartel de Sinaloa, devido à traição de um membro desse grupo a outro, através do que presumimos ter sido uma ingerência no nosso país, sem que o governo mexicano tivesse sido informado», afirmou.

O caso de Sinaloa «prova» que, quando «o Departamento de Justiça dos Estados Unidos chega a acordos com um grupo criminoso contra outro grupo, isso gera traição interna e violência», afirmou numa conferência de imprensa.

Afirmou que não tem intenção de falar com o presidente Donald Trump sobre o caso, mas que, na altura certa, «podemos fazê-lo», porque, neste momento, «estamos a tratar do assunto através do Ministério Público (Geral da República) e do Departamento de Justiça, que são as entidades competentes para discutir o assunto».

Apelou às agências e ao governo dos Estados Unidos para que mantivessem a coordenação dentro do quadro legal. «Os resultados são sempre melhores quando colaboramos do que quando se age de forma unilateral, mesmo violando a soberania.»

Referiu uma redução de 70 por cento na entrada de fentanil do México para os Estados Unidos «desde que chegámos, graças ao mecanismo de colaboração e partilha de informações que mantemos, no respeito pelas nossas soberanias».

Eles, acrescentou, «já procederam a apreensões de armas, a nosso pedido, algo que temos vindo a insistir constantemente».

É melhor colaborar do que politizar, insiste

Com base nas provas existentes, salientou que «levar um criminoso raptado (El Mayo  Zambada) por outro criminoso (Joaquín Guzmán López) para os Estados Unidos, com a alegada participação” de organismos desse país, provocou uma divisão interna no cartel de Sinaloa e gerou “muita violência” nesse estado e noutras partes do México.

Considerou que se deveria ter partilhado a informação sobre a localização dos criminosos, «para que fosse o Estado mexicano a detê-los; o resultado teria sido diferente».

A Presidente salientou que «é melhor colaborar e coordenar-nos também com os 32 governadores, independentemente do partido a que pertençam, porque não politizamos as questões relacionadas com a segurança e a justiça».

Referiu que, no caso de Chihuahua — face à controvérsia em torno da colaboração com a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) — «os crimes diminuíram, mas hoje é um dos estados com mais homicídios».

Afirmou que, desde o início do seu mandato, «foram detidas mais de 50 mil pessoas, entre as quais criminosos de alto escalão ou que coordenam grupos criminosos no nosso país, o que permitiu que os homicídios baixassem para 50,4» por dia.

Sheinbaum Pardo afirmou que, evidentemente, El Mayo, Joaquín El Chapo Guzmán e os seus filhos devem estar detidos porque há provas. «Ninguém está a defender nenhum traficante de droga, nunca o faríamos porque não fazemos acordos como os que (o ex-presidente Felipe) Calderón fez na altura», o qual, segundo ela, «protegeu o cartel de Sinaloa face a outros grupos e provocou mais violência».

Insistiu que o avião exposto pelo FBI numa feira, «como se fosse uma operação sua», é prova de que «houve interferência» na operação para deter El Mayo Zambada sem informar o governo.

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