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Brasil: mais crises, até quando?

Já havia muitos antecedentes indicando que com Donald Trump nunca se sabe o que vai acontecer. E aconteceu novamente, agora no Brasil.

O presidente da nação mais rica e poderosa do mundo anunciou formalmente que, a partir de sexta-feira, 1º de agosto, as exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreriam um aumento de 40% nas tarifas, que chegariam a 50%.

Isso tornaria as exportações inviáveis, causando perdas gigantescas em vários sectores brasileiros, principalmente no agronegócio. 

A medida seria adoptada enquanto não fosse declarado inocente o desequilibrado ultradireitista que presidiu o Brasil entre 2019 e 2022, Jair Bolsonaro, que está a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal – a mais alta instância da Justiça no Brasil –, com fortes indícios de que será condenado à prisão. 

Para evitar uma fuga para o exterior, colocaram-lhe uma tornozeleira e ele está proibido de sair de casa à noite e durante os fins de semana.

Acusado de ter tentado um golpe de Estado depois de ter sido derrotado por Lula da Silva nas eleições de 2022, há muitos sinais de que a sua condenação poderá oscilar entre 20 e 40 anos de prisão.

Diante desse quadro, Trump exigiu que todos os processos contra Bolsonaro e seus familiares fossem anulados.

Isso incluiria o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro o terceiro dos cinco filhos do ex-presidente, que desde fevereiro se instalou nos Estados Unidos promovendo na Casa Branca uma campanha feroz contra Alexandre de Moraes, um dos membros do Supremo Tribunal Federal, responsável pelo julgamento contra seu pai. 

O “filho número três” exige que De Moraes seja afastado do Supremo Tribunal e preso.

É claro que nenhuma dessas coisas vai acontecer no caso de Moraes, mas o que não está nada claro, pelo menos por enquanto, é o que vai acontecer com as exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Trump impôs tarifas de 40%, além das 10% já em vigor, embora com 700 excepções. Ele disse que a medida entraria em vigor na sexta-feira, 1º de agosto, mas adiou-a para quarta-feira, 6.

Entre os afectados estão sectores médios, como fabricantes de móveis ou produtores de sumo de laranja, em que o Brasil é o principal fornecedor do mercado dos Estados Unidos. O café já foi excluído da lista de afectados.

Ao anunciar a medida, Trump foi claro: ela foi tomada porque Jair Bolsonaro continua a ser “perseguido” pela justiça.

Existem cerca de 9.500 empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos. Muitas delas tentaram antecipar-se à data em que as tarifas subiriam para 50%, conforme anunciado por Trump, e enviar os seus produtos, mas no final apenas uma minoria conseguiu.

Resta saber o que acontecerá agora. A única certeza é que a justiça brasileira continuará independente e soberana e adotará as medidas resultantes das suas decisões, sem levar em conta ameaças externas.

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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