CELAC condena ameaças à Venezuela diante do envio de tropas dos EUA ao Caribe
Um dos pontos centrais do encontro foi a rejeição ao envio de tropas militares dos Estados Unidos ao sul do Mar do Caribe, o que ameaça a paz e a segurança regional.
Nesta segunda-feira, 22 de setembro, os ministros das Relações Exteriores da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) reuniram-se em Nova Iorque, Estados Unidos, no âmbito da 80ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), para fortalecer o multilateralismo e reafirmar a região como uma Zona de Paz diante do envio de tropas dos Estados Unidos ao Mar do Caribe e das ameaças contra a Venezuela.
A chanceler da Colômbia, Rosa Yolanda Villavicencio, no exercício da presidência pro tempore da CELAC, liderou a reunião para unificar a voz da América Latina e do Caribe em favor da coexistência pacífica, cooperação, integração e respeito mútuo entre as nações.
O tema central deste encontro foi a rejeição ao envio militar dos Estados Unidos ao sul do Mar do Caribe. Os ministros das Relações Exteriores também abordaram temas-chave da agenda regional, como a transição energética, a segurança alimentar, a gestão de riscos e a migração.
Durante a sua intervenção, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, denunciou a presença de navios e um submarino nuclear norte-americano, classificando-a como uma ameaça à paz e à estabilidade de toda a região, não apenas do seu país.
Gil agradeceu o apoio dos países membros deste mecanismo intergovernamental, destacando a importância da unidade para defender a Zona de Paz, estabelecida em 2014 em Cuba pela maioria dos membros da CELAC.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, participou deste encontro, no qual ratificou a disposição da maior das Antilhas de continuar “colaborando com os trabalhos da Comunidade para impulsionar avanços em áreas de interesse regional, com impactos no desenvolvimento e bem-estar dos nossos povos”.
Participé en Reunión de Cancilleres de #CELAC, en marco de #AGNU80.
— Bruno Rodríguez P (@BrunoRguezP) September 22, 2025
Reafirmamos disposición de #Cuba de continuar colaborando con trabajos de la Comunidad para impulsar avances en áreas de interés regional, con impactos en desarrollo y bienestar de nuestros pueblos. pic.twitter.com/BFIgXZnT7h
Outros representantes da região, como o ministro das Relações Exteriores do México, Juan Ramón de la Fuente, e o ministro brasileiro Mauro Vieira, concordaram com a preocupação com a interferência militar estrangeira. De la Fuente destacou que a América Latina deve ser preservada como um território de paz, com base no respeito à soberania, à integridade territorial e ao direito internacional.
Além da situação geopolítica, os ministros avançaram no planeamento da IV Cimeira CELAC-União Europeia, que será realizada nos dias 9 e 10 de novembro. Os líderes regionais expressaram o seu apoio à cimeira e à Declaração de Santa Marta, atualmente em negociação.
A ministra das Relações Exteriores da Bolívia, Celinda Sosa, também participou deste encontro de ministros das Relações Exteriores da CELAC, onde expressou a solidariedade da Bolívia com o povo e o governo da Venezuela, bem como com a Palestina, em defesa da paz, da soberania e da dignidade dos povos.
#ENVIVO | Reunión de cancilleres de la #CELAC https://t.co/lIeK9dG88l pic.twitter.com/IELOkZQ3fz
— teleSUR TV (@teleSURtv) September 22, 2025
Na sua intervenção, Sosa denunciou as medidas de hostilidade dos Estados Unidos contra a Venezuela: “Colocar um preço pela captura de um presidente constitucional é uma afronta à democracia e à soberania. Encher os nossos mares de navios de guerra é uma ação colonialista que não podemos aceitar”, afirmou a funcionária boliviana.
Por sua vez, Carlos Ramiro Martínez Alvarado, ministro das Relações Exteriores da Guatemala, agradeceu à Presidência pro tempore da Colômbia pela convocação e destacou os avanços do Plano de Trabalho 2025, considerando-o fundamental para impulsionar uma agenda regional pragmática e de resultados.
Martínez Alvarado destacou a importância da coesão interna da Comunidade, da concertação política e da construção de consensos, além de reafirmar o seu compromisso com a cooperação em áreas como a inovação tecnológica.
A reunião também serviu para abordar outros assuntos da atualidade, como a situação no Haiti. Os ministros das Relações Exteriores reafirmaram o compromisso de seus países com o bem-estar dos povos latino-americanos e caribenhos.
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