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Colômbia: denúncias de compra de votos e discursos de ódio na campanha da extrema-direita

A campanha presidencial de Abelardo de la Espriella enfrenta graves acusações relactivas à recolha ilegal de dados de 1,4 milhões de cidadãos e à compra sistemática de votos nas Caraíbas.

A campanha presidencial do ultradireitista Abelardo de la Espriella encontra-se no centro de uma polémica na Colômbia, na sequência da divulgação de várias investigações jornalísticas que expõem alegadas operações de fraude, desinformação e discursos de ódio. As denúncias do programa Señal Investigativa — da Señal Colombia e da Revista Raya — alertam para o uso de intermediários e de estruturas políticas regionais para influenciar as eleições.

De acordo com os relatos, a estratégia do candidato inclui campanhas destinadas a incutir medo no eleitorado através da divulgação de conteúdos falsos. As manobras incluem o uso não autorizado de bases de dados, mensagens enganosas, supostos registos médicos falsos e painéis publicitários que retratam os candidatos como guerrilheiros.

A investigação descreve a recolha alegadamente ilícita de dados pessoais de mais de 1,4 milhões de cidadãos, posteriormente utilizados para o envio de propaganda política para dispositivos móveis.

Nesses registos, constatou-se a presença de pessoal pertencente às forças de segurança. Paralelamente, a Revista Raya recolheu provas sobre a entrega de formulários aos funcionários da Câmara Municipal de Barranquilla com o objectivo de registar potenciais eleitores para De la Espriella, exigindo a certas pessoas que angariassem quotas entre 20 e 100 votos.

Campanhas de ódio e coação no meio académico

O programa de televisão também revelou ameaças directas contra o sector académico. Pelo menos cinco instituições de ensino superior, tanto públicas como privadas, receberam e-mails assinados presumivelmente por uma conta ligada ao movimento Salvación Nacional.

As comunicações alertavam para a realização de uma suposta «limpeza» universitária contra os sectores contrários aos postulados do candidato, acções que se complementam com a detecção de grupos do WhatsApp compostos por militares e polícias reformados dedicados a divulgar material audiovisual com mensagens de ódio e medo.

No Caribe colombiano, soaram os alarmes perante indícios de compra massiva de votos e a alegada participação activa de autarcas locais.

O advogado Miguel Ángel del Río apresentou uma queixa criminal junto da Procuradoria-Geral da Nação no passado dia 10 de junho para exigir a investigação de uma rede de apoio eleitoral no departamento de Cesar destinada a beneficiar o candidato presidencial, de acordo com os autos analisados pela Revista Raya. Esta denúncia envolve directamente o chamado clã Gnecco numa zona que se perfila como crucial para o desfecho da votação.

Os documentos apresentados ao Ministério Público descrevem a implementação da «mochila», uma forma histórica de corrupção nas Caraíbas baseada no financiamento económico para garantir apoios nas urnas. Esta operação recai sobre os «mochileros», intermediários encarregados de angariar blocos de 50 a 100 votos em troca de comissões por voto, de acordo com estudos académicos citados na reportagem.

Del Río concedeu uma entrevista para aprofundar a questão do impacto destas estruturas organizadas e da proveniência dos fundos que ameaçam a transparência do sufrágio.

Ligações históricas com estruturas paramilitares

A aliança jornalística revelou um antecedente judicial através de uma carta enviada pelo ex-chefe paramilitar Pablo Hernán Sierra, conhecido pelo pseudónimo «Pipintá», dirigida à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) e à Comissão de Acusações da Câmara.

O antigo membro do Bloco Central Bolívar acusou Abelardo de la Espriella de ser o suposto elo de ligação de uma conspiração urdida em 2006 para subornar magistrados do Tribunal Constitucional, com o objectivo de garantir benefícios legais às Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Fatos esses que, segundo o testemunho de «Pipintá», ele tomou conhecimento através das declarações de outros comandantes da organização armada.

Denúncia presidencial relactiva ao financiamento internacional de propaganda criminosa

Perante a gravidade dos factos expostos sobre a manipulação mediática, o presidente Gustavo Petro pronunciou-se para denunciar que este tipo de propaganda mentirosa e criminosa é financiada no estrangeiro e procura ocultar os seus enormes custos nas contas da campanha da oposição.

O presidente defendeu a trajectória de Iván Cepeda, salientando que este não tem sido um defensor das guerrilhas, mas sim um investigador do assassinato do seu pai e um construtor da paz no governo de Juan Manuel Santos.

O chefe de Estado explicou que as operações criminosas e as informações falsas têm origem em Miami, nos Estados Unidos, sendo financiadas por um fundo económico constituído nessa cidade norte-americana, do qual o presidente da câmara de Medellín é sócio.

De acordo com o que foi exposto pelo presidente, este mecanismo recebe avultados contributos financeiros provenientes tanto de grandes empresários colombianos como estrangeiros, motivados pela ganância e pela oposição à melhoria das condições de vida da população trabalhadora e de rendimentos modestos.

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