COP30: movimentos sociais criticam hipocrisia dos países ricos perante a crise climática
Representantes das organizações participantes em nome dos povos destacaram que a reunião dos líderes da COP30 ficou marcada como uma "cimeira de compromissos vazios".
Mais de 1.100 organizações sociais e populares realizaram uma conferência de imprensa na Cúpula da Casa dos Povos na cidade de Belém (estado do Pará, norte), para avaliar os resultados da Cimeira de Líderes da COP30 e denunciar a inacção dos países ricos diante da crise climática.
Durante o evento, os participantes apresentaram um pronunciamento político que reafirma sua agenda de luta em seis eixos estratégicos.
De acordo com o Comité Organizador da Cúpula dos Povos, representantes da Rede de Acção Climática (CAN International), do Movimento para a Soberania Popular na Mineração (MAM), da Campanha Global pela Justiça Climática (DCJ) e da Via Campesina (LVC) ressaltou que o segmento de alto nível da COP30 continua a ser uma “cimeira de compromissos vazios” dos países ricos e criticou a ausência dos países
Jacobo Ocharan, da CAN International (México), disse que os países historicamente responsáveis pela crise climática chegaram “de mãos vazias”, sem planos nacionais realistas ou compromissos firmes. “Até agora há pouca verdade e muito compromisso por parte dos países historicamente responsáveis pela crise climática”, disse.
#ENFOTOS | Continua en desarrollo la conferencia 30°de las Naciones Unidas COP30 donde varias personas de diferentes partes del mundo se reúnen con el propósito de buscar las mejores soluciones ante el cambio climático, el calentamiento global y sus consecuencias que afectan a… pic.twitter.com/0yiJNbj2es
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A representante do MAM no Brasil, Isabely Miranda, criticou a chamada “transicção energética” promovida pelos governos, descrevendo-a como um processo imposto pelas elites que prioriza a extração mineral e aprofunda as desigualdades entre os países.
Miranda exigiu que as corporações responsáveis pela degradação ambiental assumam compromissos reais e parassem de afetar as comunidades: “Grandes empresas de mineração, indústrias e agro-negócios devem parar de nos matar e destruir a natureza”, disse.
Tyrone Scott, do DCJ (Reino Unido/Jamaica), denunciou a dívida histórica e a exploração de pequenos países, especialmente os países insulares, e criticou os mecanismos de mercado que beneficiam os países ricos em detrimento do meio ambiente: “Isso não é liderança climática. É hipocrisia climática.”
Jyoti Fernandes, da Via Campesina, reforçou a exigência de justiça: “Reparações, não caridade. Acreditamos na vida. E por ela nós lutamos.”
📌La ciudad brasileña de Belém acoge la COP30
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La ciudad de Belém, capital del Estado brasileño de Pará, es la sede de la COP30, la conferencia de las Naciones Unidas sobre cambio climático, que comenzará oficialmente este 10 de noviembre. Mandatarios y representantes de… pic.twitter.com/Dz42ylcrMy
Beatriz Moreira, da Secretaria Operacional da Cúpula dos Povos, lembrou que o processo começou há dois anos e que hoje é organizado em seis eixos estratégicos: justiça climática e reparação; transição justa, popular e inclusiva; soberania alimentar; direitos territoriais e florestais; internacionalismo e solidariedade; e perspectivas feministas e populares nos territórios.
“Se há uma solução para o desequilíbrio em que vivemos, é em nós — nos povos que habitam e defendem os territórios”, disse Moreira.
A Cimeira dos Povos continuará a partir de 12 de Novembro com os debates em sessão plenária sobre os seis eixos estratégicos (13 e 14 de Novembro), a construção da Carta dos Povos, a marcha unificada do Dia Global de Acção para a Justiça Climática (15 de novembro) e um encontro com a presidência da COP30 (16 de Novembro).
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