CORREPI: O governo de Milei é o mais repressivo desde o regresso à democracia
Em apenas 25 meses de governo de Javier Milei, registaram-se 1 056 mortes, o que equivale a 10 % do total de casos desde o regresso da democracia ao país em 1983.
O relatório apresentado pela Coordenadora contra a Repressão Policial e Institucional (CORREPI) classificou o governo de Javier Milei como o mais repressivo da era democrática desde o regresso à democracia em 1983. A violência institucional agrava-se devido a políticas repressivas que incluem o uso desproporcionado da força pública.
De acordo com o documento, 10% das mais de 10 000 mortes por repressão estatal registadas desde o regresso à democracia ocorreram nos últimos dois anos, sob o governo de Milei, num total de 1 056 casos.
«É o governo mais repressivo desde 1983», declarou María del Carmen Verdú, fundadora da CORREPI, numa entrevista à emissora C5N. Verdú acrescentou que estes 25 meses marcam «a instauração de uma verdadeira mudança de regime, com a destruição de direitos e garantias». A violência institucional define-se como qualquer ato de força desproporcionada ou violação de direitos exercido por agentes do Estado.
🚨Argentina: Cancelan muestra de Pablo Grillo
— teleSUR TV (@teleSURtv) May 8, 2026
🔴Exposición del fotógrafo sobre violencia institucional en el Congreso fue suspendida, atribuida a Villarruel. Familiares y oposición denuncian un grave acto de censura.#teleSUR #Argentina #Censura #LibertadDeExpresión…
Entre os casos mais emblemáticos que evidenciam esta «via livre» para o abuso de autoridade encontram-se os do fotógrafo Pablo Grillo e do reformado Egidio Contreras, de 75 anos. Ambos foram agredidos durante manifestações pacíficas nas imediações do Congresso, em defesa da moratória previdenciária e da distribuição gratuita de medicamentos.
O fotógrafo Pablo Grillo foi ferido na cabeça por um tiro de cartucho de gás lacrimogéneo disparado pelo cabo Héctor Jesús Guerrero em 12 de março de 2025. Após um ano de cirurgias, o jornalista regressou a casa em fevereiro de 2026 com graves sequelas. Na passada terça-feira, a juíza federal María Servini recebeu um pedido formal para levar a julgamento o processo contra o agente por tentativa de homicídio e abuso de armas.
Con este gobierno siempre todo puede ser peor. Parece que se vino el apartheid.https://t.co/UlqOkCPaHr
— CORREPI (@CORREPI) May 7, 2026
Por sua vez, o reformado Egidio Contreras foi violentamente empurrado para o chão por quatro agentes da Polícia Federal a 22 de outubro de 2025, tendo sofrido uma fractura grave no úmero. Embora se tenha tentado arquivar o processo, a Câmara Federal de Cassação Penal (Sala II) indicou, no passado dia 5 de maio, a importância de esclarecer os limites do uso da força e o direito à manifestação. A queixa original foi apresentada por Adolfo Pérez Esquivel e pela Comissão Provincial pela Memória (CPM).
Estes incidentes inscrevem-se no âmbito da aplicação do «Protocolo Antipiquetes» da então ministra Patricia Bullrich, implementado para «manter a ordem» num contexto de austeridade social brutal que o relatório compara com a revolta social de dezembro de 2001.
Ataques à liberdade de imprensa durante o governo de Milei
Por outro lado, tanto o Fórum de Jornalismo Argentino (FOPEA) como a Federação dos Trabalhadores da Imprensa (Fatpren), o Curso de Comunicação da UBA, a Associação de Jornalistas Argentinas e o Sindicato da Imprensa de Buenos Aires (Sipreba) salientam que o ataque directo do presidente ao jornalismo nunca foi tão intenso.
Além disso, o relatório anual do Monitoramento da Liberdade de Expressão da FOPEA indica que, em 2025, se registou um recorde de 278 casos de ataques contra jornalistas.
A análise, publicada no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, no passado dia 3 de maio, refletiu sobre o peso da violência de origem estatal ou para-estatal, incluindo ações de funcionários, forças de segurança e atores ligados ao Governo no ecossistema digital.
📌 FOPEA presentó el Monitoreo de Libertad de Expresión 2025: experiencias en primera persona
— FOPEA (@FOPEA) May 3, 2026
✍🏻 Podés leer los textos completos en nuestro informe: https://t.co/forN054pL7 pic.twitter.com/ieKU8Y4mJA
Desde o início do governo de Milei, registaram-se mais 137,6% de incidentes. A coordenadora da Comissão de Liberdade de Expressão da organização, Alicia Miller, revelou que «durante o ano de 2025, houve 20 processos judiciais contra jornalistas».
«Um número muito superior ao que se recorda desde o regresso da democracia. Registaram-se também 9 ameaças de ação judicial» e detalhou 28 restrições ao acesso à informação, 10 casos de censura, 4 ataques contra bens do meio de comunicação ou do jornalista e quatro abusos de poder estatal, como detenções indevidas ou abusos por parte das forças de segurança. «É claro que o caso mais grave é o de Pablo Grillo, que quase foi morto pelo disparo de uma granada de gás lacrimogéneo enquanto cobria a manifestação dos reformados», sublinhou.
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