América Latina e CaraíbasEquador

Equador: ataque armado deixa sete mortos em Manabí

Um grupo de 10 homens com uniformes militares chegou por via marítima e alvejou as vítimas no pátio de uma fazenda após interrogá-las sobre armas e narcóticos.

Pelo menos sete pessoas foram mortas na madrugada desta segunda-feira após um ataque armado registrado no município de Jama, província de Manabí, segundo informaram fontes policiais e meios de comunicação locais. O incidente ocorreu no setor de Camarones, para onde se deslocaram unidades da Polícia Nacional para iniciar as investigações pertinentes.

De acordo com o relatório policial, as vítimas com idades entre 16 e 56 anos foram encontradas no pátio de uma fazenda. Os relatórios preliminares indicam que o ataque foi perpetrado por pelo menos 10 pessoas vestidas com uniformes do tipo militar, que portavam espingardas e pistolas.

Os suspeitos teriam chegado ao local por via marítima em barcos. Uma vez na propriedade, os agressores entraram nos quartos para levar as vítimas para fora, onde abriram fogo após interrogarem sobre o paradeiro de substâncias ilícitas, armas e dinheiro. Posteriormente, os autores do crime fugiram novamente pelo mar.

Este acontecimento representa o sétimo massacre na província de Manabí neste ano de 2026, uma zona atualmente em estado de emergência. Além deste ataque, foram registadas duas mortes por sicariato na estrada para Canoa e um incidente armado no sector Barraganete do município de Pichincha, que deixou mais três mortos, elevando o número total de mortes violentas na província para 12 pessoas em apenas algumas horas.

Desde 2024, o Equador mantém a declaração de «conflito armado interno», medida adoptada pelo presidente Daniel Noboa para enfrentar grupos de crime organizado classificados pelo Executivo como terroristas.

A província de Manabí consolidou-se como um dos pontos mais críticos da geografia do conflito no Equador. A sua localização estratégica no litoral, com extensas áreas de difícil acesso e saídas diretas para o Oceano Pacífico, tornou-a uma rota cobiçada pelas estruturas do crime para o tráfico de drogas para os mercados internacionais.

Apesar de Manabí e outras províncias costeiras acumularem mais de 550 dias em estado de emergência, a violência não diminuiu. Para analistas e movimentos sociais, isso demonstra que a militarização das ruas pelo governo de Daniel Noboa é uma medida “reactiva e cosmética” que não consegue desmantelar as economias ilegais.

O ano de 2025 foi o mais sangrento da história moderna do Equador, com um número que ultrapassou os 9.300 homicídios intencionais. Nos primeiros dois meses de 2026, a tendência continua em alta, com uma “atomização” das gangues criminosas que, após a captura ou morte de seus líderes, se fragmentaram em grupos mais violentos que disputam o controle territorial rua a rua.

Apesar dos relatórios oficiais sobre operações e capturas, a província de Manabí regista um aumento de massacres e ataques com táticas militares, situação que desafia a eficácia do controlo territorial exercido pelas forças de segurança estatais.

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

A cobertura mediática sobre Cuba e a América Latina é dominada por um só lado. Nós mostramos o outro. Receba análises geopolíticas que fogem do mainstream ocidental.

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para obter mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *