Honduras: Direita e Trump preparam “golpe eleitoral” contra forças progressistas
Boicotes eleitorais e campanhas de difamação marcam a véspera das eleições gerais de 30 de novembro em Honduras, segundo denúncias de diversos sectores e revelações de áudios vazados.
A direita hondurenha, com a interferência de Donald Trump, prepara um «golpe eleitoral» para deslegitimar as eleições de 30 de novembro no país centro-americano e travar o avanço das forças progressistas.
As mesmas forças políticas que promoveram o golpe de Estado contra o presidente constitucional Manuel Zelaya em 2009 continuam a boicotar os interesses de Honduras e o governo progressista do partido Libre, liderado por Xiomara Castro.
Em entrevista à teleSUR, o sociólogo Armando Orellana, membro da equipa da candidata Rixi Moncada (Partido Libertad y Refundación – LIBRE), apontou que «os conservadores têm promovido um boicote constante e várias tentativas para travar o projetco político do LIBRE».
Nesse sentido, ele apontou que, em janeiro, eles tentaram, sem sucesso, capturar a direcção do Congresso Nacional. Orellana também denunciou o boicote a «projectos de financiamento importantes, como uma lei de justiça tributária que busca eliminar as isenções fiscais que permitiram o enriquecimento de dez famílias e 25 grandes consórcios empresariais».
Durante o processo eleitoral que culmina neste domingo, 30 de novembro, a direita política gerou um clima de insegurança que encontrou eco em figuras da comunidade internacional, que desde outubro assistem como observadores internacionais.
#ENVIDEO📹 | Analistas internacionales denuncian la injerencia de #EEUU 🇺🇸 en el proceso electoral en #Honduras 🇭🇳 y expresan que estas posturas ponen en riesgo el voto en la nación centroamericana
— teleSUR TV (@teleSURtv) November 27, 2025
🎙️ @karimtelesurtv pic.twitter.com/HbnIAlgUgW
Golpe eleitoral
Orellana sustenta que a direita procura criar um cenário que permita denunciar uma fraude eleitoral caso a candidata do LIBRE vença, estratégia que ganha força a partir da interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A 9 de março, no âmbito das eleições primárias, houve uma tentativa de boicote com o atraso deliberado do material eleitoral por parte de sectores que controlam o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Segundo Orellana, o Partido Nacional, «herdeiro da ‘narco ditadura’», organizou o transporte com empresas privadas afins e, como o material não chegou a tempo, «tentaram culpar as Forças Armadas e a então ministra da Defesa e actual candidata presidencial, Rixi Moncada».
Uma série de sete áudios, divulgados pela imprensa, confirmou as actividades políticas que visam boicotar o processo eleitoral. O conteúdo expõe conversas entre Cosette López (conselheira eleitoral do Partido Liberal), representantes dos partidos Nacional e Liberal e empresários, para ignorar a eventual vitória de Rixi Moncada.
Em vez disso, planeavam proclamar Salvador Nasralla presidente utilizando o Sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP). A fuga, cuja autenticidade foi confirmada por uma perícia internacional, evidencia uma clara coordenação para atrasar, bloquear ou manipular o reconhecimento oficial dos resultados, aproveitando-se de lacunas institucionais e fraquezas operacionais do CNE. Nas conversas, López pede subornos de sete milhões em vez de três.
📌Una nueva polémica sacude a #Honduras🇭🇳 con la difusión de audios que exponen una presunta red de coordinación entre empresarios, funcionarios electorales y figuras políticas de alto perfil. Las grabaciones, que ya circulan en diversos medios de comunicación, desvelan… pic.twitter.com/YXRJDc21Ps
— teleSUR TV (@teleSURtv) November 26, 2025
Os áudios vazados implicam o deputado hondurenho Tomás Zambrano num suposto plano de sabotagem eleitoral para as eleições de 30 de novembro de 2025, com o objectivo de atenuar os sinais de internet e manipular a transmissão dos resultados nas Honduras.
Tomás Zambrano é líder do Partido Nacional e candidato a deputado nas Honduras. As gravações mostram-no a conversar com uma técnica em telecomunicações sobre como atenuar o sinal da Internet em várias zonas, simular falhas climáticas ou utilizar outros meios para impedir a transmissão dos resultados eleitorais.
Zambrano oferece um número de telefone «irrastreável» para essas coordenações, que incluíam «milhões por seu papel activo» na sabotagem. Trocas adicionais revelam tácticas para reorganizar forças internas, pressionar o Tribunal Eleitoral e preparar a possível proclamação de Nasralla como presidente, mesmo que a contagem oficial mostrasse uma tendência irreversível contra.
¡SALIÓ EL PEINE! ASÍ PLANEAN EL FRAUDE
— POLÍTICO HN🌺 (@PoliticoHN504) November 26, 2025
Circula un audio en el que Tomás Zambrano, jefe de bancada del Partido Nacional, conversa con técnicos sobre alteraciones en la señal móvil que podrían afectar el funcionamiento del TREP.
En el material, el técnico explica cuáles antenas… pic.twitter.com/K2yJWrMd2k
O olhar opulento
Entretanto, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE UE) enviou na quarta-feira o seu segundo grupo de observadores de curto prazo para Honduras, reforçando o acompanhamento do processo eleitoral de domingo, 30 de novembro de 2025.
Tania Marques, chefe adjunta da MOE UE, declarou que nesta quinta-feira se incorporarão 12 parlamentares europeus, elevando para 138 o número total de observadores. Este contingente se soma aos 32 observadores de longo prazo distribuídos desde 28 de outubro nos 18 departamentos do país. Os observadores cobrirão todos os departamentos e municípios, equilibrando áreas urbanas e rurais para analisar as dinâmicas políticas e logísticas.
Gerardo Martínez, presidente da Associação Liberdade e Democracia, defende a lógica da fragilidade institucional como causa de uma possível fraude, afirmando que «nesta eleição estão em jogo não só os cargos eleitos, mas a própria democracia e a continuidade das instituições».
A pocos días de la elección general de Honduras, la candidata Rixi Moncada, del Partido Libre, denuncia que fue hackeado el Sistema de Transmisión de Resultados Electorales Preliminares, el TREP. pic.twitter.com/0KuS2EYENO
— teleSUR TV (@teleSURtv) November 26, 2025
A Associação Liberdade e Democracia, que ganhou «ouvinte» no âmbito internacional, responde ao candidato Nasralla e vem divulgando conceitos como: «O actual governo deseja abolir o nosso sistema democrático e, através da instauração de uma Assembleia Nacional Constituinte, eliminar a Constituição actual e perpetuar-se no poder, ao melhor estilo do fracassado socialismo do século XXI, que tanto dano causou na América Latina».
Por sua vez, Ana María Méndez Dardón, directora para a América Central do Washington Office on Latin America (WOLA), alerta para um «sistema muito polarizado, com uma herança histórica de instituições fracas num contexto de falta de independência do Poder Judiciário e de falta de separação de poderes».
A WOLA é uma das primeiras a alertar sobre os perigos que a crescente guerra contra as drogas impulsionada pelos Estados Unidos representa para a democracia e a documentar a necessidade de abordagens alternativas.
Pescar em águas turbulentas
A esta situação complexa soma-se a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu participar activamente no processo eleitoral hondurenho. Semelhante ao seu apoio a Milei na Argentina, Trump apoia Nasry «Tito» Asfura, candidato do Partido Nacional de Honduras.
O seu objectivo, segundo declarações, é «combater os narco-comunistas» e impedir que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, «assuma o controlo» do país. Neste sentido, ameaçou que não colaborará com Honduras se Rixi Moncada for eleita.
Trump acusou Nasralla, do Partido Liberal (PL), de ter ocupado um cargo importante no governo de Xiomara Castro após ter desistido da sua candidatura presidencial nas eleições de novembro de 2021. Nasralla rompeu então com a mandatária. «Ele finge ser anti comunista apenas para dividir os votos de Asfura», escreveu Trump, o que provocou uma divisão na direita hondurenha.

O candidato de Trump, Asfura, é um empresário da construção civil hondurenho e foi presidente da Câmara Municipal do Distrito Central de 2014 a 2022. É candidato presidencial do Partido Nacional nas eleições gerais de 2025 e também o foi nas eleições de 2021.
Em outubro de 2020, uma unidade anti-corrupção do Ministério Público solicitou a perseguição criminal contra Asfura, por supostamente ser responsável pelo desvio de 17,4 milhões de lempiras a seu favor entre 2017 e 2018, além de outros crimes. Em junho e julho do ano seguinte, o pedido foi indeferido pela Câmara Penal da Suprema Corte de Justiça.
Em outubro de 2021, o seu nome apareceu nos Pandora Papers; ele é mencionado neles como o proprietário, em 2007, da empresa Karlane Overseas SA, registada no Panamá pela firma Alcogal em 2006. O banco que ajudou Asfura a criar essa empresa disse que ela foi usada para comprar terras da família de Asfura e de outras pessoas em Tegucigalpa para desenvolver um centro de negócios no local.
📌#Honduras🇭🇳 alza la voz contra la injerencia electoral
— teleSUR TV (@teleSURtv) November 27, 2025
El Gobierno hondureño denuncia ante la #OEA intentos de injerencia externa para desacreditar sus comicios, reafirmando su rechazo a las maniobras que buscan influir en la voluntad popular.
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Asfura é membro e candidato do Partido Nacional, partido ao qual pertence o ex-presidente Juan Orlando Hernández Alvarado, extraditado e condenado nos Estados Unidos por crimes de tráfico de drogas.
O resultado eleitoral de 30 de novembro é crucial, sobretudo no tabuleiro geopolítico caribenho e centro-americano; apenas a vitória de Moncada parece garantir a continuidade do caminho de transformações e evitar uma presença hegemónica dos Estados Unidos na região.
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