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O que decidiram Xi e Putin? PONTOS-CHAVE da cimeira em Pequim

Os líderes da Rússia e da China assinaram um vasto conjunto de acordos e declarações conjuntas que abrangem desde a cooperação militar e energética até à defesa de uma ordem mundial multipolar e à rejeição de acções unilaterais.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder da China, Xi Jinping, realizaram nesta quarta-feira uma ronda de conversações que culminou na assinatura de um vasto conjunto de documentos e declarações conjuntas.

O líder russo salientou que as relações entre Moscovo e Pequim «atingiram um nível verdadeiramente sem precedentes» e continuam a desenvolver-se.

Reforço da cooperação militar

Numa declaração conjunta, os líderes afirmaram que Moscovo e Pequim continuarão a reforçar a cooperação no domínio militar.

«As partes continuarão a reforçar a tradicional amizade entre as Forças Armadas de ambos os países, aprofundando a confiança mútua no domínio militar, aperfeiçoando os mecanismos de cooperação, ampliando a realização de exercícios conjuntos, as patrulhas aéreas e marítimas, reforçando a coordenação e a interação em formatos bilaterais e multilaterais, respondendo em conjunto a diversos desafios e ameaças, bem como apoiando a segurança e a estabilidade global e regional», reza o documento.

Condenação dos ataques contra o Irão

Putin e Xi concordaram, no seu comunicado, que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão «violam o direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais» e comprometem gravemente a estabilidade no Médio Oriente.

  • Moscovo e Pequim salientam a necessidade de as partes em conflito retomarem o mais rapidamente possível o diálogo e as negociações, a fim de evitar o alargamento da zona de crise.
    • As partes salientaram igualmente que acções como «o lançamento traiçoeiro de ataques militares contra outros países;  o uso hipócrita das negociações como pretexto para preparar tais ataques; o assassinato de representantes dos governos de Estados soberanos; a desestabilização da situação política interna nesses Estados e a provocação de uma mudança de poder nos mesmos; e o sequestro descarado de líderes nacionais para os submeter a julgamento violam gravemente os objectivos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

    A América Latina como zona de paz

    • Ambos os líderes manifestaram o seu apoio ao estatuto da América Latina e das Caraíbas como zona de paz, bem como à luta dos Estados latino-americanos «para escolherem de forma autónoma os seus caminhos de desenvolvimento e os seus parceiros».
    • O documento refere que Moscovo e Pequim se opõem a qualquer acção que viole os objectivos e princípios da Carta das Nações Unidas ou que atente contra a soberania e a segurança de outros países, e sublinha que se opõem à ingerência de forças externas nos assuntos internos da região «sob qualquer pretexto».

    Rumo à consolidação de um mundo multipolar

    Moscovo e Pequim têm-se alinhado  cada vez mais em torno da ideia de um mundo multipolar, uma ordem global que, segundo afirmam, já não deveria ser dominada pelo Ocidente e, em particular, pelos Estados Unidos.

Neste contexto, as partes adotaram uma declaração conjunta sobre a criação de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais.

  • «As tentativas de vários Estados de gerir unilateralmente os assuntos mundiais, impor os seus interesses a todo o mundo e limitar as possibilidades de desenvolvimento soberano de outros países, à maneira da época colonial, fracassaram. O sistema de relações internacionais do século XXI está a passar por uma profunda transformação, evoluindo para um estado policêntrico duradouro e para a formação de um novo tipo de relações internacionais», afirma o documento.
  • «A maioria dos Estados, tendo em conta a experiência histórica adquirida, tomou plena consciência da chegada de uma nova era e da necessidade de seguir o caminho da formação de uma comunidade internacional mais coesa, bem como do respeito mútuo pelos interesses fundamentais, da igualdade, da justiça e da cooperação em benefício mútuo,  sem dividir o mundo em regiões e blocos antagónicos”, acrescenta.

Contra a Cúpula Dourada dos EUA

As partes salientaram o carácter destrutivo da ideia dos EUA de construir o sistema de defesa aérea Cúpula Dourada para a estabilidade estratégica.

  • Salienta-se que esta iniciativa «nega completamente o princípio fundamental da manutenção da estabilidade estratégica, que prevê a indissolubilidade da inter-relação entre as armas estratégicas ofensivas e defensivas».

Contra a glorificação do nazismo e a reescrita da história

Moscovo e Pequim afirmaram que continuarão a «defender com firmeza a visão correta da história da Segunda Guerra Mundial» e a inalterabilidade dos seus resultados, e que «se oporão às tentativas de negar, distorcer e falsificar a história» deste conflito.

  • «As partes tencionam continuar a reforçar a cooperação na luta contra a glorificação do nazismo, do fascismo e do militarismo, bem como contra as tentativas de ressurgimento destas ideologias destrutivas e a negação dos factos do genocídio», pode ler-se no documento, onde se acrescenta que as partes condenam veementemente a glorificação daqueles que lutaram ao lado dos nazis, dos fascistas e dos militaristas, colaboraram com eles e cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Apoio à soberania mútua

  • Ambas as partes manifestaram o seu apoio à soberania mútua: a Rússia apoiou o princípio de «uma só China» e reconheceu Taiwan como parte inalienável do território chinês.
  • Pequim, por sua vez, apoia os esforços da parte russa «para garantir a segurança e a estabilidade, o desenvolvimento nacional e a prosperidade, a soberania e a integridade territorial, e opõe-se à ingerência externa nos assuntos internos da Rússia».

Novos horizontes de cooperação

Ambas as partes destacaram o ritmo acelerado da cooperação económica, que se consolidou nos últimos anos. Putin e Xi dedicaram especial atenção ao sector energético e concordaram em continuar a reforçar as relações de parceria integral no domínio da energia.

  • Foi dada especial atenção à energia nuclear, tendo as partes manifestado a sua intenção de prosseguir com a execução dos projectos de construção da central nuclear de Tianwan e da central nuclear de Xudapu, garantir a conclusão atempada das obras de construção e a entrada em funcionamento das instalações e, com base nisso, aprofundar a cooperação no domínio da energia nuclear para fins pacíficos.

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