Cuba

Os EUA aumentam os voos de espionagem sobre Cuba, segundo a imprensa

Com base em dados públicos da aviação, análises da imprensa norte-americana dão conta de um aumento dos voos de recolha de informações militares por parte de Washington ao largo da costa de Cuba.

A análise, publicada pela CNN, indicou que, de acordo com o FlightRadar24, desde 4 de fevereiro, a Marinha e a Força Aérea dos Estados Unidos realizaram pelo menos 25 voos deste tipo utilizando aeronaves tripuladas e drones, a maioria perto das duas maiores cidades do país, Havana e Santiago de Cuba, e alguns a menos de 64 quilómetros da costa.

Grande parte desses voos foi realizada por aeronaves de patrulha marítima P-8A Poseidon, concebidas para vigilância e reconhecimento, enquanto outros foram realizados por um RC-135V Rivet Joint, especializado na recolha de informações de sinais.

O relatório indicou que também foram utilizados vários drones de reconhecimento de grande altitude MQ-4C Triton.

A administração de Donald Trump levou o recrudescimento do bloqueio de longa data contra a ilha a níveis sem precedentes e ampliou as medidas coercivas unilaterais com um cerco petrolífero, alegando que o país caribenho representa uma «ameaça extraordinária» para a segurança nacional dos Estados Unidos, num contexto de crescentes ameaças de agressão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros Bruno Rodríguez reiterou que Cuba salvaguardará a sua independência e afirmou que «exercerá o seu direito à legítima defesa até às últimas consequências, com o apoio maciço e generalizado do povo».

Numa entrevista concedida na semana passada à ABC News, o ministro dos Negócios Estrangeiros foi claro: «Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos: nem para a sua segurança nacional, nem para a sua política externa, nem para a sua economia, nem para o estilo de vida americano».

«Parece que o governo dos Estados Unidos escolheu um caminho perigoso; um caminho que poderá ter consequências inimagináveis, uma catástrofe humanitária, um genocídio, a perda de vidas cubanas e de jovens norte-americanos; poderá também conduzir a um banho de sangue em Cuba», afirmou.

Rodríguez afirmou que não se registaram quaisquer avanços nas conversações com os Estados Unidos e rejeitou as recentes exigências da administração de Donald Trump em matéria de reformas políticas e económicas. «Posso dizer-lhe que não vejo qualquer progresso», sublinhou.

O chefe da diplomacia cubana reiterou a disponibilidade para dialogar «sobre uma grande variedade de questões bilaterais», mas salientou que os temas relacionados com o sistema político ou os assuntos internos de Cuba «não estão em discussão».

Rodríguez refutou os falsos pretextos utilizados pela Casa Branca de Trump para justificar uma eventual agressão militar contra Cuba, algo «proibido pelo direito internacional», acrescentou.

Nas últimas semanas, a hostilidade de Trump e do seu secretário de Estado, Marco Rubio, intensificou-se, com ameaças constantes de futuras medidas contra a ilha «muito em breve».

Trump afirmou — com uma mentalidade de conquistador do século XXI — que «assumirá o controlo de Cuba quase de imediato» e ameaça enviar porta-aviões norte-americanos para as suas costas, supostamente para forçar a rendição.

Desde que assumiu o seu segundo mandato na Casa Branca, a 20 de janeiro do ano passado, o presidente Trump intensificou a sua ofensiva contra Cuba. No primeiro dia no cargo, assinou um decreto presidencial que revogou medidas tardias, mas na direcção certa, do seu antecessor democrata, Joe Biden.

Biden, que durante os seus quatro anos no Salão Oval manteve a linha da política de Trump em relação a Cuba, decidiu, uma semana antes do fim do seu mandato, retirar o país da lista unilateral e arbitrária dos Estados Unidos de supostos patrocinadores do terrorismo.

Assim, em cascata, foram surgindo, uma após outra, as medidas, todas destinadas a estrangular a nação antilhana através de um reforço brutal do mais longo bloqueio económico, financeiro e comercial da história, com o objetivo de derrubar a Revolução cubana e forçar uma tão ansiada mudança de regime.

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