Petro rejeita ameaças de Trump e defende soberania da Colômbia
O presidente Gustavo Petro afirmou que «a Colômbia não se deixa intimidar e quem passar da ameaça à acção apenas despertará a onça americana que dorme no coração do povo».
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, rejeitou nesta quinta-feira as ameaças do seu colega norte-americano, Donald Trump, de realizar operações militares terrestres em solo colombiano sob o pretexto de combater o narcotráfico.
Durante uma cerimónia de promoções militares na Escola Militar José María Córdova, em Bogotá, Petro enfatizou que «a Colômbia não pode ser ameaçada. Porque quanto sangue vosso, da Polícia Nacional, dos colombianos comuns e dos que não são comuns, porque quantos líderes deste país não morreram, irmãos do narcotráfico».
As declarações do presidente respondem às críticas de Trump em 2 de dezembro, quando ele incluiu a Colômbia entre os países que ele diz que “exportam drogas ilegalmente” para os Estados Unidos e que podem enfrentar uma acção militar. Petro reiterou que a Colômbia não aceitará intimidação estrangeira e destacou o sacrifício das Forças Armadas e dos líderes sociais no combate às drogas.
“Como se hoje nos viessem dizer que não estamos a lutar contra o narcotráfico e que aqui existe um Cartel dos Soles. Todos nós aqui sabemos que o narcotráfico pode comprar o coração ganancioso”, afirmou, aludindo às estruturas criminosas transnacionais.
El mandatario colombiano, Gustavo Petro, advirtió que Colombia no se deja amenazar y que el que pase de la amenaza a la acción solo despertará al jaguar americano que está dormido en el corazón del pueblo. pic.twitter.com/tLN5TjpNhA
— teleSUR TV (@teleSURtv) December 4, 2025
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Colômbia apoiou a posição presidencial, rejeitando as declarações de Trump e ractificando o compromisso «inabalável» do país na luta contra o narcotráfico através da cooperação internacional e do respeito aos direitos humanos. O presidente destacou que qualquer povo ou governante pode dialogar com o seu país, ressaltando que eles têm a capacidade de se entender com todos os povos.
Petro também questionou a narrativa que aponta a Colômbia como principal responsável pelo tráfico de drogas para os EUA e que, segundo eles, causou a morte de americanos, ao que ele respondeu que os mortos nesta luta contra o narcotráfico foram, na verdade, latino-americanos. «Por isso, repito: a ganância é inimiga da vida. Mas nem todos os homens e mulheres têm um coração ganancioso. Não nos deixamos comprar, não estamos à venda”, disse o presidente.
A declaração insere-se num contexto de tensões diplomáticas na região, onde o presidente Trump declarou a sua intenção de levar a sua guerra contra o narcotráfico ao território das nações que levam drogas para o seu país, apontando diretamente para a Venezuela e a Colômbia. Perante as ameaças dos Estados Unidos, Petro afirmou que «a Colômbia não se deixa ameaçar e quem passar da ameaça à ação apenas despertará o jaguar americano que está adormecido no coração do povo».



