Venezuela

Rander Peña ao presidente Maduro: “Aguente firme, o povo vai resgatar-te”

“Eles pensaram que iríamos calar a boca, que iríamos nos intimidar. E o que eles fizeram foi multiplicar a nossa força”, declarou Peña no palco montado em Caracas.

O secretário executivo da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA-TCP), Rander Peña, condenou categoricamente a acção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando-a como criminosa, terrorista e violadora do direito internacional, durante uma mobilização anti-imperialista em massa realizada em Caracas.

Do palco instalado na capital venezuelana, o líder denunciou que o ataque perpetrado na madrugada de sábado contra Caracas semeou o terror entre a população civil, por se tratar de uma acção indiscriminada que não distinguiu entre alvos militares e civis, colocando em risco a vida de crianças, mulheres e famílias inteiras, especialmente em áreas próximas a Fuerte Tiuna.

“Às duas da manhã, toda Caracas sentiu o estrondo. Não sabíamos o que estava a acontecer, mas sabíamos que o inimigo estava a atacar-nos”, afirmou, sublinhando que o uso de mísseis constitui um acto de terrorismo de Estado.

O secretário executivo da ALBA-TCP sustentou que Washington calculou erroneamente que o ataque intimidaria o povo venezuelano, mas aconteceu exatamente o contrário. “Eles pensaram que iríamos nos calar, que iríamos nos acovardar. E o que eles fizeram foi multiplicar a nossa força”, enfatizou.

Durante a sua intervenção, reiterou a exigência imediata e incondicional da libertação do presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e da primeira-dama, Cilia Flores, denunciando o seu sequestro por parte do Governo dos Estados Unidos.

“O povo venezuelano quer o seu presidente de volta, quer Nicolás Maduro aqui, com o seu povo”, disse ele, ao mesmo tempo em que destacou o sinal de força e resistência enviado pelo mandatário, interpretado pela mobilização como uma mensagem clara de que ele não desiste e continua ao lado do seu povo.

O líder apelou à manutenção da mobilização permanente, alertando que não é momento para desanimar ou recuar, e sublinhou que a luta actual transcende uma única pessoa.

“O projecto bolivariano não depende de um homem. O projecto bolivariano somos todos nós”, afirmou, lembrando que foi Hugo Chávez quem o concebeu como um projecto coletivo e que Nicolás Maduro aprofundou o método de direcção colectiva como ferramenta de resistência.

Numa reflexão histórica, evocou o momento após a partida física de Chávez, quando a oposição tentou desmoralizar o povo, garantindo que Maduro “não era Chávez”. “E Maduro respondeu com uma verdade histórica: ‘Vocês têm razão, eu não sou Chávez, mas juntos somos Chávez’”, recordou.

Desde o início da tarde, movimentos sociais, organizações de base, jovens, colectivos populares e militantes do PSUV concentraram-se a poucos metros do Palácio de Miraflores, com bandeiras, faixas, música e slogans, exigindo da comunidade internacional, da ONU e dos Estados latino-americanos e caribenhos uma resposta firme à agressão.

O correspondente Francisco Blandón, directamente do local da notícia, informou que a mobilização continuará nos próximos dias, até que a ordem constitucional seja restaurada e o regresso do presidente Nicolás Maduro se concretize.

As vozes de Caracas coincidiram numa advertência dirigida ao continente: o que hoje acontece na Venezuela pode repetir-se em qualquer país da América Latina, se o uso da força imperial como mecanismo de dominação se normalizar.

Fonte:

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