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Rússia denuncia a conduta “cowboy” dos EUA em relação à Venezuela

Vasili Nebenzia afirmou que, diante das agressões de Washington contra Caracas, Moscou reafirma a sua solidariedade com o povo venezuelano.

A Rússia voltou a condenar nesta terça-feira, perante o Conselho de Segurança da ONU, a atual agressão dos EUA contra a Venezuela, assinalando que Washington poderá estender a prática da intervenção a outros Estados.

“É evidente a responsabilidade de Washington pelas consequências catastróficas de tal comportamento ‘cowboy’ para os residentes do país bloqueado”, afirmou o representante permanente da Rússia nas Nações Unidas, Vasili Nebenzia.

“Temos todos os motivos para acreditar que o que os EUA estão a fazer atualmente contra a Venezuela não é uma acção pontual, trata-se de uma intervenção que pode se tornar um modelo para futuras acções militares contra outros Estados latino-americanos”, com base no “corolário Trump” à Doutrina Monroe, a directriz de política externa adotada pela Casa Branca para o hemisfério ocidental”, afirmou.

Nebenzia condenou as ações dos Estados Unidos contra a Venezuela como «um verdadeiro acto de agressão» e sublinhou que Moscovo reafirma a sua solidariedade com o povo venezuelano. Neste sentido, Nebenzia salientou que a Rússia “condena veementemente a captura de petroleiros pelo exército norte-americano e a imposição efetiva de um bloqueio marítimo”.

Venezuela sob o cerco dos EUA.

  • Desde agosto passado, os EUA mantêm o maior destacamento militar das últimas décadas nas águas do Caribe, com presença sustentada de recursos navais e aéreos. Inicialmente, Washington justificou essa operação com o argumento do suposto combate ao narcotráfico, responsabilizando, sem apresentar provas, o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro por contribuir para esse crime.
  • Com o passar dos meses, a narrativa oficial de Washington sofreu uma reviravolta previsível. Tal como denunciado pelo governo venezuelano, o suposto foco no narcotráfico deu lugar a um discurso abertamente centrado no controlo e na apropriação ilegal dos recursos energéticos do país sul-americano, num contexto de crescente pressão económica e ameaças de uso da força. Nas últimas semanas, os EUA apreenderam pelo menos dois petroleiros, num ato considerado por Caracas como «roubo» e «pirataria».
  • A operação militar norte-americana também teve consequências letais. Mais de 100 pessoas morreram em resultado de mais de uma vintena de bombardeamentos contra pequenas embarcações nas águas do Caribe e do Pacífico, sem que os EUA tenham demonstrado publicamente a ligação destas a atividades ilícitas.
  • Perante estas ações, Caracas anunciou que irá recorrer este terça-feira ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para denunciar o que qualifica como agressões militares dos EUA e uma violação do direito internacional. A Rússia declarou na segunda-feira que «oferecerá toda a sua cooperação e apoio à Venezuela contra o bloqueio», enquanto a China repudiou qualquer ação que “violar a soberania e a segurança de outros países ou constituir atos unilaterais de intimidação”.
  • Anteriormente, o presidente Nicolás Maduro enviou uma carta aos Estados-Membros das Nações Unidas, na qual alertou sobre “uma escalada de acções extremamente graves por parte do Governo dos EUA”. Na carta, ele advertiu que essas operações ameaçam desestabilizar toda a região do Caribe e o sistema internacional como um todo.

Fonte:

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