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Sheinbaum criticou a declaração de Trump sobre o fentanil como “arma de destruição em massa”

“A nossa visão sobre como lidar com o consumo de drogas é diferente. É claro que é preciso lidar com os crimes, para isso existem o Ministério Público e os juízes, mas também é preciso lidar com as causas do consumo de drogas”, afirmou a mandatária.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de declarar o fentanil como «arma de destruição em massa», considerando que tal medida não aborda as causas estruturais do consumo de drogas.

Durante a sua conferência de imprensa, Sheinbaum anunciou que o seu governo analisará o alcance do decreto, devido às suas possíveis implicações legais e sanitárias. «A nossa visão sobre como lidar com o consumo de drogas é diferente. É claro que é preciso lidar com os crimes, para isso existe um Ministério Público e juízes, mas também é preciso lidar com as causas do consumo de drogas», afirmou a mandatária.

Ela ressaltou que no México se prioriza a prevenção, a atenção à saúde mental e a reconstrução do tecido social, em vez de se concentrar apenas em abordagens punitivas.

Trump justificou sua declaração apontando que a droga mencionada “mata entre 200.000 e 300.000 pessoas por ano” nos EUA e que “nenhuma bomba tem o mesmo efeito”.

O fentanil é um opioide sintético até 50 vezes mais potente que a heroína e tornou-se a principal causa de mortes por overdose naquele país, gerando uma profunda crise de saúde pública com impacto em centenas de milhares de famílias e comunidades.

Estima-se que o consumo dessa substância custe aos EUA milhares de milhões de dólares anualmente em cuidados médicos, perda de produtividade e vidas prematuramente ceifadas.

Em resposta, Sheinbaum levantou dúvidas sobre as consequências da medida para o uso legal da droga, amplamente utilizada na medicina como anestésico. “O fentanil também tem um consumo legal. É usado como anestésico. Então, quais são as implicações para o uso legal e para o uso não legal quando se determina que é uma arma de destruição química?”, questionou.

A presidente reiterou que “se as causas não forem atendidas, será o fentanil ou outra droga”, já que o problema reside em factores como “saúde mental, desapego, valores, educação, família”. Ela alertou que, enquanto o cerne do problema não for atendido, “os jovens preferem o uso de drogas para fugir da realidade”.

Vale lembrar que Trump, no início de seu mandato, impôs tarifas ao México, Canadá e China, acusando-os de não conter o tráfico de fentanil para o solo americano. Agora, com esta nova declaração, ele reativa uma abordagem de segurança que contrasta com a postura mexicana centrada na saúde pública e na prevenção.

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