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Transportadores e comunidades indígenas mobilizam-se contra o aumento dos preços dos combustíveis na Guatemala

Os transportadores e as comunidades ancestrais da Guatemala exigem soluções estruturais face ao aumento dos preços dos combustíveis.

Representantes do sector dos transportes e membros das comunidades indígenas reuniram-se nas imediações do Congresso da República e do Palácio Nacional da Cultura, na capital da Guatemala, para manifestar o seu descontentamento face ao aumento do preço dos hidrocarbonetos.

Os protestos recomeçaram após a aprovação, pelo Parlamento, de um subsídio de 1 500 milhões de quetzais (aproximadamente 324 milhões de dólares), destinado a fixar preços de referência na bomba para o gasóleo e a gasolina normal até 31 de dezembro.

Apesar de a medida ter como objectivo atenuar as flutuações do mercado global, as organizações sociais defendem que o mecanismo se revela insuficiente face à deterioração acumulada do poder de compra.

Em declarações à nossa plataforma de informação multiplataforma teleSUR, a deputada da coligação Winaq-URNG, Sonia Gutiérrez Raguay, explicou que as comunidades indígenas e as famílias em situação de vulnerabilidade enfrentam o impacto directo do aumento dos preços dos insumos.

A deputada salientou que o aumento dos custos de transporte tem um impacto direto no preço dos alimentos da cesta básica.

Gutiérrez Raguay salientou que o país sofre um duplo impacto estrutural: a total dependência das importações de produtos refinados face à instabilidade internacional na Ásia Ocidental e a concentração oligopolística do mercado interno por parte de um setor empresarial importador.

A deputada classificou o pacote de compensação aprovado pelo Congresso como uma resposta paliativa de curto prazo que não altera as condições de fundo. Afirmou que a Guatemala precisa iniciar uma transição para um modelo energético soberano e sustentável que reduza a vulnerabilidade económica da população.

A esta situação energética junta-se a ameaça à segurança alimentar provocada por fenómenos climáticos extremos associados ao fenómeno do El Niño, condições que agravam a situação económica nas zonas rurais do país.

Gutiérrez Raguay destacou o papel histórico de coordenação política das autoridades ancestrais, como os 48 Cantões de Totonicapán e a Câmara Municipal Indígena de Sololá, na defesa dos interesses comunitários face às decisões do Estado.

Salientou a importância de os movimentos sociais e os povos indígenas ocuparem o espaço público para exigir soluções integrais, afirmando que o bem-estar coletivo exige que se abordem, de forma prioritária, as disparidades de exclusão histórica que afetam as maiorias populares.

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