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Golpe eleitoral em Honduras: «A eleição mais manipulada da nossa história», denuncia Ochoa

O conselheiro Marlon Ochoa, do CNE, denunciou que o sistema TREP é uma «armadilha», apresentando sete pontos-chave que detalham irregularidades como a eliminação do controlo biométrico, erros em 86,6% das actas e a transferência automática de votos.

O conselheiro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras, Marlon Ochoa, dirigiu-se nesta quinta-feira ao povo hondurenho numa conferência de imprensa perante a imprensa nacional e internacional sobre a «trama» de um «golpe eleitoral» no país, afirmando que o sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP) é uma «verdadeira armadilha».

Após a leitura de um documento intitulado «Golpe Eleitoral 2025», Ochoa alertou que esta poderia ser «a eleição menos transparente» e a «mais manipulada da nossa história democrática», superando até mesmo as eleições de 2013 e 2017, devido às graves falhas do TREP, à compra de votos, à intimidação e a uma «vulgar intervenção estrangeira». As suas declarações somam-se às acusações de fraude da candidata Rixi Moncada (Libre) nas eleições de 30 de novembro.

Durante a sua comparecência, marcada por suspeitas dificuldades técnicas, Ochoa expôs sete pontos-chave que sustentam a denúncia de um «golpe eleitoral»:

1. Eliminação do controlo biométrico: Na noite anterior às eleições, no sábado, 29 de novembro, por decisão das duas conselheiras do bipartidarismo, o CNE aprovou uma resolução que eliminou a verificação obrigatória entre os eleitores registados no dispositivo biométrico e os registados em cada acta, violando a Lei Eleitoral de Honduras. Esta medida facilitou a alteração dos resultados, através da «inflação» das atas.

2. Resultado escandaloso com actas erradas: Do total de 19.167 Mesas de Votação (JRV) a nível nacional, até quarta-feira, 3 de dezembro, às oito da manhã, tinham sido transmitidas 15.297 actas do nível presidencial, equivalentes a 69,8 por cento. Destas, 13.246 actas, que representam 86,6%, apresentam erros e inconsistências entre o registo biométrico e o conteúdo da acta transmitida pelo TREP. Estas inconsistências somam uma diferença de 982.412 votos.

3. Falhas estruturais deliberadas desde o simulacro: O simulacro de 9 de novembro revelou graves falhas estruturais no sistema. Verificou-se baixa capacidade na transmissão das actas, inexistência do módulo de escrutínio e do módulo de divulgação automática, bem como atribuição extraordinária de votos. Embora algumas deficiências tenham sido corrigidas, Ochoa afirmou que não foram dadas as garantias necessárias para verificar a integridade dos resultados.

4. Auditoria externa ignorada e sabotagem interna: No sábado, 29 de novembro, um dia antes das eleições, o CNE recebeu um relatório de auditoria externa que confirmava a persistência de inconsistências críticas. Ochoa tentou lê-lo em plenário, mas uma conselheira sabotou a sessão, impedindo que fossem tomadas decisões urgentes para corrigir as deficiências e mentindo publicamente sobre o conteúdo do relatório.

5. Adulteração automática do número de votos: Na noite da eleição, milhares de membros da JRV e guardiões constactaram que o sistema de transmissão TREP não lia nem interpretava correctamente os números manuscritos dos votos nas actas. O sistema atribuía números irreais, de até 600 ou 700 votos, adulterando o estabelecido nos documentos originais.

6. Fraude automatizada e transferência de votos: O sistema pulava caixas, transferindo votos de um candidato para outro e de um partido para outro. Isso confirmou a manipulação denunciada anteriormente por meio de áudios vazados.

7. Retenção de actas cruciais: Um total de 1.615 actas foram retidas dentro do sistema durante 40 horas, sem justificativa clara, o que gerou suspeitas de manipulação.

Dirigindo-se à imprensa, Marlon Ochoa lamentou que, apesar de seus avisos iniciais desde o simulacro de 9 de novembro, as falhas no sistema eleitoral tenham sido censuradas. O conselheiro negou a existência de um sistema de contingência operacional, afirmando que o «sistema de contingência 2», que segundo o contrato deveria estar pronto desde 12 de novembro (há mais de três semanas), ainda está a ser concluído pela empresa colombiana ASD.

Ochoa assinalou que, mesmo no próprio dia das eleições, 30 de novembro, às quatro ou cinco da tarde, estavam a ser feitos os últimos ajustes no sistema de divulgação dos resultados e escrutínio geral, o que evidencia a falta de preparação e as falhas estructurais.

O processo de contingência, que envolve a digitalização e transcrição de catas físicas em Tegucigalpa, vital para a rapidez dos resultados eleitorais, ainda não está concluído hoje, 5 de dezembro, cinco dias após o dia das eleições. Ochoa sublinhou que o plenário do CNE não pode alegar desconhecimento, uma vez que recebeu inúmeras advertências documentadas de técnicos, da comissão de acompanhamento do TREP e da empresa auditora externa.

Fonte:

Marlon Ochoa concluiu a sua intervenção salientando que esta eleição será lembrada não só pelas falhas no sistema de divulgação e pela concretização de um plano de fraude, mas também pela compra de votos, pela intimidação de milhares de pessoas em toda a Honduras e, em particular, pela «vulgar intervenção estrangeira» que ocorreu, que ele qualifica como inédita na região latino-americana.

O conselheiro garantiu que dele «pode-se esperar transparência absoluta» e que continuará denunciando e lutando internamente no órgão eleitoral para que a vontade popular, manipulada desde o início, seja respeitada no restante do processo. Além disso, manifestou sua preocupação com os acordos que o bipartidarismo está alcançando dentro do CNE sem a sua participação.

Estas denúncias somam-se às da candidata presidencial pelo partido governante Partido Libertad y Refundación (Libre), Rixi Moncada, que denunciou um «golpe eleitoral» devido a irregularidades técnicas, manipulação mediática e uma interferência externa sem precedentes.

Os resultados preliminares do TREP, não reconhecidos pelo Libre, mostram um empate técnico virtual entre Salvador Nasralla (Partido Liberal) e Nasry Asfura (Partido Nacional), apoiado publicamente por Donald Trump. Os mesmos resultados colocam Moncada em terceiro lugar, com cerca de 19% dos votos, um número que o seu partido rejeita.

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