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Guerra cognitiva contra Cuba, também

Contra Cuba está em curso uma das ofensivas mais prolongadas, sofisticadas e sistemáticas de agressão ideológica. Não se trata apenas de campanhas de propaganda destinadas a desacreditar um processo político específico.

Contra Cuba está em curso uma das ofensivas mais prolongadas, sofisticadas e sistemáticas de agressão ideológica. Não se trata apenas de campanhas propagandísticas destinadas a desacreditar um processo político específico. Está em acção um complexo mecanismo de colonização percetiva, disciplinamento emocional, administração semântica e captura simbólica, dirigido contra a capacidade de um povo de se narrar a si próprio a partir de coordenadas soberanas. Esta guerra é sustentada com dinheiro de industriais especialistas na produção de subjectividade, redes financeiras, plataformas tecnológicas, laboratórios académicos, indústrias culturais, agências de inteligência, conglomerados mediáticos e formas mercantis do sentido. 

Desde a vitória revolucionária, a hostilidade contra Cuba organizou-se sob uma dupla estratégia simultânea. Por um lado, o cerco material através do bloqueio económico, sabotagens, terrorismo, isolamento financeiro e agressões diplomáticas. Por outro, a instauração de uma ofensiva semiótica destinada a minar a legitimidade do projecto revolucionário dentro e fora da ilha. A coacção económica precisa de fabricar uma interpretação moral que invisibilize as suas causas e transfira a responsabilidade pelo sofrimento para as próprias vítimas. O bloqueio fabrica a sua narrativa. A escassez induzida necessita de uma pedagogia de culpabilização. A asfixia financeira exige um aparato de produção emocional capaz de converter o agressor num suposto defensor de liberdades abstratas. Guerra cognitiva como forma superior de intervenção imperial. 

Não se trata de propaganda convencional. Não visa exclusivamente o conteúdo das ideias. Penetra nos hábitos afetivos, nos automatismos culturais, nas estruturas do desejo e nas formas de reconhecimento social. O seu objectivo estratégico consiste em impedir a consolidação de uma consciência histórica autónoma, capaz de identificar as contradições estruturais do capitalismo dependente e do imperialismo. O problema central nunca residiu apenas nas reformas económicas ou na nacionalização de recursos estratégicos. O verdadeiro perigo é a dimensão pedagógica do exemplo cubano.

A própria Revolução nas mãos dos povos organizados. Por isso, a agressão mediática organiza sistemas de radiodifusão clandestina, financiamento de publicações hostis, operações psicológicas, criação de rumores e campanhas internacionais destinadas a retratar Cuba como uma anomalia histórica. A construção do inimigo deveria ocorrer através da repetição emocional, da saturação informativa e da simplificação binária. A complexidade concreta da experiência cubana deveria desaparecer sob rótulos homogéneos. A palavra «ditadura» funcionou como um condensador ideológico destinado a anular qualquer análise estrutural do conflito. E o seu aparato mediático burguês e transnacional desempenha um papel decisivo nesta agressão.

As suas corporações monopolistas no sector da comunicação produzem, há décadas, uma narrativa homogénea baseada na repetição de clichés padronizados. A ilha é frequentemente retratada como um espaço congelado no tempo, uma prisão geográfica, um território de ruínas ou um cenário exótico de carências permanentes. A estetização da precariedade cumpre aqui uma função política precisa. A pobreza resultante do bloqueio transforma-se num espetáculo cultural despolitizado. O sofrimento concreto da população transforma-se numa mercadoria visual consumível por audiências globais. A violência estrutural desaparece por trás de imagens românticas ou miserabilistas cuidadosamente administradas. Esta infâmia intensificou-se com a expansão das plataformas digitais e das redes sociais. A guerra cognitiva contemporânea já não depende exclusivamente dos «grandes meios de comunicação» centralizados. 

Funciona através de ecossistemas algorítmicos capazes de distorcer emoções, polarizar perceções e acelerar a circulação de conteúdos ridículos. A economia digital do escândalo favorece mensagens imediatas, reacções impulsivas e narrativas fragmentadas. Nesse ambiente, a complexidade histórica é substituída por slogans virais. Cuba transforma-se no alvo privilegiado de campanhas coordenadas onde bots, influenciadores financiados, operadores políticos e plataformas transnacionais convergem na produção de tendências artificiais. Não são poucos os sectores intelectuais que reproduzem estas matrizes coloniais. Sob discursos aparentemente progressistas, repete-se muitas vezes o vocabulário dos centros imperiais.

Conceitos deshistorizados de democracia, liberdade ou direitos humanos são utilizados selectivamente para condenar experiências anti-imperialistas, ao mesmo tempo que se silenciam as violências estruturais produzidas pelo capitalismo dependente. Esquecem, omitem ou ocultam o bloqueio. Tal assimetria revela até que ponto a hegemonia burguesa actua sobre as próprias formas do pensamento crítico. A colonização cultural atinge até mesmo aqueles que acreditam combatê-la. As conquistas sociais alcançadas nas áreas da saúde, educação, ciência e solidariedade internacionalista são sistematicamente minimizadas ou dissociadas das suas condições históricas concretas.

A participação cubana nas lutas anticoloniais africanas, o envio em massa de médicos para regiões carenciadas e a construção de sistemas públicos universais raramente recebem a atenção mediática concedida a qualquer conflito interno da ilha. A selecção informativa raramente é inocente. Essa disputa pelo sentido desenrola-se hoje em condições tecnológicas inéditas. As suas plataformas digitais transnacionais possuem uma capacidade sem precedentes para modular a visibilidade, hierarquizar conteúdos e administrar fluxos afectivos colectivos. Os algoritmos não são entidades metafísicas autónomas. 

Expressam prioridades económicas, ideológicas e geopolíticas específicas. Quando as plataformas privilegiam conteúdos polarizantes ou sensacionalistas, contribuem objectivamente para destruir as condições mínimas necessárias a uma análise histórica rigorosa. Tudo isto em relação a Cuba acaba por revelar uma verdade mais ampla sobre o capitalismo: a produção industrial de medo, desinformação e fragmentação subjectiva transforma-se num requisito estrutural da governabilidade.

Perante este cenário, a construção de uma consciência histórica crítica constitui uma necessidade civilizacional. Defender a capacidade dos povos de interpretar autonomamente a sua experiência histórica representa hoje uma tarefa indissociável da luta pela emancipação social. Cuba ocupa um lugar central neste confronto porque simboliza a persistência inabalável de uma vontade soberana face ao capitalismo e aos seus sistemas de agressão multidimensional e macabra, prolongados até à ignomínia.

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Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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