Cuba “Colapsa”? A farsa da imprensa portuguesa e a verdade do bloqueio
Há dias, Cuba ficou às escuras. Não foi um acidente, não foi uma falha técnica, não foi o resultado de um modelo económico falido. Foi um acto de guerra. Um cerco energético calculado em Washington, executado com a frieza de quem sabe que cada minuto sem luz significa uma criança sem medicamentos, um hospital sem condições, uma vida que se apaga.
Enquanto isso, a imprensa portuguesa – a mesma que deveria informar – escrevia sobre ‘infraestructuras obsoletas’ e ‘colapso interno’. Como se Cuba fosse responsável pelo crime de que é vítima. Como se o bloqueio não fosse a causa de tudo.
Este artigo é a resposta. Uma resposta com factos, com documentos e com a verdade que eles tentam esconder.
A imprensa portuguesa (SIC, CNN Portugal, RTP, JN e DN) estão a seguir uma cartilha bem definida: apresentar a crise energética em Cuba como um “colapso” interno, resultado de um “modelo económico falido”, e reduzir o bloqueio dos EUA a um mero detalhe ou a um “golpe final” num cenário já de si insustentável. Esta narrativa tem um objectivo claro: legitimar o cerco criminoso de Washington e preparar a opinião pública para aceitar o que quer que venha a seguir.
Vamos desmontar esta farsa.
A mentira da “Infraestructura Obsoleta” e do “Subfinanciamento crónico”
O que a imprensa portuguesa diz:
O DN e a RTP argumentam que a crise se deve a “infraestructuras obsoletas”, “subfinanciamento crónico” e “sistemas envelhecidos”. A SIC e o JN ecoam esta narrativa, focando-se nas avarias e na falta de manutenção.
A verdade que eles escondem:
A “obsolescência” da infraestructura cubana não é um acidente da natureza, nem o resultado de uma má gestão. É a consequência directa e desejada de seis décadas de bloqueio dos EUA. O bloqueio impede Cuba de adquirir peças sobressalentes, tecnologia e equipamentos modernos no mercado internacional. É um cerco que visa exactamente paralisar o país.
Facto: O bloqueio dos EUA impede Cuba de importar qualquer componente que contenha mais de 10% de tecnologia norte-americana. Isto torna a manutenção de infraestructuras complexas, como as termoeléctricas, um desafio hercúleo.
Facto: A RTP admite, no seu próprio artigo, que seriam necessários “entre oito mil a 10 mil milhões de euros para requalificar o sistema energético cubano”. O que a RTP não diz é que este montante é exactamente o tipo de investimento que o bloqueio dos EUA impede, ao afastar investidores e ao bloquear o acesso a financiamento internacional.
A culpa não é da “infraestructura obsoleta”. A culpa é de quem a mantém obsoleta de propósito.
A falsidade do “Fim do petróleo subsidiado da Venezuela”
O que a imprensa portuguesa diz:
O DN, em particular, insiste que a crise actual é resultado do “fim da muleta venezuelana” e do “erro de cálculo” cubano ao depender de “subsídios externos”. A narrativa é que Cuba ficou exposta por ter um modelo económico que não gera divisas.
A verdade que eles escondem:
O petróleo venezuelano não “acabou” por acaso. Foi cortado pelos EUA como parte de uma operação militar que sequestrou Nicolás Maduro e forçou uma crise constitucional. Mas aqui está o que a imprensa portuguesa, no seu zelo propagandístico, deliberadamente omite:
Delcy Rodríguez não foi “imposta” por Washington. É a presidente encarregada segundo a Constituição da República Bolivariana da Venezuela. Foi empossada em 5 de janeiro de 2026 pela Assembleia Nacional, com base no artigo 233 da Constituição, que prevê a sucessão presidencial em caso de “ausência forçosa” do chefe de Estado. O Tribunal Supremo de Justiça validou a sua nomeação para garantir a continuidade do Estado. É a lei venezuelana, não a vontade de Washington, que a coloca onde está.
E a Venezuela, mesmo sob cerco e com a sua economia a sangrar, continua a ajudar Cuba. Não ao nível de antes, porque os EUA interditaram os navios e ameaçaram sanções a quem transportasse petróleo. Mas a solidariedade entre os dois povos não se apaga com um decreto de Trump.
A imprensa portuguesa, ao apresentar Delcy Rodríguez como uma marioneta de Washington e ao decretar o “fim da aliança”, não está a fazer jornalismo. Está a servir a narrativa do império. Está a transformar um crime – a captura de Maduro e a imposição de um cerco energético – num “fracasso” de Cuba e da Venezuela.
A verdade é mais simples e mais dura: os EUA cortaram o petróleo a Cuba. Não foi um erro de cálculo cubano. Foi um acto de agressão planeado. E a Venezuela, mesmo sob chantagem, mesmo com a sua presidente encarregada a ser acusada de submissão, mantém-se ao lado de Cuba – porque a irmandade entre os dois povos não se negocia.
Facto: Desde janeiro de 2026, os EUA ameaçaram sancionar qualquer país que vendesse ou fornecesse petróleo a Cuba. A interrupção do fornecimento venezuelano é parte desta estratégia de asfixia.
Facto: Cuba só produz cerca de 20% do combustível que necessita. A dependência de importações não é uma escolha ideológica – é a realidade de uma pequena ilha que é forçada a depender de aliados porque o mercado global lhe é negado pelo bloqueio dos EUA.
Chamar a esta dependência uma “muleta” é, no mínimo, de uma desonestidade intelectual ofensiva. Cuba não escolheu depender da Venezuela – foi forçada a fazê-lo pela política de cerco dos EUA.
A hipocrisia da “Falta de garantias económicas” e do “Risco de crédito”
O que a imprensa portuguesa diz:
O DN afirma que Cuba “não oferece qualquer garantia económica” devido a um “historial crónico de incumprimento” e à “rejeição da abertura ao capital privado”. A ideia é que o país é financeiramente inviável e que as sanções são apenas o “golpe final”.
A verdade que eles escondem:
O “historial de incumprimento” de Cuba não é uma questão de má gestão – é o resultado de décadas de bloqueio económico que impedem o país de gerar receitas e de aceder a financiamento internacional em condições normais.
Facto: O bloqueio dos EUA a Cuba já causou danos avaliados em muitos milhares de milhões de dólares ao longo de 67 anos. Este dinheiro, se não tivesse sido roubado pelo cerco, poderia ter sido investido na modernização da infraestructura.
Facto: A dívida externa de Cuba é uma consequência directa do bloqueio, que a força a recorrer a financiamentos de emergência em condições desfavoráveis.
A culpa não é da “falta de garantias” de Cuba. A culpa é de quem cria as condições para que Cuba não as possa ter.
A mentira do “Esgotamento de alianças”
O que a imprensa portuguesa diz:
O DN afirma que Cuba “esgotou os seus recursos e as suas alianças”, insinuando que a ilha está isolada e sem apoio internacional.
A verdade que eles escondem:
Cuba não esgotou as suas alianças. Tem aliados activos e dispostos a ajudar – Rússia, China, Vietname, México, Irão, entre outros. O que a imprensa portuguesa esconde é que a ajuda destes aliados está a ser bloqueada fisicamente pelos EUA.
Facto: A Rússia enviou um navio com 730 mil barris de petróleo para Cuba em março, e prepara-se para enviar mais. A China também ofereceu apoio.
Facto: O navio russo Universal, com 270 mil barris de diesel, foi forçado pelos EUA a desviar-se e permanece à deriva, sem conseguir chegar a Cuba. O México tentou enviar combustível, mas os seus petroleiros também foram bloqueados.
Facto: O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, denunciou que os EUA estão a impor um “bloqueio total, semelhante a um bloqueio militar”, impedindo a chegada de ajuda humanitária.
A culpa não é da falta de aliados. A culpa é de quem impede fisicamente que a ajuda chegue.
O silêncio cúmplice sobre o genocídio
O que a imprensa portuguesa omite:
A grande imprensa portuguesa trata a crise energética como um problema técnico ou económico. Raramente, ou nunca, a apresenta pelo que realmente é: um acto de genocídio, um castigo colectivo e uma violação massiva dos direitos humanos.
A verdade que eles não querem que saibas:
Facto: A ONU já denunciou que o bloqueio está a causar a morte de crianças em Cuba.
Facto: Milhares de cirurgias foram canceladas e hospitais estão a funcionar sem condições mínimas. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos afirmou: “As crianças estão a morrer porque os médicos não têm acesso a suprimentos e medicamentos essenciais. Isto é inaceitável.”
Facto: Mais de 32.000 mulheres grávidas foram afectadas pela falta de medicamentos e cuidados de saúde devido ao bloqueio.
A imprensa portuguesa, ao tratar esta crise como um “colapso” técnico, está a normalizar um genocídio em câmara lenta.
O telegrama que condena Washington
“Enquanto a imprensa portuguesa insiste em culpar Cuba, um documento secreto, agora revelado, prova que a crise é um acto de guerra orquestrado por Washington.
O Telegrama Filtrado de Marco Rubio (The Nation / Razones de Cuba): O Secretário de Estado dos EUA instrui as embaixadas a sabotar o debate na ONU sobre o bloqueio a Cuba, agendado para 7 de julho
O plano de Rubio, detalhado no telegrama, é triplo:
Aliados próximos devem “repreender Cuba pela sua devoção a uma teoria económica totalmente desacreditada”.
Países não alinhados devem “abster-se de fazer qualquer declaração”.
Países que apoiam Cuba são ameaçados: devem ser “extremamente cuidadosos” e os EUA “prestarão muita atenção”.
A Hipocrisia da Ajuda: O telegrama afirma que os EUA ofereceram 100 milhões em ajuda, mas a realidade é uma guerra económica aberta: bloqueio petrolífero, sanções a empresas estrangeiras e ameaças a quem tenta ajudar.”
A imprensa que sabe a verdade
“E não são apenas os activistas que o dizem. Cubadebate revela que a própria imprensa dos EUA reconhece o cerco económico, financeiro e energético contra Cuba, vincula-o a decisões de Washington e demonstra que nomear o bloqueio gera maior resposta pública do que ocultá-lo.
Até a imprensa do país que impõe o bloqueio admite a verdade. A imprensa portuguesa, ao contrário, insiste em culpar a vítima e esconder o papel do agressor.”
Conclusão: A verdade está nos documentos
“Não são opiniões. Não são teorias. São documentos oficiais, telegramas diplomáticos filtrados, relatos da imprensa internacional. Eles provam que Cuba não está em colapso – está a ser assassinada por um cerco criminoso que Washington tenta impor com o silêncio cúmplice da imprensa portuguesa.
Enquanto a imprensa portuguesa escreve sobre “infraestructuras obsoletas” e “modelos económicos falidos”, o Secretário de Estado dos EUA instruí os seus embaixadores a silenciar o mundo. Enquanto especulam sobre o “fim das alianças”, a Rússia tenta enviar petróleo e os EUA interditam os navios no mar.
A verdade é uma só: Cuba resiste. E nós, Cuba Soberana, com estes documentos, temos a prova de que a imprensa portuguesa mente. Temos a prova de que o bloqueio é um crime. E temos a prova de que a verdade, mais cedo ou mais tarde, virá ao de cima.
Um povo que não se rende
E, no fim de tudo, há uma verdade que a imprensa portuguesa nunca conseguirá apagar: Cuba resiste.
Não resiste porque tem armas ou dinheiro. Resiste porque tem um povo que, ao longo de mais de seis décadas, aguentou o que nenhum outro povo no mundo aguentaria. Mais de Sessenta de bloqueio. Mais de Sessenta anos de sanções. Mais de Sessenta anos de uma guerra económica que mataria qualquer outra nação. E Cuba continua de pé.
Quando a luz falta, os cubanos acendem velas. Quando a comida escasseia, partilham o que têm. Quando o inimigo aperta o cerco, eles inventam. São mecânicos que fazem milagres com peças obsoletas, cientistas que criam vacinas com recursos mínimos, professores que ensinam à luz de lanternas, mães que transformam o pouco num banquete de ternura.
O governo revolucionário, que a imprensa portuguesa insiste em chamar de “regime”, não é um grupo de dirigentes isolados. É a expressão de um povo que, há 67 anos, escolheu a dignidade em vez da submissão. Que preferiu a pobreza com soberania à riqueza com rendição. Que, mesmo sob o cerco mais longo e cruel da história, não abdicou da sua saúde, da sua educação, da sua solidariedade internacionalista.
Nenhum outro povo no mundo aguentaria o que Cuba aguentou.
E, no entanto, aí estão eles. De pé. A resistir. A inventar. A sorrir, mesmo no escuro.
É por isso que, mesmo longe, mesmo com a imprensa a mentir, mesmo com o império a apertar o cerco, nós continuamos ao lado de Cuba. Porque o que eles fazem não é apenas uma luta por uma ilha – é uma luta pela dignidade de todos os povos.
Cuba resiste. Cuba vencerá.
E, enquanto houver um activista que não se cale, enquanto houver uma voz que denuncie, enquanto houver um camarada disposto a viajar para ver com os próprios olhos – Cuba nunca estará sozinha.
¡Pátria o Muerte, Venceremos!
Fontes de consulta:
Imprensa Portuguesa (A Narrativa Desmontada)
SIC Notícias
CNN Portugal
RTP
Jornal de Notícias (JN)
Diário de Notícias (DN)
A Prova Documental: O Telegrama Filtrado de Marco Rubio
Razones de Cuba
Amanecer Cubano 3 Jul 2026: Díaz-Canel en Sky News, cable de Rubio y reformas
Cable Rubio filtrado: presión de EE.UU. en la ONU contra Cuba
The Nation
A Verdade que a Imprensa Portuguesa Esconde
Cubadebate
Granma
Declarações Oficiais e Contexto
Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba
Statement by Bruno Rodríguez Parrilla at a press conference regarding the UN General Assembly debate
Outras fontes
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Paulo Jorge da Silva | Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.

