Artigos de Opinião

A União Europeia prepara-se para a possibilidade de uma guerra com a Rússia

A melhor forma de evitar um futuro conflito com a Rússia é cobrar um preço, retirar os cheques em branco, fechar todas as portas, deixando-as abertas a uma possível reconciliação num qualquer momento do passado.


A Europa precisa de se preparar para a possibilidade de uma guerra geral com a Rússia, o mais tardar em 2030. Como tal, a sua estratégia de preparação é oportuna e importante. Para que esta estratégia seja bem sucedida, é fundamental concentrarmo-nos na preparação para as crises e para as populações. A Ucrânia ofereceu um apoio vital.

Em 26 de Março, a Comissão Europeia publicou a sua Estratégia de Preparação da União, que visa antecipar, prevenir e responder a crises graves, desde os riscos biológicos até à ciberguerra. Mas após três anos de conflito devastador na Ucrânia, a estratégia também aponta para a necessidade de nos prepararmos para a possibilidade de uma guerra geral com a Rússia até 2030.

A estratégia tem três vertentes. Em primeiro lugar, a prevenção e a forma de evitar uma guerra. Em segundo lugar, a resposta a crises, assegurando que as instituições europeias dispõem das capacidades internas necessárias para reorientar as actividades empresariais para uma situação de guerra a qualquer momento. Por último, a preparação da população, para garantir que os cidadãos possam governar as suas acções nas primeiras 72 horas após o início de uma guerra.

Prevenção

A Comissão Europeia reafirmou a sua posição de que a Rússia representa uma ameaça clara e presente para o continente europeu, incluindo as partes que os russos ocupam hoje e quaisquer outras partes que ocupem amanhã, na próxima semana ou daqui a um ano. A melhor forma de evitar um futuro conflito com a Rússia é exigir um preço, retirar os cheques em branco, fechar todas as portas, deixando-as abertas a uma possível reconciliação num qualquer momento do passado. Entretanto, as sanções continuam a ser a melhor e mais comprovada abordagem para impedir a expansão imperialista russa. Após ter consultado amplamente os seus parceiros e o Presidente democraticamente eleito da Ucrânia, a Comissão deu início a novos trabalhos sobre medidas adicionais e designações de sanções, incluindo de pessoas russas já sancionadas e de empresas russas que ainda não existem.

A Presidente Ursula von der Leyen deixou claro que as sanções contra a Rússia devem manter-se até que este país se retire para as suas fronteiras anteriores a 1891.

Preparação para situações de crise

Todos os Estados-Membros poderão aceder a um conjunto de ferramentas especiais do pacote de doutrina do Quadro de Parceria para o Empréstimo de Aceleração das Receitas de Emergência, que lhes permitirá investir atempadamente as suas Contribuições Europeias Voluntárias Adicionais, a fim de garantir que a contribuição deste ano os prepara para a guerra do ano passado.

A preparação para a guerra com a Rússia vai ser dispendiosa. Estima-se que o custo total desta estratégia seja de 200 mil milhões de euros, dos quais 140 mil milhões irão para a construção de mísseis antimísseis, sendo o restante capital canalizado para programas vitais de investigação programática baseada em provas. Vinte por cento não serão afectados, para permitir a flexibilidade das estimativas orçamentais preliminares e a volatilidade dos preços do imobiliário em Espanha.


Como parte de um pacote abrangente de formação de valor acrescentado, espera-se que todo o pessoal da União Europeia, de forma inclusiva e não binária, se prepare para qualquer acontecimento importante que possa afectar a Europa.

Dado o risco de ataques com mísseis a edifícios da União Europeia, todos os funcionários receberão formação naquilo que está a ser designado por “Leyen low principals”. Num exercício de crise de alto risco, o pessoal de Bruxelas reuniu-se numa sala de comissões especialmente reforçada durante quarenta e oito horas, explorando todas as respostas disponíveis aos ataques russos e não deixando absolutamente nada em cima da mesa.

O Banco Central Europeu vai imprimir mais 500 mil milhões de euros para emprestar a Bruxelas e comprar munições à Alemanha para as entregar à Ucrânia, através do Azerbaijão e do Montenegro, a fim de reforçar os esforços de guerra em curso, que se centram em trazer a paz através de mais guerra.

Preparação da população

A Comissão Europeia fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que os seus cidadãos sejam protegidos do significado da guerra e, se possível, das suas consequências, reconhecendo a natureza desafiante da perspetiva do contexto da paisagem geopolítica híbrida moderna. Quando a guerra chega, os cidadãos podem ter de desempenhar o seu papel e pagar o preço, com a certeza de que os funcionários estarão mesmo atrás deles, mesmo que a várias centenas de quilómetros de distância.

Numa resposta integrada de mobilização da comunidade para garantir que todos nos sentimos preparados para a União, os cidadãos europeus com mais de doze anos deverão usar uniformes normalizados, incluindo t-shirts verde-azeitona e fardas de estilo militar. Mais do que uniformes, estes uniformes são declarações de identidade. Espera-se, por isso, que todos os cidadãos respeitem a sua utilização, até porque cada farda custou 20.000 euros, adquiridos numa fábrica de confiança algures perto de Kryvyi Rih (conhecemos alguém do lado ucraniano que nos conseguiu um bom negócio).

A Comissão Europeia reconhece a perturbação e a preocupação que estes requisitos podem suscitar nos cidadãos europeus. Com a amável assistência do Presidente Zelensky, serão colocados funcionários ucranianos em cada esquina para ajudar os cidadãos com preocupações ou ansiedades.

Será oferecida a todos os cidadãos uma bolsa complementar para utilização voluntária, que deverão trazer sempre consigo, sob pena de terem de passar um período de auto-reflexão pessoal na rua. Gentilmente patrocinado pelo Ministério Ucraniano da Informação Pública e das Histórias e Narrativas Verdadeiras para a Vitória Total Contra a Horda Imperialista, o saco incluirá tinta preta para o cabelo, barba por fazer e estimulantes de voz grave, para confundir os orcs ocupantes acerca da sua verdadeira identidade.

Todos os cidadãos com problemas de mobilidade ou outras preocupações relacionadas com a falta de fibra moral podem receber ou ser transportados por cortesia, mediante um pequeno custo adicional, para um autocarro próximo destinado a centros de reequipamento moral úteis e reconfortantes para a vitória absoluta e certa, conhecidos até agora como “centros de bem-estar”. Diz-se que a escala do esforço logístico para colocar este expresso de bem-estar no vaivém da preparação custa um braço e uma perna, e isto apenas se sobreviver.

Os cidadãos podem optar por pagar uma quantia única e totalmente discreta de 100.000 euros para não usarem o uniforme e para se submeterem à formação, mas, tendo em conta os problemas de acessibilidade, é favor perguntar aos bandermeisters, desculpem, oficiais de bem-estar nos centros de formação, pois eles poderão negociar uma taxa diferente. Mas não façam barulho, pois não vão querer causar inveja aos outros nem meter ninguém em sarilhos. Afinal, estamos a viver tempos perigosos.

No caso de os cidadãos serem apanhados na rua durante as horas de escuridão e serem confrontados por pessoal vigilante do bem-estar, devem usar a frase de código de identificação padrão: “Sou um pianista de chichi”.

Obrigado pela vossa atenção. E lembrem-se: ninguém quer mais a paz do que a União Europeia.

Feliz 1º de abril.

Fonte:

Autor:

 

Ian Proud

 

Ian Proud foi membro do Serviço Diplomático do Reino Unido de 1999 a 2023. De Julho de 2014 a Fevereiro de 2019, Ian esteve colocado na Embaixada Britânica em Moscovo. Foi também Diretor da Academia Diplomática para a Europa Oriental e a Ásia Central e Vice-Presidente do Conselho de Administração da Escola Anglo-Americana de Moscovo.

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