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Crise histórica nas vendas dos supermercados

A consultora Scanntech registou uma queda de 2,9% em relação a abril e de 4,2% em relação a 2025. Com excepção do sector alimentar, todos os setores registaram vendas negativas. No sector das bebidas, verificou-se uma queda histórica. E o desodorizante é o produto menos vendido no sector da higiene pessoal.

O mês de maio é um déjà vu dos mais de 24 meses em que Javier Milei está no poder: o consumo voltou a cair drasticamente e tanto os dados privados como os públicos revelam uma situação raramente vista em supermercados e lojas de bairro. As vendas continuam sem recuperar e não apontam para um futuro próspero.

A Página I12 teve acesso ao último relatório da consultora Scanntech, que revela que o consumo caiu 2,9% em relação a abril e 4,2% em relação a maio do ano passado. A situação é inédita, pois trata-se de quedas em termos homólogos que já se prolongam há mais de dois anos e que continuam a agravar-se. Com excepção do sector dos alimentos básicos, os restantes setores registaram quedas nas vendas e o setor das bebidas está em frangalhos, com quedas em termos homólogos superiores a 10 pontos percentuais.

Não há mistérios que expliquem o fenómeno: a queda acentuada dos rendimentos da população e os preços elevados dos bens essenciais são as razões por detrás da «malária comercial».

O trabalho da Scanntech — uma empresa que conta entre os seus investidores com a Endeavor, que reúne os CEOs do sector tecnológico mais próximos de Milei — mostra que, quando analisado por segmentos, o sector Alimentar registou um aumento de 1,3% em relação ao ano anterior, um valor quase insignificante, tendo em conta que as bases de comparação são muito desfavoráveis e que, além disso, este é o sector que, devido ao crescimento populacional, está de facto a crescer.

«Com exceção da categoria de Alimentos, todas as outras registam uma queda no consumo, tanto na comparação mensal como na comparação anual», precisou o relatório. O sector mais afectado desde que Milei assumiu o governo é o das Bebidas. As empresas encontram-se numa situação crítica, porque as cervejarias e as empresas de refrigerantes e águas não vendem no verão, a sua época alta, e as restantes também não vendem no inverno. Há já dois anos que registam quedas de quase 20 por cento em termos interanuais por empresa.

O que diz a Scanntech sobre maio? Que as vendas de bebidas caíram 9% em relação ao mesmo período do ano anterior e 8,3% em relação a abril. O que é interessante no sector das bebidas é ver o que está a cair mais, o que também revela o nível de risco em que se encontram os salários e o poder de compra das pessoas.

O que mais registou uma queda nas vendas de bebidas foram os sumos em pó, o produto mais barato, com uma queda de 18,1%. Em segundo lugar ficaram as águas aromatizadas, com uma queda de 13%, e em terceiro lugar os refrigerantes, com uma queda de quase 7 pontos percentuais. Os vinhos, por sua vez, registaram uma queda de 1,8%.

Mas o sector das Bebidas não é o único em dificuldades. Os Produtos de Limpeza registaram uma queda de 9,4% em termos homólogos e de 5,4% em termos mensais. Por sua vez, o sector dos Cuidados Pessoais registou uma queda de 2,6% nas vendas em termos homólogos. No caso dos Produtos de Higiene Pessoal, os que mais registaram quedas nas vendas foram os Desodorizantes, com uma descida de 12,7%; o Champô, com uma descida de 7,2%; e a pasta de dentes, com uma descida de 4,7%.

No que diz respeito à limpeza doméstica, a situação está tão delicada que as vendas de lixívia caíram 11,2% em relação ao ano anterior.

Não há formato que se salve

Os dados apresentados pela Scanntech são semelhantes aos dos grandes supermercados e serão confirmados por outras empresas de consultoria, como a Scentia, dentro de alguns dias.

O relatório da Scanntech refere ainda que não há praticamente diferença no desempenho das vendas entre os diferentes formatos. Nos supermercados de pequena dimensão, a queda no consumo em maio foi de 1,5%; nos de média dimensão, foi de 2,5%; enquanto nos de grande dimensão, a queda foi de 3,7% em termos homólogos. Este dado é importante, porque são os de grande dimensão que oferecem mais promoções e descontos, incluindo carteiras virtuais e sem limite, mas mesmo assim registam uma queda acentuada no consumo.

Além disso, há um dado revelador no estudo: o valor médio da compra mais elevado verifica-se nos hipermercados e é de apenas 12 mil pesos, ou seja, não chega a ser nem uma fracção mínima de um carrinho cheio. O estudo indica que esse valor corresponde a pouco mais de 5 unidades compradas. Nas lojas mais pequenas, por sua vez, o valor médio da compra mal ultrapassa os 8 mil pesos, o que equivale a pouco mais de 3 unidades.

Por fim, divulgam a queda nas vendas por região: na AMBA, a queda foi de 3,2% em termos homólogos; no Litoral e no Norte, de 2,3%; e no Centro e no Sul, de 6,7%. Vale referir que, em todas as regiões, para além da queda em termos homólogos, se registaram quedas nas vendas em comparação com abril deste ano.

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