Cuba

Festival de Cinema de Havana com uma representação variada de Cuba

O 46º Festival do Novo Cinema Latino-Americano de Havana, de 4 a 14 de dezembro próximo, terá uma variada proposta cubana em disputa pelos prémios Coral e de exibição.

Dedicado ao centenário do renomado intelectual Alfredo Guevara, um dos fundadores do Instituto Cubano do Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) e grande promotor do desenvolvimento audiovisual e cultural nacional, o evento conta com a participação de 222 obras de 42 países.

Nesse amplo espectro de longas-metragens de ficção, óperas primas, documentários, curtas-metragens, animações e outras categorias, este ano aparecem na selecção oficial vários filmes nacionais que foram destacados pelo crítico de cinema Joel del Río, num artigo no jornal Juventud Rebelde.

Neurótica anónima é um deles, baseado na peça teatral homónima, que chega dirigido pelos reconhecidos actores Jorge Perugorría e Mirta Ibarra — também autora da encenação —, esta última no papel principal de Iluminada, cujas frustrações lhe provocam uma neurose: viver como se estivesse sempre dentro de um filme.

Del Río destaca que no elenco também se destacam as atuações de Fernando Hechevarría, que interpreta um arquiteto; Osvaldo Doimeadiós (o psiquiatra); Andrea Doimeadiós (Iluminada jovem), Néstor Jiménez, Paula Alí, Tahimi Alvariño, Bárbaro Marín, Mario Limonta, Hilario Peña, Félix Beatón e Luis Silva, entre muitos outros.

Entre os títulos cubanos de longas-metragens de ficção está também Cherri, de Fabián Suárez, que desta vez seguiu a história de um coreógrafo gay, com excesso de peso, que trabalha numa companhia de balé para pessoas de tamanho grande enquanto cuida do seu marido deficiente.

«Fabián costuma trabalhar num cinema de marca autoral marcante, pessoal, com toques de experimentação e simbolismo. Aqui, ele volta a abordar temas que lhe são muito próximos, como o desejo insatisfeito, a lealdade, o amor como o mais complicado dos sentimentos humanos e a fé em segundas ou terceiras oportunidades», comentou o crítico de cinema.

No concurso de óperas primas, a única representante cubana é Baracoa, uma coprodução com a Itália, com roteiro e direcção de Luis Ernesto Doñas.

Segundo o autor, «conta a viagem física e pessoal de dois homens, totalmente opostos, que atravessam a ilha com uma promessa a cumprir e feridas a sarar. É uma história sobre amizade, identidade e amor. Há muitas Cubas e cada uma delas define cada personagem».

Nas curtas-metragens de ficção estão as obras Anba Dlo, de Rosa Caldeira e Luiza Calagian; Casting para Carmen, de Patricia Rodda; El último juego, de Daniel Chile; Norheimsund, de Ana Alpízar; Primera enseñanza, de Aria Sánchez e Marina Meira; Pupa, de Leandro de la Rosa; e Ponto cego, de Marcel Beltrán, que a dirigiu no Brasil.

Na disputa pelo prémio Coral em longa-metragem documental, o cinema cubano será representado por Mijaín, dos realizadores Rolando Almirante, Ángel Alderete e Héctor Villar, um retrato do desportista Mijaín López, cinco vezes campeão olímpico de luta greco-romana, considerado um dos melhores lutadores de todos os tempos.

Também competem pelos maiores prémios do festival de Havana os curtas-metragens documentais Tiempo detenido, de Ariagna Fajardo, e Dormidos sobre rodillas calientes, realizado em Cuba pelo italiano Giuseppe Polerá.

Na secção de animação, concorrem os curtas nacionais La niña y el mar, de Ray Ortega; Mi mejor amiga, de Ruth Garaicoa; Rapto, de Ivette Ávila; e El jardín, co-realizado por Miguel Alejandro Machado e Carolina Fernández-Vega.

Joel del Río esclareceu que na sua seleção podem ter ficado de fora «involuntariamente, alguns títulos cubanos que fazem parte do evento, mas quisemos promover, pelo menos, os mais inovadores e menos conhecidos» para evidenciar que «o cinema cubano está em movimento e abrange espaços diversos e extraordinários».

Fonte:

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