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Mariana, a mãe da pátria no seu 210º aniversário

12 de julho de 1815: nascimento de Mariana Grajales Cuello em Santiago de Cuba. O abraço às Caraíbas estava-lhe no sangue, através dos seus pais.

O seu pai, José Grajales, da República Dominicana; a sua mãe, Teresa Cuello, de Santiago. Mais tarde, e ao longo de toda a sua vida, esta ligação com as Caraíbas, através do contacto com mulheres e homens dessa linhagem, tornar-se-ia recorrente e, no final, a sua morte na Jamaica simbolizou essa ligação de forma ainda mais forte. Ali passou à imortalidade rodeada de filhos e netos, tanto cubanos como jamaicanos, pois na ilha irmã nasceu, por exemplo, Toñito, filho único do general António, que talvez por respeito à heroína María Cabrales não tenha podido mimar como desejaria.

Mariana casou muito cedo, antes dos dezasseis anos, com Fructuoso Regüeiferos – com a autorização do pai – e ficou sozinha com três filhos, aos quais se juntaram outros onze após a sua união com Marcos Maceo. Um deles, o mais novo, por infortúnios do destino, morreu com apenas 15 dias de idade. Os outros treze, crianças, mulheres e até o velho pai, partiram para a manigua redentora apenas três dias depois da chamada de Céspedes em La Demajagua, a 10 de outubro de 1868.

Mas antes de partirem todos para as fileiras da Revolução, Mariana quis ter mais uma prova – desnecessária, pois já tinham demonstrado o seu compromisso inviolável – de que nunca trairiam a pátria, e fê-los jurar perante Jesus Cristo, todos solenemente ajoelhados, novos e velhos, diante do crucifixo.

E assim foi. Todos caíram nas batalhas. Alguns foram feridos mortalmente, como Justo Germán, o velho Marcos – o hórmon da família -, Julio, Miguel… Outros, gravemente feridos em combate, como Antonio, que sobreviveu em várias ocasiões graças aos cuidados dispensados pela sua heróica mãe, que também esteve nos campos de batalha. Desde a mais tenra idade. Por isso esteve no início da invasão de Guantánamo, e depois deslocou-se com as tropas cubanas por quase todo o Oriente feroz, tratando os feridos, atendendo as parturientes, ajudando nas prefeituras em tudo o que era necessário para garantir a retaguarda do Mambo. Ou empunhando uma espingarda ou empunhando uma catana, conforme o caso.

Dos seus onze filhos, apenas três viram o fim das guerras: oito caíram cumprindo o seu compromisso jurado em Majaguabo. Exemplos semelhantes de dedicação não são raros nas histórias das famílias revolucionárias cubanas; mas, neste caso, o que é verdadeiramente excecional é, em primeiro lugar, o facto de todos os membros desta linhagem terem abraçado a causa da independência como resultado das ideias que moldaram através das suas próprias experiências de vida, das suas leituras e das suas relações com pessoas ligadas aos processos conspiratórios anteriores a outubro de 1968.

A sua incorporação, portanto, não foi fruto do acaso ou do entusiasmo de uma notícia empolgante que chegou por acaso. Foi, em todo o caso, a materialização de um desejo, de um objectivo já discutido e muitas vezes meditado por todos. Esta família deve ser vista também como uma jazida de líderes, pois foi isso que muitos dos Maceos foram: verdadeiros líderes. A ascensão dos Maceos nas fileiras do Exército de Libertação, até dois deles atingirem a mais alta patente a que podiam aspirar – a de Major-General – e os outros, patentes diferentes, significa que esta não foi uma família – como tantas outras – que sucumbiu ao extermínio, quer pelos soldados peninsulares, quer pela fome durante a reconcentração. Foi uma família que foi dizimada porque, por pura consciência e não por acaso, entrou na guerra e nela desempenhou um papel preponderante – militar e ideologicamente. Não houve descanso para os Maceos, não houve rendição, deserção ou traição! É por isso que eles são o paradigma da família revolucionária cubana. E a sua excelsa matrona detém, sem dúvida, o estatuto de Mãe da Pátria, porque foi isso que ela foi para todos os cubanos: a que curou as suas feridas, a que os acompanhou a reverenciar os caídos sem choros inúteis – “sai daqui, não aguento lágrimas” -, a que estimulou o seu patriotismo para que não desistissem do seu projeto libertário e a que lhes transmitiu o orgulho de serem filhos desta terra.

Morreu na Jamaica, já foi dito, mas o seu exemplo imortal permanece. O seu apelo a “erguer-se” perante o inimigo permanece latente, tal como a sua imagem poderosa, com o lenço na cabeça – uma lembrança da sua linhagem africana – e os seus poderes curativos, que não só aliviam a dor e curam as feridas do corpo, mas, acima de tudo, reanimam o espírito para levantar a nação.

Em vídeo, a marca de Mariana Grajales

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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