
Sheinbaum exortou os EUA a “olharem para si próprios” no que diz respeito ao consumo de drogas e ao tráfico de droga
Durante a sua conferência de imprensa matinal, a presidente mexicana insistiu em que não responderá a título pessoal às declarações do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, evitou, esta terça-feira, entrar em confronto com o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, que afirmou que os sistemas político, judicial e jurídico mexicanos não funcionam porque os cartéis controlam o território.
«Como já dissemos várias vezes, os Estados Unidos têm de fazer uma reflexão sobre si próprios, nomeadamente no que diz respeito ao consumo de drogas e à distribuição e branqueamento de capitais nos Estados Unidos relacionados com o tráfico de droga», afirmou a governante.
No que diz respeito às declarações de Miller, descartou entrar em polémica com o funcionário norte-americano e atribuiu parte do discurso político nos Estados Unidos ao contexto eleitoral desse país.
Hoy anunciamos la creación de una Unidad Especializada para investigar los hechos ocurridos del 17 al 19 de abril, relacionados con el desmantelamiento de uno de los laboratorios de metanfetaminas y drogas sintéticas más grandes del país, en atención a la relevancia del caso y… pic.twitter.com/DX0LOND3sk
— Maru Campos (@MaruCampos_G) April 25, 2026
«Por isso, não vou entrar num debate específico com ele. Lembrem-se de que há eleições em novembro nos Estados Unidos. Sempre afirmámos que o México não deve ser o elemento determinante da sua campanha, porque esse papel cabe aos próprios Estados Unidos», afirmou.
As declarações da presidente surgiram depois de Miller ter afirmado, durante a cerimónia de entrega da Medalha de Defesa da Fronteira no Departamento de Guerra, que os cartéis transformaram o México num país onde «o sistema de justiça, o sistema político e o sistema jurídico não funcionam», porque as organizações criminosas controlam o território e eliminam quem se opõe às suas atividades.
O funcionário norte-americano comparou os cartéis de droga mexicanos a organizações terroristas estrangeiras, como o Estado Islâmico (ISIS) e a Al-Qaeda, salientando que estes não só introduzem narcóticos nos Estados Unidos, como também procuram desestabilizar a sua democracia e o Estado de direito.
Perante estas declarações, a presidente Sheinbaum reiterou que ambos os países mantêm mecanismos de cooperação, embora cada um actue dentro das suas respectivas jurisdições. Salientou que a estratégia bilateral deve basear-se no respeito pela soberania de ambos os países e concluiu que «cada um actua no seu território».
Estas declarações surgem num contexto de cooperação entre o México e os Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas, armas e pessoas, embora persistam divergências quanto à análise do fenómeno do narcotráfico e à responsabilidade de cada país na sua luta contra o mesmo, algo que costuma assumir relevância no debate político norte-americano durante os processos eleitorais.
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