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Sheinbaum exortou os EUA a “olharem para si próprios” no que diz respeito ao consumo de drogas e ao tráfico de droga

Durante a sua conferência de imprensa matinal, a presidente mexicana insistiu em que não responderá a título pessoal às declarações do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, evitou, esta terça-feira, entrar em confronto com o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, que afirmou que os sistemas político, judicial e jurídico mexicanos não funcionam porque os cartéis controlam o território.

«Como já dissemos várias vezes, os Estados Unidos têm de fazer uma reflexão sobre si próprios, nomeadamente no que diz respeito ao consumo de drogas e à distribuição e branqueamento de capitais nos Estados Unidos relacionados com o tráfico de droga», afirmou a governante.

No que diz respeito às declarações de Miller, descartou entrar em polémica com o funcionário norte-americano e atribuiu parte do discurso político nos Estados Unidos ao contexto eleitoral desse país.

«Por isso, não vou entrar num debate específico com ele. Lembrem-se de que há eleições em novembro nos Estados Unidos. Sempre afirmámos que o México não deve ser o elemento determinante da sua campanha, porque esse papel cabe aos próprios Estados Unidos», afirmou.

As declarações da presidente surgiram depois de Miller ter afirmado, durante a cerimónia de entrega da Medalha de Defesa da Fronteira no Departamento de Guerra, que os cartéis transformaram o México num país onde «o sistema de justiça, o sistema político e o sistema jurídico não funcionam», porque as organizações criminosas controlam o território e eliminam quem se opõe às suas atividades.

O funcionário norte-americano comparou os cartéis de droga mexicanos a organizações terroristas estrangeiras, como o Estado Islâmico (ISIS) e a Al-Qaeda, salientando que estes não só introduzem narcóticos nos Estados Unidos, como também procuram desestabilizar a sua democracia e o Estado de direito.

Perante estas declarações, a presidente Sheinbaum reiterou que ambos os países mantêm mecanismos de cooperação, embora cada um actue dentro das suas respectivas jurisdições. Salientou que a estratégia bilateral deve basear-se no respeito pela soberania de ambos os países e concluiu que «cada um actua no seu território».

Estas declarações surgem num contexto de cooperação entre o México e os Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas, armas e pessoas, embora persistam divergências quanto à análise do fenómeno do narcotráfico e à responsabilidade de cada país na sua luta contra o mesmo, algo que costuma assumir relevância no debate político norte-americano durante os processos eleitorais.

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