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Cruzamento de testemunhos sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil

Brasília, 27 de Maio (Prensa Latina) A Procuradoria Geral da República do Brasil começou a preparar um cruzamento massivo de dados após concluir os depoimentos sobre a tentativa de golpe de 2022, no marco de uma investigação liderada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministério está a avançar na análise dos depoimentos colhidos no processo que investiga o suposto plano de golpe após as eleições presidenciais de há três anos atrás, que envolveu integrantes da cúpula do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação é liderada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, e está na sua primeira fase de instrução criminal.

De acordo com a CNN Brasil, o objectivo imediato é realizar um extenso cruzamento das alegações obtidas junto ao chamado núcleo um do caso, formado por ex-funcionários de alto escalão do governo anterior (2019-2022).

As audições tiveram início a 19 de maio e prolongar-se-ão até 2 de junho. No final desta fase, os próprios arguidos deverão ser interrogados num segundo período, a partir da segunda metade do ano.

Entre os convocados para depor estão os ex-ministros Marcelo Queiroga (Saúde), Paulo Guedes (Economia), Adolfo Sachsida (Minas e Energia), Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), atual governador de São Paulo.

Segundo fontes próximas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a coincidência ou contradição entre as diferentes versões será decisiva para o pedido de novas diligências, como acareações, outras convocações ou mesmo mandados de busca.

Os factos em investigação giram em torno de uma alegada conspiração para impedir a tomada de posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023.

O processo baseia-se em provas de um plano para invalidar os resultados eleitorais através de pressões sobre as Forças Armadas, intervenção institucional e convocação de manifestações em massa em frente a quartéis militares. Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos na altura da transferência de poder (1 de janeiro de 2023), está a ser investigado como figura central na articulação deste plano.

Embora negue repetidamente ter promovido um complô, terá tolerado ou incentivado discursos golpistas, além de manter contactos com militares implicados.

O ponto de viragem ocorreu a 8 de janeiro de 2023, quando apoiantes extremistas de Bolsonaro invadiram e vandalizaram as sedes dos três poderes em Brasília.

Embora Bolsonaro não estivesse presente, os investigadores acreditam que este episódio foi o resultado de uma campanha de deslegitimação eleitoral promovida pelo poder executivo.

“O país precisa esclarecer até que ponto houve uma articulação deliberada para romper a ordem democrática”, disse uma fonte do STF.

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