Cuba

Mais de 8 000 assinaturas num manifesto internacional exigem o fim do bloqueio a Cuba

Exortam os governos de todo o mundo a fazer valer as leis internacionais para garantir o direito de Cuba a adquirir combustível e produtos para satisfazer as necessidades da sua população.

Um total de 8 840 assinaturas de 58 países apoiam o manifesto «Não à agressão militar contra Cuba. Contra o avanço do fascismo na América Latina”, documento apresentado por uma coligação de organizações, activistas e intelectuais que apelam aos governos de todo o mundo para que façam valer as leis internacionais, de modo a que Cuba recupere o seu direito de adquirir combustível e todos os produtos necessários para satisfazer as necessidades da sua população através do comércio e da cooperação mundial.

A iniciativa internacional, divulgada no âmbito da recente participação da maior das Antilhas na Assembleia Geral das Nações Unidas, conta com o apoio de figuras de destaque dos meios político, cultural e académico da América Latina e da Europa, que se uniram para condenar a actual pressão dos Estados Unidos contra a ilha e alertar para os riscos de uma intervenção armada.

«Não seremos a geração que permitirá que o fascismo se imponha sobre o povo cubano. Ainda estamos a tempo de dedicar todas as nossas iniciativas à defesa de Cuba; é hora de apoiar esse povo irmão, que tanto demonstrou solidariedade para com o mundo, e de pôr um limite ao poder daquele que, como disse José Martí, “esse Norte turbulento e brutal que nos despreza”».

A declaração denuncia que, este ano, a Administração do presidente Donald Trump classificou Cuba como uma ameaça extraordinária à sua segurança nacional, sob acusações de dar abrigo a terroristas e de adquirir armamento ofensivo, alegações que, como recordaram, foram feitas sem a apresentação de provas.

O texto critica também a manipulação de um acontecimento ocorrido há três décadas com o objectivo de apresentar uma acusação penal contra o líder da Revolução cubana, o General do Exército Raúl Castro Ruz, a que se soma uma intensificação das campanhas mediáticas e das ameaças contra o povo e o Governo cubano.

O manifesto denuncia o grave impacto do cerco económico e energético imposto pelo Governo dos Estados Unidos, que classifica como uma arma de guerra com implicações humanitárias de caráter genocida. «Não conseguimos impedir o genocídio em Gaza, não queremos outra Gaza na América Latina», sublinharam.

De acordo com o manifesto, o bloqueio total às importações de combustível fez com que a nação caribenha recebesse apenas um navio de petróleo num período de seis meses, além de ficar completamente impossibilitada de realizar transacções financeiras internacionais. Esta situação tem sido acompanhada por pressões que forçaram a saída de Cuba de companhias aéreas, empresas de navegação e grupos hoteleiros de países terceiros.

Neste contexto, o texto alerta para as manobras que os promotores do sector anticubano, liderados pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, estão a levar a cabo para que a Administração de Trump autorize uma agressão militar directa.

Os signatários alertam que uma acção bélica causaria mortes indiscriminadas entre a população cubana, a perda de vidas de cidadãos norte-americanos e consolidaria a impunidade de facções fascistas nos Estados Unidos, normalizando o uso da força militar na região.

Através das suas redes sociais, o ministro dos Negócios Estrangeiros da nação antilhana, Bruno Rodríguez, agradeceu pela declaração, afirmando que esta «constitui mais uma prova de que não estamos sozinhos nesta luta e reafirma que Cuba não é uma ameaça, mas o bloqueio sim».

De acordo com os números apresentados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros no âmbito do debate na Assembleia Geral das Nações Unidas, que teve lugar no passado dia 7 de julho, os prejuízos económicos causados pelo bloqueio entre março de 2025 e fevereiro de 2026 ascenderam a 8 103 milhões de dólares a preços correntes.& nbsp;Este montante representa um aumento de 7% em comparação com o período anterior, elevando o impacto acumulado desta política de asfixia para 178 700 milhões de dólares.

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