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Keiko Fujimori toma posse no Peru, com metade do país contra

A líder do partido Fuerza Popular assumiu o cargo para o mandato de 2026-2031 com 9,2 milhões de votos, um terço do eleitorado, e uma vantagem de 49 641 votos sobre a esquerda. É a décima mulher a governar o Peru em dez anos.

Keiko Fujimori tomou posse esta terça-feira como presidente do Peru para o mandato 2026-2031, numa cerimónia realizada no Congresso, perante um crucifixo e com a mão apoiada numa Bíblia.

«Juro perante vós, por Deus e pela pátria, sobre estes santos evangelhos, que exercerei fielmente o cargo de presidente da República», afirmou a líder da Fuerza Popular (direita), que chegou ao poder após perder três segundas voltas consecutivas. Na mesma cerimónia, prometeu defender «a terra, a soberania nacional, a liberdade, a democracia e a independência dos poderes do Estado».

Já com a faixa presidencial no peito, a filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) anunciou que o seu mandato se concentrará em duas emergências nacionais, o fenómeno El Niño e a segurança pública, além de uma «profunda» reforma prisional.

A aritmética incómoda de uma vitória

Esta dupla frente de emergência arranca com um apoio escasso. Dos 27 milhões de peruanos com direito a voto, 2,8 milhões votaram nela no primeiro turno, cerca de um décimo do eleitorado.

No segundo turno, obteve 9,2 milhões de votos, um terço do eleitorado. A vantagem sobre o candidato do Juntos pelo Peru (esquerda), Roberto Sánchez, ficou em 49 641 votos, menos de 0,3% dos votos expressos. As eleições foram marcadas por diversas irregularidades e falta de transparência.

Por trás desses números está a crise de representatividade que o Peru arrasta há anos, com um voto que funciona como castigo ao adversário ou como escolha do mal menor. O primeiro teste para a nova presidente virá do Parlamento que a apoia.

Mão firme perante o Congresso que a apoiou

A promessa de ordem que defendeu durante a campanha contrasta com o legado legislativo do seu próprio grupo parlamentar. O Congresso cessante, dominado pela Fuerza Popular e pelos seus aliados, aprovou leis que atenuaram a repressão ao crime.

Uma delas redefiniu o crime de organização criminosa, exigindo estruturas mais sofisticadas, o que deixa grupos inteiros fora do alcance dos instrumentos judiciais complexos. Outra obriga o Ministério Público a aguardar a presença do investigado e do seu advogado antes de proceder à busca e apreensão num imóvel. Uma terceira reduziu os prazos de prescrição penal para crimes graves, com risco de impunidade em processos de corrupção e branqueamento de capitais.

A segunda emergência também não lhe agrada. O fenómeno El Niño vai castigar a costa norte entre o final deste ano e o início do próximo, um bastião fujimorista onde o seu apoio será medido à luz das inundações. Mais a sul, pesam as mortes de civis durante os protestos contra Dina Boluarte, cuja ascensão foi interpretada na região andina como uma manobra do fujimorismo a partir do Parlamento.

A OIT, a Andina e um gesto vindo de Caracas

Com esse panorama interno em mente, o discurso de tomada de posse procurou, no plano externo, uma margem de manobra. Fujimori prometeu dar prioridade à integração regional, impulsionar a Aliança do Pacífico, reativar a Comunidade Andina e ampliar a cooperação com a Ásia-Pacífico e o Médio Oriente.

As primeiras respostas chegaram ainda na terça-feira. O Governo venezuelano reafirmou a sua vontade de reforçar a cooperação e o diálogo com o Peru e, em Lima, a chefe de Estado acordou com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, impulsionar o porto de Ilo no Pacífico e reativar a integração ferroviária e rodoviária entre ambos os países.

Essa agenda de longo prazo exige uma estabilidade que o Peru não tem demonstrado há uma década. Fujimori sucede a José Balcázar, no cargo desde fevereiro, que substituiu José Jerí após quatro meses e uma semana de mandato. Ambos assumiram o cargo por sucessão constitucional, na qualidade de presidentes do Congresso.

Antes deles, governou Boluarte, vice-presidente de Pedro Castillo, o último chefe de Estado eleito nas urnas e destituído devido a uma alegada tentativa de golpe. A décima governante em dez anos assume o cargo para um mandato de cinco anos com o apoio de um terço do eleitorado.

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