América Latina e CaraíbasPeru

Vítimas da repressão apelam a protestos contra Keiko Fujimori no dia 28 de julho, no Peru

Os familiares das vítimas da repressão estatal durante as décadas de 1980, 1990 e 2000, incluindo os governos de Alberto Fujimori, Dina Boluarte e José Jerí, convocaram uma vigília, uma marcha nacional e um desfile alternativo para rejeitar a tomada de posse da líder do partido Fuerza Popular, a quem acusam de liderar um Executivo «fraudulento e ilegítimo».

A poucas horas da tomada de posse do governo de Keiko Fujimori, os familiares e os parentes das vítimas da repressão estatal ocorrida durante as décadas de 1980, 1990 e 2000, sob os governos de Alberto Fujimori, Dina Boluarte e José Jerí, reuniram-se em frente ao Palácio da Justiça de Lima para honrar a memória dos seus entes queridos e manifestar a sua oposição ao regresso do fujimorismo ao poder executivo.

As organizações convocantes, que agrupam associações culturais, sociais e políticas, realizaram um ato simbólico na Alameda Paseo de los Héroes com fotografias dos familiares das vítimas, velas e cartazes, denunciando que a cúpula fujimorista e os comandantes militares e policiais foram condenados por graves violações dos direitos humanos, incluindo desaparecimentos forçados, execuções extrajudiciais, torturas e esterilizações forçadas.

Raúl Samillán, presidente da Associação de Familiares das Vítimas dos Massacres dos Anos de 2022 e 2023, declarou à teleSUR que a chegada de Keiko Fujimori representa um retrocesso para a justiça no país e que não reconhecerão a sua autoridade, «É muito lamentável que a senhora Keiko Fujimori tenha assumido o poder de forma fraudulenta e ilegítima», afirmou Samillán.

«Nós, enquanto sulistas e vítimas do governo da senhora Dina Boluarte e da senhora Keiko Fujimori, não a vamos reconhecer. Nós não vamos permitir que essa senhora pise em terras onde, infelizmente, o sangue dos nossos filhos e dos nossos entes queridos ainda está derramado», afirmou.

Exigem a revogação das leis que promovem a impunidade

Os organizadores defendem que não pode haver reconciliação sem a revogação das chamadas leis pró-crime que, segundo denunciam, foram aprovadas pela bancada da Fuerza Popular, de Keiko Fujimori, e que protegem os responsáveis por abusos cometidos pela Polícia Nacional e pelas Forças Armadas, dificultando o acesso à justiça.

«A primeira coisa que esta senhora Fujimori deveria fazer é, precisamente, revogar todas essas leis que favorecem a criminalidade e que foram elaboradas e aprovadas pelo seu partido, o Partido da Força Popular», declarou Samillán.

O dirigente recordou que, durante os governos de Alberto Fujimori, Dina Boluarte e José Jerí, ocorreram desaparecimentos forçados, execuções extrajudiciais e torturas, pelos quais a cúpula fujimorista foi condenada internacionalmente por graves violações dos direitos humanos.

Denunciam o controlo do Senado e a quebra do equilíbrio de poderes

Samillán também se referiu à eleição para a presidência do Senado, vencida na véspera pelo fujimorismo, que classificou como um facto que afecta gravemente o equilíbrio de poderes no país e que consolida a impunidade: «Infelizmente, ainda há traidores no país que se vendem por algumas moedas e, precisamente, foi isso que ontem entregaram numa bandeja de prata o Senado à senhora Keiko Fujimori, o que não nos permitirá alcançar justiça», advertiu.

Foto: @WaykaPeru

No entanto, manifestou a sua esperança de que a Câmara dos Deputados, onde existe uma coligação de partidos democráticos, possa promover leis para punir os responsáveis pelas violações.

Calendário de manifestações por ocasião das Festas Patrias

As organizações anunciaram uma série de atividades no âmbito das Festas Patrias para manifestar a sua oposição à nova presidente; a 27 de julho terá lugar uma vigília na Alameda Paseo de los Héroes, em frente ao Palácio da Justiça; no dia 28 de julho foi convocada uma marcha nacional com ponto de encontro principal em Lima às 10h00, coincidindo com o discurso de Keiko Fujimori à nação, ato que incluirá a «lavagem da bandeira» como gesto simbólico de resistência; e no dia 29 de julho terá lugar o desfile alternativo «Do povo para o povo» .

«Amanhã vai ser um dia importante, em que todo o Peru, não só a capital, mas todas as regiões, nos vamos mobilizar para lhe dizer: Sra. Keiko Fujimori, a senhora não nos representa. A senhora foi derrotada, precisamente, em dezasseis regiões do sul do país», sublinhou Samillán.

Foto: @WaykaPeru

Rejeito o apelo à reconciliação sem justiça

 

 

Questionado sobre o apelo à reconciliação feito por Keiko Fujimori, o presidente da associação de vítimas foi categórico ao descartar qualquer possibilidade de diálogo enquanto as exigências de justiça e memória não forem atendidas: «Não haverá reconciliação enquanto o sangue dos nossos filhos e entes queridos continuar a ser derramado e enquanto não forem revogadas, precisamente, estas leis que favorecem o crime, que foram aprovadas pelo seu partido político e que estão a prejudicar as investigações», afirmou.

As organizações de direitos humanos, associações de familiares e coletivos sociais anunciaram que manterão a mobilização como um direito constitucional e internacional face ao que consideram ser um governo autoritário e ilegítimo, em defesa da memória histórica e da justiça para as milhares de vítimas da repressão estatal no país.

Pode partilhar esta história nas redes sociais:

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

A cobertura mediática sobre Cuba e a América Latina é dominada por um só lado. Nós mostramos o outro. Receba análises geopolíticas que fogem do mainstream ocidental.

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para obter mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *