
Milei é acusado de desvio de fundos públicos durante viagem eleitoral ao Brasil
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi alvo de uma queixa criminal por utilização irregular de fundos públicos e por desvio de fundos durante uma viagem eleitoral ao Brasil.
Dois advogados apresentaram uma queixa criminal junto do Poder Judicial Federal argentino contra o presidente Javier Milei pela alegada prática dos crimes de desvio de fundos públicos e incumprimento dos deveres de funcionário público.
A ação judicial questiona a utilização de recursos estatais, incluindo o uso do avião presidencial, da comitiva oficial, do pessoal de segurança e das despesas de viagem para se deslocar à cidade de São Paulo e participar na convenção do Partido Liberal, onde Milei apoiou abertamente a candidatura presidencial do senador brasileiro Flávio Bolsonaro e ofendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as instituições democráticas, incluindo o Poder Judicial, e o povo do Brasil.
🚨Gobierno de Brasil calificó como "evento de extrema derecha" la visita no oficial de Javier Milei. La admón. Lula desestimó la gira como actividad privada de proselitismo político. La cancillería ratificó que Argentina no solicitó audiencias bilaterales. #Brasil #Milei #teleSUR pic.twitter.com/gPbg4eZIjM
— teleSUR TV (@teleSURtv) July 25, 2026
Os juristas que apresentaram a denúncia assinalaram que o presidente deturpou a finalidade institucional do orçamento destinado à representação no estrangeiro para favorecer um grupo político estrangeiro.
Por isso, solicitaram às autoridades judiciais que exigissem à Chefia de Gabinete e à Casa Militar os registos de custos, as ordens de voo e as listas de acompanhantes, com o objectivo de intimar Milei a prestar depoimento, assim que fossem reunidos os elementos de prova que comprovassem a violação dos artigos 248.º e 260.º do Código Penal.
A controvérsia atingiu o plano internacional devido às declarações imprudentes proferidas pelo chefe de Estado argentino durante o comício do partido, onde dirigiu ofensas diretas a Lula e aos juízes do Supremo Tribunal Federal.
Estes ataques levaram à convocação imediata do embaixador brasileiro em Buenos Aires e suscitaram veementes reações diplomáticas de repúdio pela violação dos princípios de não ingerência e respeito pela soberania entre as nações da região.
O conflito diplomático sem precedentes eclodiu na sequência da participação do presidente Milei num comício político em São Paulo, onde apoiou a candidatura de Bolsonaro face à crise em que as sondagens o colocam.
Depois de o Supremo Tribunal Federal brasileiro lhe ter negado a autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Milei proferiu insultos severos contra o presidente Lula, a quem chamou de «lixo socialista», «presidiário» e «ladrão», além de ter atacado o juiz Alexandre de Moraes.
A agressão verbal provocou uma reacção imediata do Governo brasileiro, que chamou o seu embaixador em Buenos Aires para consultas e convocou o representante argentino em Brasília para lhe entregar um protesto formal, colocando as relações bilaterais à beira de uma ruptura institucional.
Apesar da gravidade da situação, Milei voltou a proferir críticas, acusando Lula de financiar uma suposta campanha contra si. Perante estes factos, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, apresentou as suas desculpas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros brasileiro em nome do povo argentino, a fim de se distanciar das acções do Executivo nacional.
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